O beijo da loba.

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Regina estava emocionada, sentia-se feliz por ter ganho o negócio de Rumple além de sua fortuna pessoal, mas por outro lado, sentia-se mal por tê-lo perdido. Seus olhos estavam marejados e não conseguia conter as lágrimas. Finalizou o que tinha que tratar com o advogado naquele primeiro instante e desceu para falar com todos. Caminhou em passos moderados e pediu para que quando todos estivessem desocupados, que falassem com ela.
- O que houve, Regina? - perguntou Killian percebendo as lágrimas no olhar da mulher.
- Estou esperando Fiona e Emma chegarem pra falar… - respondeu Regina encostada no balcão.
Zelena estava distraída com o celular na mão, estava próxima a Regina e abriu a sua conversa com Ruby que havia enviado um vídeo do clipe da Sia que performava a música Chandelier, a ruiva não hesitou em abrir, porém não esperava que seu aparelho estivesse no volume máximo. Quando acionou a tecla play, iniciou um toque ousado e inesperado que fez com que a atenção de todos voltasse para ela.
- FODE ESSA BUCETA, FODE ESSA BUCETA AAAAAAHHHH, FODE ESSA BUCETA, FODE ESSA, FODE ESSA BUCETA AHHHHHH… - O vídeo reproduzia em sincronia com a dança da Sia e sobressaía a letra original.
Regina a olhou torto e estava à espera de que a ruiva desligasse o celular, ela não estava com clima para rir dessas coisas, mas August e Killian estavam gargalhando com o desespero da mulher que tentava por tudo pausar o vídeo.
- FODE ESSA BUCETA, FODE ESSA BUCETA AAAAAAHHHH, FODE ESSA BUCETAA AHHHHHH, ISSO FODE FORÇA VAI, FODE! I’M GONNA SWING FROM…- tocava e Zelena não conseguia desligar.
A ruiva estava desesperada e deixou o aparelho cair no chão e para o seu azar, não foi o suficiente para apagá-lo e permaneceu reproduzindo o vídeo. Regina estava bufando com os braços cruzados.
- FODE ESSA BUCETA AHHHHHH, FODE ESSA BUCETA AHHHHHH, AAHHHHH GONNA LIVE LIKE TOMORROW DOENS’T EXIST… -  tocou até Zelena conseguir tirar a bateria do aparelho e estava vermelha de tanta vergonha.
- Que porra é essa, Zelena? - perguntou August já sem ar de tanto gargalhar.
Killian não sabia o que era mais engraçado, o vídeo, o desespero de Zelena ou a cara irritada de Regina.
- Já acabou, Jéssica? - perguntou Regina fitando-a.
- Desculpa, Regina, foi sem querer… Quer que eu te mande o vídeo? - perguntou Zelena na maior cara de pau.
- Eu to passando mal! - disse Killian segurando a barriga de tanto que doía por causa do riso.
Regina deu de ombros e logo Fiona e Emma juntaram-se a todos. A morena preparava-se para falar sobre Gold sem que voltasse a se emocionar. Respirou fundo e tentou encontrar as palavras. A loira estava preocupada com a expressão de Regina e sabia que não seria algo bom.
- Bom… Não é nada fácil eu dar essa notícia, mas o nosso querido senhor Gold faleceu… - disse Regina lembrando-se da carta que ele havia deixado a ela.
- O quê? - perguntou Killian espantado
- Como assim? - perguntou Fiona preocupada com o destino do seu emprego.
- Co-mo, como isso aconteceu? - perguntou Emma ainda desacreditada.
Zelena estava em choque, não conseguia perguntar nada, apenas estava boquiaberta esperando o desenrolar da história.
- Ele tinha um problema… Problema cardíaco e… Acabou nos deixando… - disse Regina ainda emocionada.
- E como nós ficamos? - perguntou August.
- A loja será vendida? - perguntou Fiona.
- Espero que não seja para alguém ruim… - disse Zelena voltando-se a todos.
Regina estava irritada com o falatório e os interrompeu.
- SILÊNCIO! Não se desesperem… - disse Regina levantando as mãos como sinal para que parassem.
- Como não? - perguntou August nervoso.
- Deixem ela falar! - pediu Emma irritada com o alvoroço.
- Ele transferiu pro meu nome antes de morrer… - disse Regina sendo interrompida pelo grito de Fiona.
- EU NÃO FALEI QUE ELES TINHAM ALGO!
Emma a olhou torto. August estava boquiaberto e não acreditava que agora Regina era dona de tudo.
- Cala a boca! - irritou-se Emma.
- Ele deixou porque não tinha família e sempre me tratou como filha, quer vocês acreditem ou não! Se quiserem achar que eu era amante dele, ou qualquer outra coisa, é problema de vocês! Eu não estou nem aí para o que pensam ou deixam de pensar de mim… Isso é problema não é problema meu! - disse Regina direcionando-se a Fiona e August.
