Anne O'Neil esconde seu passado turbulento com muito trabalho e se mantendo o mais longe possível de seu pai abusivo. Após uma gravidez indesejada na adolescência e consecutivamente a morte de seu filho, ela se vê diante de uma depressão profunda, s...
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Duas horas haviam se passado e minha conversa com Anne não parecia nem perto de acabar. A garçonete que nos atendia já parecia entediada, porque não paramos de pedir xícaras e mais xícaras de café e por último, quando a hora do almoço se aproximava, Anne e eu não conseguimos nos conter e acabamos dividindo mais um pedaço de torta.
Eu não sei de onde puxamos tanto assunto, duvido que ainda exista algo que possamos falar sobre. Mas, é sempre surpreendente quando achamos mais um assunto e iniciamos uma sessão de risadas que não termina nem tão cedo.
Mas não me esforço para acabar com isso agora, na verdade, sinto como se eu pudesse ficar aqui durante todo o dia. A companhia de Anne é extremamente agradável, porque ela não faz eu me sentir desconfortável e adoro ouvi-la contar um pouco mais sobre a sua vida pessoal.
E ela tem as melhores histórias na época da faculdade e fico surpreso quando escuto sobre as festas no campus. Anne não parece fazer o tipo de garota que curtiu tudo o que havia na faculdade, mas ela me surpreende quando prova que não perdia nenhuma oportunidade de se divertir.
Por fim, o assunto que eu tanto tinha interesse surgiu e fiquei aliviado por ter sido tratado com ironia. Anne começou contando sobre os seus namoros fracassados na faculdade e de repente estávamos falando sobre nossas vidas amorosas atualmente.
- Como você pode estar solteiro? - Não evito a risada com a pergunta que ela me fez. Anne parece duvidar do que eu acabei de afirmar; que nunca estive em um relacionamento sério.
- Eu curti muito na época da faculdade também, se você quer saber. - Roubo mais um pedaço da torta e preciso assumir que não me canso desse sabor! É perfeito. - Mas depois que a gente cresce e percebe que relacionamentos rasos não te levam a lugar algum, fica difícil se entregar a qualquer coisa. Você meio que procura por algo real e conhecer a pessoa certa é o ponto primordial, entende?
- Tipo um voto de castidade? - Gargalho com sua pergunta.
- Estou bem longe disso, acredite. - Não me surpreendo quando Anne revira seus lindos olhos escuros, porque já percebi que essa é uma mania sua involuntária. - Mas não passam disso, uma única noite! Não irei além até conhecer a pessoa certa.
- Você tem razão! - Ela sorri para mim, me causando um daqueles reboliços no estômago, como se eu fosse um adolescente do colegial. - Eu acredito no amor, mesmo que possa soar ingênuo, eu realmente acredito. As vezes apenas não me sinto digna o suficiente para tê-lo.
Ouvi-la dizer aquilo soa terrivelmente contraditório para mim, porque Anne transborda amor em tudo o que faz. E consigo enxergar o que há por trás do seu ceticismo! Ela teve uma decepção amorosa. Não sei quando e o que houve, mas alguém a fez sofrer e por isso Anne não se julga digna do amor.
- Eu não acredito nisso! Todos nós somos amados em algum momento. E você? - Me perco em meio ao seu olhar enérgico e preciso puxar-me para a realidade outra vez. Como ela faz isso? - Você transpira amor, Anne. Sei que as vezes há pessoas que nos machucam e por causa delas nos tornamos descrentes em alguma coisa. E sei que você quer acreditar que não terá sorte no amor, mas eu não acredito nisso! Ainda irá encontrar alguém que lhe fará perceber o quanto é merecedora do amor, porque nada acontece por acaso e a vida é uma enorme caixinha de surpresas. Você só precisa se permitir.