Capítulo 7 - "Que cínico"

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Cheguei a minha casa esgotada, tinha de fazer as malas para amanhã me instalar na casa da família Lynch, aproximadamente uns três meses. Vou ter uns três meses bastante esgotadores. Quando entrei em casa estavam os meus pais e a minha irmã a jantar.

- Olá Sara – cumprimentou Marta, a minha irmã.

- Olá pequena – disse aproximando-me dela para lhe dar um beijo.

- Como correu o dia? – Perguntou a minha mãe pondo outro lugar na mesa.

- Esgotador mas tudo bem – respondi juntando-me a eles.

- Muitas discussões com aquela gente? – Perguntou o meu pai desde o outro extremo da mesa.

- Não, hoje não, mas tenho uma notícia que não sei se vão gostar de saber.

- Que tipo de notícia? – Perguntou a minha mãe confusa.

- O que se passa é que a senhora Lynch e o seu marido vão trabalhar para fora do país por três meses e pediram-me para ficar os três meses a viver com os seus filhos, especialmente pela sua filha pequena – expliquei.

- Três meses? – Perguntou a minha irmã assustada – Ou seja, não nos vais ver por três meses? – Perguntou triste.

- Não Marta, venho ver-te de vez em quando e também vou contigo às sessões de terapia, a isso nunca faltarei – disse mordiscando a minha torrada.

- Espero que não desapareças por muito tempo.

- Não o farei, venho deixar-lhes um pouco de dinheiro e ver como estão, espero que não se importem que eu tenha aceitado ficar lá três meses – acrescentei um pouco triste.

- Claro que não, é um bom trabalho e vão pagar-te bem, estamos contigo – apoiou a minha mãe.

- E mais uma coisa… Estive a pensar muito sobre isto e gostava de entrar na universidade… Depois de ter juntado um bom dinheiro para isso – informei.

- Isso é uma boa opção – disse o meu pai.

Depois de ter ajudado a minha mãe com a loiça fui ao meu quarto, tirei duas malas e meti tudo o que precisava para estes três meses, quando acabei estava esgotadíssima, vesti o pijama e adormeci profundamente.

Acordei com o despertador do telemóvel, levantei-me, tomei banho e vesti-me. Quando estava pronta desci com as malas para a sala onde estavam os meus pais e a minha irmã a tomar o pequeno-almoço.

- Bom dia. Vais tomar o pequeno-almoço connosco? – Perguntou a minha mãe ao ver-me descer as escadas.

- Não mãe obrigada, não tenho muita fome e já estou um pouco atrasada – disse arranjando um pouco o cabelo – Vemo-nos em breve, sim? – Disse dando um beijo a cada um deles.

- Vais como? – Perguntou o meu pai.

- Apanho um táxi – respondi agarrando nas malas e saindo pela porta – Vou sentir a vossa falta, vou telefonar, e tu pequena – disse apontando com o meu dedo indicador para ela – Porta-te bem, vou telefonar-te.

Saí do táxi que me deixou mesmo à porta de casa, agarrei nas malas e caminhei até à entrada. Quando entrei o jardineiro avisou-me de que a senhora e o senhor Lynch já tinham saído e que as instruções e informações tinha Glória.

Entrei pela porta de trás que dava para a cozinha, onde Glória estava a lavar uns pratos sujos.

- Olá Glória, já cheguei – anunciei.

- Ainda bem que chegaste, preciso de fazer umas compras, podes tomar conta da casa enquanto as faço? – Perguntou secando as mãos num pano de cozinha.

- Claro Glória, vou só deixar as minhas malas no quarto – avisei.

O quarto era bastante espaçoso, com um móvel grande onde podia pôr a minha roupa, as paredes pintadas de branco, o chão era creme, a cama era muito grande de certeza que ia passar frio nela. Deixei as malas ali para poder arrumar as coisas depois. Passei pela sala onde encontrei Ross a ver televisão, estranhei ele ter-se levantado tão cedo, aposto que caiu da cama. Quando ia a passar este olhou para mim e chamou-me.

- Faz-me uma sandes, com presunto e queijo – ordenou sem deixar de olhar para a televisão.

- Claro – disse quase a sair da sala.

- Ah! E um copo de sumo de ananás – ordenou novamente.

Fiz a sandes e o sumo, quando já estava tudo pronto pus o prato e o copo na bandeja, agarrei nela e fui até à sala. Quando cheguei aproximei-me de Ross, este agarrou no prato e no copo de sumo e apoio-os numa mesinha, depois esticou novamente o braço e agarrou no copo de sumo mas este escorregou-lhe da mão e o sumo derramou-se mesmo em cima da minha blusa.

- Desculpa, escorregou.

Que cínico, pensei.

- Não se preocupe, eu limpo – respondi saindo da sala.

Fui até ao meu quarto e mudei de roupa, ele fez de propósito para se vingar daquela vez em que o sujei de sumo na camisa sem querer, hoje era o primeiro dia dos próximos três meses e já estava a perder a paciência com ele.

No dia seguinte levantei-me e doía-me o corpo todo, no dia anterior tive que fazer muitas coisas e tinha-me deitado às duas da manhã. Tomei um banho demorado, depois vesti-me, penteei-me e saí do quarto.

Riker estava sentado num daqueles sofás a falar amistosamente com a sua irmã Rydel, fui até à cozinha para comer alguma coisa, tinha uma fome horrível.

- Já chegaste Glória? – Perguntei entrando na cozinha.

- Sim, cheguei cedo e tu como passaste a noite? – Perguntou.

- A verdade é que estou cheia de sono, ontem deitei-me demasiado tarde – disse bocejando e comendo uma maçã.

- Achas que isso te alimenta? – Perguntou olhando para o que eu estava a comer.

- Não, mas não tenho tempo para preparar um grande pequeno-almoço, bom vou arrumar os quartos – disse dando um pequeno beijo na cara de Glória.

Quando subi as escadas Ross ia a sair do seu quarto.

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