Regina afastou-se para um canto e Emma foi em sua direção.
- Regina! - chamou.
A morena virou-se e Emma a abraçou forte sem nem ao menos pensar. Regina retribuiu aquele gesto, talvez precisasse daquilo, talvez a saudade era mais forte do que qualquer coisa ruim que havia ocorrido entre elas. Permaneceram ali por alguns minutos, era muito difícil para ambas desfazer aquele contato. O abraço da loira era como um tranquilizante para Regina e aos poucos soltarem-se, os olhares encontraram-se e a vontade de se beijarem era tentadora. A morena foi caindo em si aos poucos, percebendo a dor que estava por trás daquela saudade, olhou para baixo e afastou-se.
- Eu sinto a sua falta… - disse Emma com os olhos marejados tentando segurar a mão da morena.
Regina soltou ar dos pulmões.
- Eu também… Mas só depende de você… - disse Regina esperando uma resposta de Emma que nada disse, apenas abaixou a cabeça.
A morena irritou-se com a falta de ação de Emma, nem ao menos disse que estava tentando e acabou subindo para a sua sala.
Emma sentia-se fraca. Todos os dias olhava-se no espelho na tentativa de se reconhecer. Buscando por respostas, percebia que estava vivendo à sombra da mãe. Mary Margaret sempre procurou fazer com que a filha seguisse ao seu exemplo, mulher de família, caseira, que está em busca de construir uma família. A sua influência na vida de Emma sempre fora muito forte e isso acabava a reprimi-la, canalizando o seu verdadeiro eu. A loira estava lutando contra isso a cada dia que passava e a cada segundo buscava uma forma de conseguir livrar-se de seu medo de Mary Margaret. Medo de rejeição, medo de ouvir coisas das quais não gostaria, medo de perder o seu amor e o seu carinho. Sentia-se incompleta, infeliz e toda aquela sensação de não se encaixar no mundo, havia voltado. Emma precisava impor-se e sabia disso, era só uma questão de tempo…
Naquele mesmo dia, a loira estava disposta a jogar tudo para o alto e contar, desabafar tudo que sentia sem importar-se com nada, estava na hora de pensar em si mesma e parar de preocupar-se com os outros. Sentou-se no sofá e pegou Ava no colo e esperou pela mãe, não demorou muito e a mulher chegou. Mary Margaret a fitou, odiava ver pelos de cachorro no sofá e odiava a roupa que Emma estava. A loira não teve tempo de iniciar um diálogo e a mulher começou a bravejar.
- Emma, eu já cansei de dizer que não quero essa cadela no sofá! Minha casa vive cheia de pelos e fedendo a xixi de cachorro, pelo amor de Deus! - disse Mary irritada.
- Mãe, eu preciso…
- Quantas vezes eu já falei que essa camisa é horrível! Olha o tamanho desses braços, parece homem! Você nunca me escuta, Emma! Cadê aquela roupa que comprei? Te deixa muito mais feminina e apresentável! - disse Mary fazendo a filha sentir-se mal.
- Eu gosto dessa camisa…
- Eu não te criei assim, você nunca respeita o que eu quero! - disse Mary jogando a bolsa no sofá.
Emma perdeu totalmente a vontade de conversar com a mãe, era tão difícil ter uma conversa saudável com ela. Mary Margaret queria impor toda uma vida para a filha sem ao menos saber sobre ela. Emma acreditava que Ava a conhecia melhor do que a própria mãe. Estava triste por não ter conseguido desabafar mais uma vez e a cada dia que se passava, a loira sentia que voltar para Regina estava mais distante, não queria que a morena a esquecesse, mas também não estava pronta para ser a mulher por inteiro que ela mesmo desejava ser.
Deitou-se e olhou todas as fotos que havia tirado com Regina, mil lembranças vinham em sua mente e parecia não enxergar mais nenhuma saída. Seu coração estava desesperado e cada segundo que se passava, as suas esperanças iam morrendo. Pegou o seu violão e começou a tocar uma triste melodia.
- Remember when I cried To you a thousand times I told you everything You know my feelings It never crossed my mind That there would be a time For us to say goodbye What a big surprise
Lembra quando eu chorei Por você mil vezes Eu te disse todas as coisas Você sabia sobre os meus sentimentos Nunca passou pela minha mente Que haveria um tempo Para nós dizermos adeus Que grande surpresa!
Emma sentia aquela letra como parte do que estava vivendo naquele instante e o seu peito estava apertado como no dia em que Regina a deixou.
- But I'm not los I'm not gone I haven't forgot These feelings I can't shake no more This feeling's running out the door I can feel it falling down And I'm not coming back around These feelings I can't take no more This emptiness in the bottom drawer It's getting harder to pretend And I'm not coming back around again Remember when...
