Anne O'Neil esconde seu passado turbulento com muito trabalho e se mantendo o mais longe possível de seu pai abusivo. Após uma gravidez indesejada na adolescência e consecutivamente a morte de seu filho, ela se vê diante de uma depressão profunda, s...
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O primeiro e único lugar que me veio a mente foi o apartamento de Anne. Eu não sabia onde sua irmã morava e por mais que eu estivesse ficando louco, sua casa foi a primeira coisa que pensei. Tento não ser pessimista e acreditar sim que ela está lá em cima, agradecendo mentalmente quando o porteiro libera minha entrada.
Não tenho paciência para esperar o elevador e subo correndo os dez lances de escada, chegando a cobertura em tempo recorde. Bato algumas vezes na porta, ofegante e com uma dor de cabeça infernal, mas nada será o suficiente para me tirar daqui. Anne precisa de mim e eu falava sério quando prometi a ela que estaria ao seu lado independente da situação.
Não obtenho respostas e começo a realmente ficar nervoso, então testo a maçaneta e fico em sinal de alerta quando encontro a porta aberta. Entro no apartamento com o coração acelerado, temendo encontrar Anne e me desesperar com seu estado.
Mas a cena de sua sala completamente destruída me deixou terrivelmente preocupado.
As almofadas do sofá estão por todos os lados, tudo o que havia de vidro na sala está estilhaçado no chão e a escada para o segundo andar está com manchas vermelhas até lá em cima. Meu corpo inteiro fica gelado ao notar ser sangue e começo a procurar desesperado entre os cômodos.
Ouço o registro de um chuveiro ligado e sigo o som, parando dentro do quarto de Anne e seguindo diretamente para o seu banheiro. Fico mais calmo quando a encontro debaixo do chuveiro, toda encolhida dentro da banheira, mas ainda assim consciente.
- Babe, porque há sangue na escada? - Pergunto preocupado me aproximando, ficando em estado de choque quando encontro sua perna esquerda cortada, o machucado não para de sangrar e a quantidade de cacos de vidro em sua coxa me desesperam. - Anne, por favor, me responda...
Ela não diz nada, apenas continua olhando para a parede a sua frente, enquanto perde cada vez mais sangue e apesar do chuveiro a deixar encharcada, consigo notar as lágrimas descendo sem limites por suas bochechas, deixando sua maquiagem borrada.
Tiro o meu celular do bolso imediatamente e meus dedos ainda estão trêmulos. Digito o número de emergência e não demoro a ser atendido, enquanto dito o endereço de Anne e ao mesmo tempo desligo o chuveiro, tentando mudar esse cenário terrível.
Desligo a chamada quando eles me garantiram estar a caminho e pego uma toalha no armário do banheiro, cercando seus ombros. Por algum motivo desesperador ela apenas pisca, não diz nada e me sinto perdido em meio a toda essa confusão.
De repente ouvi sirenes, vozes dentro do apartamento e tudo parecia girar em câmera lenta, enquanto os paramédicos entravam no banheiro, invadindo o cômodo e indo diretamente para a minha namorada.
Vê-la tão quebrada física e emocionalmente me deixa triste e sinto como se alguém apertasse meu coração, me deixando sem ar e muito fraco. Não consigo responder todas as perguntas que um dos paramédicos fazem, apenas não desvio meus olhos de Anne sendo acolhida por eles e tudo não passa de um grande borrão.