Confissões

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Henry estava tão emocionado quanto Regina. Ouvir aquela voz que tanto amava era confortador, seu peito estava apertado pois a saudade havia batido bem mais forte naquele instante. Sua voz não era mais de um menininho e sim de um rapaz que estava em fase de transição, aquilo fez Regina sentir-se mal, mal por não poder acompanhar o crescimento do filho, mal por ter estado tão ausente nestes últimos três anos, mas não era sua culpa. Regina era a mãe mais amável que alguém poderia ter. Henry era muito ligado a ela, sempre mantiveram uma relação de muito carinho e se denominavam melhores amigos.

Regina sentia o nó, que estava em sua garganta, abafar a sua voz. Sentira tanto que não conseguia conter as suas lágrimas, parecia tudo surreal.

- Mãe, é você? Eu tenho que falar rápido antes que ele chegue… - disse Henry com o sotaque estrangeiro.

Regina estava com a voz embargada.

- Sim, meu amor! Eu estou com tantas saudades… Tantas que não consigo parar de chorar e pensar em você todos os dias! - disse Regina com uma das mãos na boca para abafar o choro.

- Mãe, eu pedi para um amigo conseguir o seu número e estou ligando do celular dele. Eu só queria dizer que te amo e sinto a sua falta. - disse Henry com um sotaque norte-americano e com a voz chorosa.

Regina emocionou-se novamente.

- Amor, memoriza o meu número, não deixe anotado em lugar nenhum. Daniel pode achar e tomar de você. Me ligue sempre que puder, não se esqueça jamais que eu te amo e vou fazer de tudo para tê-lo de volta! - disse Regina determinada.

Henry sentiu-se esperançoso e limpou as lágrimas que escorria pelo seu rosto. Ouviu um barulho no trinco da porta de seu quarto que era bastante luxuoso, digno de um garoto de família rica, e desligou a ligação rapidamente para que Daniel não percebesse, mas era tarde demais.

- Com quem estava falando? - perguntou Daniel desconfiado ao ver Henry escondendo o aparelho celular do amigo.

- Com o Dylan. - mentiu.

- Você estava falando ao telefone, me dê ele! - pediu Daniel sério.

Henry fez uma negativa.

- Ele estava falando com uma amiga nossa que ligou, não era ninguém importante… - disse Dylan tentando ajudar o amigo.

- Me dê o telefone! - ordenou novamente.

- Pai… - disse Henry.

Daniel caminhou em direção ao filho pegando o aparelho bruscamente, deslizou a tela e viu que a última chamada era destinada a um número brasileiro. Discou e esperou chamar. O celular de Regina tocou novamente e como o filho havia desligado repentinamente, preferiu não falar nada, apenas aceitou a chamada e escutou quem estava do outro lado da linha.

- Alô?! - disse Daniel esperando uma reposta.

Regina encheu-se de raiva ao ouvir a voz de Daniel, teve vontade de socar a parede, mas conteve-se. Desligou a chamada e encostou a testa no vão na porta.

- Você ligou para ela, não é? - perguntou Daniel furioso.

- Não… - mentiu olhando nos olhos do pai.

- Não minta para mim, Henry. Você sabe que ela te deixou e você não deveria procurá-la! - bravejou Daniel nervoso.

- VOCÊ SABE QUE ELA NÃO ME DEIXOU! ELA É A MINHA MÃE! - gritou Henry deixando o pai mais nervoso do que estava.

- Dylan, vá embora! Henry ficará de castigo e não poderá sair durante duas semanas! - disse Daniel nervoso.

O garoto pegou o seu aparelho e foi embora às pressas.

O sabor do pecadoOnde histórias criam vida. Descubra agora