Mas eu não estou perdida Eu não vou embora Eu não esqueci Esses sentimentos que eu não posso mais agitar Esses sentimentos estão saindo pela porta Eu posso sentir isso desabando E eu não estou voltando Esses sentimentos que eu não aguento mais Esse vazio no fundo da gaveta Está ficando difícil fingir
Eu não estou voltando novamente Se lembra quando...
As lágrimas de Emma escorriam em sua boca, podia sentir o gosto salgado daquele líquido e emocionava-se a cada verso daquela canção.
- That was then Now it's the end I'm not coming back I can't pretend Remember when…
Isso foi antes Agora é o fim Eu não vou voltar Eu não posso fingir Lembra quando…
Algum tempo depois….
Emma havia ido em sua faculdade para pagar as mensalidades e descobriu que o curso já estava totalmente quitado e não entendeu o que estava acontecendo. Ao questionar quem havia pago, a funcionária respondeu que havia sido Regina Mills e a loira ficou surpresa. Foi até a loja e precisava conversar seriamente com a morena, era uma decisão que precisava tomar e não existia outra solução.
- Regina, eu preciso... Pedir demissão. - disse Emma entristecida.
Regina sentiu seu coração gelar, não esperava que a loira fosse embora.
- O que aconteceu, Emma? - perguntou Regina preocupada.
- É que eu não vou conseguir ficar aqui, fazer estágio, terminar o TCC e ir para as aulas… Eu não queria ir, mas infelizmente terei que fazer isso… - disse Emma sentindo mais medo de perder Regina do que já estava.
A morena engoliu seco.
- Emma, deixarei a sua vaga para quando quiser voltar… Eu desejo sorte. - disse Regina com tristeza no olhar.
A loira assentiu, não tinha palavras para despedir-se.
- Ah! E obrigada pelo que você fez por mim… - disse Emma com o olhar baixo na tentativa de esconder o seu sofrimento.
Regina havia oferecido carona para as aulas, mas ela não aceitou, seria doloroso para ambas sentarem-se no mesmo carro com assuntos inacabados e com sentimentos pendentes. Não há nada mais doloroso do que ver a pessoa amada e não poder tocá-la… Emma saiu naquele mesmo dia e iniciou o estágio naquela tarde. Regina olhava a figura da loira indo embora e suas lágrimas escorriam, a sensação que tinha era que agora ela estava sendo deixada e que não haveria mais volta…
Zelena percebeu a tristeza de Regina e a tentou consolar, a abraçou e a morena contou tudo que havia ocorrido entre ela e Emma nos últimos meses. A ruiva a chamou para sair e distrair-se com outras coisas e outras pessoas e a convenceu de que ela não poderia esperar uma atitude de Emma a vida inteira e que precisava seguir em frente.
Saíram a noite para uma boate que havia um bar no andar de cima. Regina precisava beber e entorpecer a sua dor. Ruby havia sido convidada por Zelena e já estava sabendo da solterisse de sua paixão, tinha certeza que não deixaria passar e que tentaria conquistar a morena.
- Eu não sei mais o que fazer… Me afastei, esperei… E ela nem ao menos me disse nada… Tenho certeza que nunca me amou… - disse Regina com o nariz vermelho e tomando um copo de whisky. - Em que eu errei? - perguntou.
- Regina, esqueça Emma, ela não é mulher pra você… - disse Ruby tocando na mão da morena.
- E você seria, Ruby? - perguntou Zelena sentindo uma ponta de ciúmes ao ver aquele toque.
Ruby assentiu.
- Regina, eu juro que se você me aceitar em sua vida, a farei esquecer Emma… Eu não tenho vergonha de me assumir, aliás, todo mundo sabe como e quem eu sou! - disse Ruby.
Regina tocava o dedo na boca do copo fazendo movimentos circulares, estava pensativa, não sabia o que fazer. Estava perdida…
- Juro que a farei muito feliz… - insistiu Ruby sorrindo.
Zelena soltou o ar dos pulmões, estava entediada por estar de vela e acabou arrependendo-se de ter chamado Ruby para ajudar Regina. Foi inocente demais ao pensar que a amiga respeitaria o momento de dor da morena? Talvez… Não sabia o porquê tinha tanto ciúmes de Ruby e aquele sentimento a estava consumindo naquela noite.
- Como alguém dispensa uma mulher como você? - perguntou Ruby encantada com Regina.
A morena nada respondia, estava presa em seus devaneios e só conseguia pensar em Emma. Ruby levantou-se e ficou por trás de Regina, deslizou uma das mãos sobre o seu braço e em seguida puxou o seu queixo para um beijo, iniciando-o com   calma e em seguida aprofundando-o. Regina foi pega de surpresa, ainda estava processando aquela situação e Zelena levantou-se enfurecida...

O sabor do pecadoOnde histórias criam vida. Descubra agora