Capítulo 16 - "Tu não és assim"

1.5K 103 6
                                        

- A sério? Suspeitas dela? – Perguntei confusa – Tu mesmo disseste que estava a dormir no quarto dela – disse acabando de comer o meu gelado todo.

- Sim mas acho estranho que nem sequer tenha saído do seu quarto para ver o que se passava.

É verdade, nem sequer foi ver o que se passava, mas ela não se preocupa com alguém que a detesta. Acho que ela não se importava de me ver morta numa piscina.

- Tens razão mas também tens que ver que ela não gosta de mim e eu não gosto dela – acrescentei.

- Bom também há que ter isso em conta, mas não vou deixar de suspeitar dela mesmo que não encontre motivos para que ela te fizesse isso ou fizeste-lhe alguma coisa? – Perguntou enquanto saboreava o último pedaço de gelado que lhe restava.

- Eh… Temos as nossas discussões mas nunca lhe fiz nada.

- Já cheguei – disse Rydel sentando-se – Estavam a falar do quê?

- Nada que te interesse mana – disse despenteando um pouco o cabelo da sua irmã – Acho que devemos ir para casa.

- Sim tens razão – concordei levantando-me do lugar.

O trajeto até casa foi muito divertido para os três, conversas, risos, piadas e muitas coisas mais, sentia-me tão bem com eles, tratava-os como se fossem da minha família, como se já os conhecesse toda a vida. O Riker era um amor de pessoa, entendia-me e ouvia-me sempre, respeitava-me e tratava-me como uma pessoa normal e não como uma empregada da sua casa. A Rydel era como outra irmã pequena, terna e respeitadora e também carinhosa. Tinha tantas saudades da minha família, especialmente da minha irmã, deve estar aborrecida em casa sem nada para fazer, gostaria que ela estivesse comigo. Uma onda de tristeza percorreu o meu corpo mas não deixei que eles percebessem, um vazio que era inexplicável.

Quando chegamos a casa eram sete da tarde, a Glória já se tinha ido embora, tinha coisas para fazer na sua casa por isso eu estava encarregue de fazer tudo durante a tarde.

- Tenho fome – reclamou Rydel entrando na cozinha.

- Queres que te prepare algo? – Perguntei amavelmente.

- Era pedir muito se te pedisse para fazer um bolo de chocolate? Há muito tempo que não comemos bolo… – queixou-se.

- Não há problema, ajudas-me? – Pedi.

- Claro que sim, se me deixares, é a primeira vez que faço isto – disse totalmente feliz.

Passado um bocado Rydel estava sentada a comer um pouco de bolo enquanto eu lavava o que tínhamos sujado.

- Sara – chamou a pequena.

- Diz.

- Queria agradecer-te, por me defenderes à frente da Amanda, fiquei com medo da maneira como ela olhou para mim – explicou levando um pouco de bolo à boca.

- Porquê que ficaste com tanto medo por causa da maneira como a Amanda olhou para ti? – Perguntou alguém entrando na cozinha.

Congelei, aquela voz, conhecia-a e vi Ross parado ao pé da porta da cozinha.

- Anda, responde – disse levantando um pouco a voz.

- Não é preciso falar assim com ela – defendi-a.

- Tu não te metas, a conversa não é contigo – olhou para mim fulminando-me com o olhar, eu calei-me – Diz, responde, porquê que tens medo do olhar da Amanda? – Perguntou novamente.

- Por-porque…

A pequena não conseguia articular as palavras por causa da atitude do seu irmão.

- A Amanda queria bater-lhe à minha frente, se não o fez foi porque eu e o Riker estávamos lá – respondi já irritada com a atitude de Ross, Rydel já estava quase a chorar.

- Isso é verdade Delly? – Perguntou.

Olhei-o nos olhos, pude notar neles coragem, raiva e… Tristeza.

- Sim… E tenho provas – disse levantando-se da cadeira, tirou o casaco e mostrou-lhe umas nódoas negras que se notavam no seu braço, tinha-a apertado tão fortemente que lhe tinha deixado marcas na pele.

Ross só tocou um pouco no seu braço e olhou para a sua irmã, não disse mais nada e saiu como um raio da cozinha, eu sabia perfeitamente para onde se dirigia, fiquei com medo só de pensar.

- Rydel fica aqui, sim?

- Sim.

- Prometes? Não quero que saias daqui.

- Eu prometo.

Saí a correr atrás de Ross, ouvi-o a subir apressadamente as escadas e quando chegou lá em cima gritou o nome de Amanda. Vi Ross quase a derrubar a porta do quarto de Amanda e entrar.

- Quem é que achas que és para tratares assim a minha irmã? – Gritou-lhe.

- Do que é que estás a falar, Ross? – Disse fazendo-se de vítima.

- Não te faças de inocente Amanda, quem te deu o direito de tratar assim a minha irmã?

- Se a Rydel me respeitasse não havia problemas com ela – disse um pouco irritada.

- Mesmo assim não te dá o direito de a mal tratares dessa maneira, Amanda! – Criticou – Não quero que voltes a pôr-lhe um dedo em cima, ouviste? – Disse agarrando-lhe no braço firmemente.

- Ross – chamei – Não é preciso – olhei-o nos olhos – Tu não és assim.

Este ficou a olhar para mim durante uns segundos, talvez pensando no que eu lhe tinha dito e pela minha súbita ousadia de o ter tratado por “tu” pela primeira vez. Depois olhou para Amanda que tinha cara de “Ele vai matar-me, ajuda-me”, largou-a e saiu do quarto.

Olá! :) Esta semana vou a um acampamento e por isso não vou ter internet, mas felizmente para vocês eu tenho a melhor amiga do mundo e ela vai publicar os capítulos por mim. Obrigada Sarinha :3

Just a MaidHistórias para pegar e não largar. Descubra agora