- Não te conheço de lado nenhum, não tens de saber os meus problemas.
- Bom está bem, mas se saíres de novo tenta avisar, está bem? - Perguntou.
- Está bem, eu aviso - suspirei - Porquê que és assim?
- Assim como? - Voltou a perguntar.
- Sei o que se passou - engoli saliva bruscamente - Aquilo da... Aquilo da morte da tua namorada.
- Quem é que te contou isso? - Perguntou gritando levantando-se do banco.
- Chateia-te que eu saiba? - Perguntei levantando-me também.
- Obvio que me chateia, és só uma empregada - criticou.
- És um cretino.
- E o que é que isso tem? Sou eu, a ti não te interessa nada de mim - disse chateado - Quando estás com o meu irmão, simplesmente penso que és uma...
As suas palavras foram interrompidas por uma chapada, nunca ninguém me tinha insultado, porquê que tinha de ser ele a fazê-lo?
- A mim respeitas-me - ameacei.
- A ti não te posso respeitar - disse olhando-me com desapreço.
- Às vezes és tão repugnante, pareces-me um maldito... - Preferi calar a boca - Deixa, não quero perder o meu tempo a insultar-te.
- Assim gosto, gosto que fiques calada, só dizes parvoíces - grunhiu agarrando-me fortemente no braço - Não quero que voltes a tocar no tema da minha namorada, respeita.
- Falas de respeito? Se queres que te respeitem também vais ter de fazê-lo. Passas a vida a criticar os outros mas não vês como és, um arrogante, frio, não respeitas ninguém, vulgar, antipático e muitas mais coisas negativas - gritei irritada - És o pior ser-vivo que conheci na minha vida, Lynch - disse e ele soltou-me - Desculpa ser tão direta mas deves saber.
- És uma inútil.
- Uma inútil que serve de muito nesta casa, não?
- Basta - gritou-me - Não podes ficar calada? Tu não tens o direito de dizer-me essas coisas do meu passado que não te interessam. A mim tu não me interessas e não te preocupes comigo, és uma tonta.
Achei que já bastava de insultos, olhei-o com ódio, nunca ninguém me tinha gritado na cara, ninguém me tinha tratado tão mal na minha vida, estive quase a dar-lhe outra chapada mas não o fiz.
Virei-me de costas para ele e chorei, chorei de raiva, de tristeza acumulada, de não poder sair daquela casa, chorei por causa dos insultos de Ross porque simplesmente não o suportava, de tal maneira que sentia que o odiava. Ross agarrou-me na mão impedindo que lhe desse outra chapada, agarrou-me fortemente nos braços, próximo dos cotovelos, agarrou-me firmemente e atraiu-me até ele bruscamente e beijou-me.
Estava assustada, tentei escapar mas era impossível ele tinha muito mais força que eu, deixei-me levar, pouco a pouco ele soltava-me até que o fez por completo. Jamais pensei beijar aqueles lábios e estava mesmo agora a fazê-lo, não sabia explicar o que sentia, estava confusa com a atitude de Ross. Quando começou beijou-me com brutidade mas agora era ao contrário, fazia-o com delicadeza, lentamente separei-me dele, precisava de ar e de uma boa explicação.
- Porque fizeste isto, Ross? - Perguntei num sussurro.
- Se esperas uma resposta vais ter de esperar sentada porque não tenho nenhuma - disse e saiu dali.
Fiquei mais que confusa, as atitudes de Ross davam-me vontade de vomitar, não percebia porquê que me tinha beijado e não me tinha dado nenhuma explicação. Não podia negá-lo, Ross beijava bem, mas porque o fez? Porquê a mim se me odeia e me despreza por ser uma simples empregada?
Ross estava estendido na sua cama, estava a pensar que não me devia ter beijado, não a mim, mas tinha vontade de fazê-lo. Fui a primeira mulher a quem ele beijou depois da morte da sua namorada mas o beijo não significou nada nem significará, foi um simples deslize e nunca mais vai voltar a acontecer.
- Perdoa-me meu amor por te ter feito isto - disse Ross olhando para o teto.
Ross sentiu que traiu a sua ex-namorada mas tinha bem claro na sua cabeça que ela tinha morrido, já não estava com ele e que tinha de seguir com a sua vida para a frente como lhe disse Riker claramente.
Superar o trauma, sair, fazer novas amizades e conhecer raparigas, era precisamente isso que ia fazer, levantou-se da cama esquecendo-se completamente do beijo que me deu, agarrou no seu casaco e saiu, voltaria tarde, ao amanhecer, eram precisamente uma e quarenta e cinco da madrugada e aproveitaria ao máximo para se divertir.
- Irmãozinho vou fazer o que disseste, a partir de hoje serei outro - disse enquanto entrava no seu luxuoso carro e saía de casa.
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Just a Maid
Fan-FictionSara é uma rapariga de 18 anos, humilde, de bom coração que decide trabalhar numa casa de ricos, a casa dos Lynch, uma família que se deixa levar pela arrogância, pelas aparências e pela ambição. Jamais pensou que trabalhar numa casa como esta seria...
