Estava fechada no meu quarto a pensar e a descansar. Tudo se estava a passar tão rápido, nunca pensei apaixonar-me por Ross, era tudo tão confuso, tão irreal. Agora com tudo o que tínhamos vivido na cozinha ia ser difícil ocultar os meus sentimentos. Desde que cheguei para trabalhar nesta casa que a minha vida deu uma volta de trezentos e sessenta graus. Agora gostavam de mim… E Dallas era uma das pessoas incluídas naquela lista. Ele disse-me que gostava de mim e que me queria fazer feliz, teria aceitado se não sentisse o que sinto por Ross, sei que uma relação sem amor não é verdadeiramente uma relação.
E Ross fazia-me sentir tantas coisas, sensações inexplicáveis, fazia-me sentir como uma menina pequena com uma boneca nova. Como se estivesse a viver um conto de fadas, sei que é estranho mas é assim que me sinto.
Gostava que as coisas fossem muito mais fáceis, que Ross não fosse tão frio como era, esse era um dos seus defeitos, era tão frio e mudava de atitude tão depressa que me irritava.
Ross encostado na sua cama também estava a pensar, era tudo tão difícil para ele, estava a tentar viver novamente. Voltar a sentir e a amar mas, serei eu a pessoa indicada? E se acaba por sofrer apaixonando-se por mim? Já tinha sofrido o suficiente com a morte da sua namorada. Sabia que eu era diferente das outras raparigas, era uma pessoa doce, amistosa, uma pessoa com quem podia ter uma conversa, em quem podia confiar enormemente. Ele tinha-me julgado muito mal sem me conhecer, tinha-me humilhado muitas vezes, fez-me chorar mais do que uma vez… Foi um idiota. Mas arrependia-se de tudo o que tinha provocado, foi insensível comigo, mas queria remendar esses momentos. Queria que tudo mudasse a partir desse mesmo momento. E se acabasse apaixonado por mim? Tentava dar-se bem comigo e de não criar muitas ilusões para não se desiludir.
Um novo dia estava a começar e eu pouco a pouco ia acordando para um novo dia de trabalho e não me podia esquecer de que hoje era dia de terapia e que também tinha de levar Rydel. Espreguicei-me e vesti-me. Era um dia solarengo e por isso não fazia frio. Quando acabei de me vestir bateram à porta do quarto e abri-a, era Glória.
- Glória o que fazes aqui? – Perguntei.
- Sara vinha avisar-te que vou à farmácia. Cuida da casa por um bocado.
- Sim, obvio Glória – sorri – E para quê que vais à farmácia?
- O Ross acordou doente e tenho de ir comprar alguns medicamentos – informou.
- O Ross? – Perguntei – O que é que ele tem?
- Está com gripe e dói-lhe o corpo todo.
- Está bem Glória, então vai rápido.
- Sara, podes levar-lhe o pequeno-almoço? – Perguntou – Fui levar-lhe o pequeno-almoço, ele não quis mas precisa de comer.
- Não te preocupes Glória, eu vou lá levar-lhe e ele vai comer, nem que o obrigue.
Glória saiu de casa diretamente à farmácia enquanto eu a via pela janela a caminhar pelo jardim. Senti a necessidade de ir ver como é que ele estava, ele estava doente e precisava de alguém que cuidasse dele. Porque não podia ser eu a fazê-lo? Sorri e subi as escadas, bati suavemente na porta e entrei.
No instante em que entrei percebi o quão mal que estava, tiritava de frio e transpirava, gelado, tinha uma gripe bastante forte. Quando percebeu que eu estava ali acomodou-se e sentou-se na cama.
- A Glória disse-me que estavas doente – disse sentando-me numa ponta da cama.
- Sim – a sua voz estava rouca, obviamente lhe doía a garganta.
- Vou trazer-te o pequeno-almoço – levantei-me da cama.
- Não, não, não, Sara – negou – Não tenho fome.
- Mas devias comer algo, não podes estar o dia todo sem comer.
- Eu sei, só quero dormir o dia todo – tossiu e deitou-se deixando o seu corpo repousar.
- Ross estás todo suado e a cama está toda desordenada. Sai daí.
Este obedeceu sem negações, sentou-se no sofá do seu quarto enquanto via como eu fazia a cama, sentia-se muito mal, há muito tempo que não tinha uma gripe como esta.
- Já está – disse dando os últimos retoques na cama.
Aproximei-me de Ross, agarrei na sua t-shirt e levantei-a um pouco.
- O que estás a fazer? – Perguntou confuso.
- Vou tirar-te a t-shirt – disse num tom óbvio – Está suada e se ficas com ela podes ficar ainda mais doente.
Tirei-lhe a t-shirt, caminhei até ao seu armário e tirei uma t-shirt limpa, voltei ao pé dele e ajudei-o a vestir-se.
- Obrigado – disse ele.
- De nada – sorri – Agora deita-te de novo, vou trazer-te o pequeno-almoço.
- Sara…
- Sara, nada – interrompi-o – Tens que comer alguma coisa, ainda por cima estás doente.
- Tu já comeste? – Perguntou.
- Não, ainda não.
- Então tomo o pequeno-almoço com uma condição.
- Qual? – Perguntei.
- Que tragas o pequeno-almoço… Mas para os dois – pediu.
- Para os dois? – Perguntei estranhando a sua atitude. O que anda ele a tramar?
- Sim, para os dois, um para mim e outro para ti – sorriu – Só tomo o pequeno-almoço se comeres comigo aqui.
Eu sorri e assenti. Não era lindo? Com um sorriso no rosto saí do quarto para ir preparar o pequeno-almoço, seria um pequeno-almoço distinto… Muito distinto.
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Just a Maid
FanfictionSara é uma rapariga de 18 anos, humilde, de bom coração que decide trabalhar numa casa de ricos, a casa dos Lynch, uma família que se deixa levar pela arrogância, pelas aparências e pela ambição. Jamais pensou que trabalhar numa casa como esta seria...
