- Tu não devias estar aqui – disse ele – A ajudar-me… Não o mereço… Nunca te tratei bem.
- E não guardo rancor por isso Ross, ajudar-te é o que mais quero… Deixa-me fazê-lo.
- Não, Sara deixa-me – pediu.
- Não te vou deixar assim como estás.
- Porquê Sara? – Fez uma pausa – Porquê que te comportas assim comigo se eu te trato tão mal?
- Não sei… Só sinto que devo ajudar-te, cuidar de ti.
Não sei como o fez, não sei como chegou mas foi como um flash a chegar aos meus lábios. Beijava-me, estava a fazê-lo de novo. Pôs uma mão na minha cara, precisava dos meus beijos e das minhas caricias. Os seus lábios alcançavam a perfeição, éramos feitos um para o outro mas não queríamos admiti-lo, nenhum dos dois admitia, nenhum dos dois se atrevia e expressar os sentimentos. Os lábios dele eram doces, espantosos, suaves, perfeitos e viciantes como uma verdadeira droga. Separamo-nos por falta de ar mas não nos separamos completamente, Ross ainda estava à minha frente muito perto com os olhos fechados, tinha medo de abri-los.
- Sou um idiota, Sara.
- Cala-te – ordenei.
E voltei a beijá-lo, nem sei como tive coragem para o fazer mas fi-lo.
- Fica esta noite comigo – sussurrou entre beijos – Ou então deixa-me só adormecer e depois podes ir embora se quiseres mas não me deixes sozinho – pediu e deu-me um grande beijo.
Fiz o que ele me pediu, deitei-me ao seu lado, ainda tinha o vestido, Ross virou-se de costas para mim enquanto eu lhe fazia pequenas massagens e caricias na sua cara e no seu cabelo. Era tudo tão estranho, tudo estava a mudar tão rápido. Estaria a apaixonar-me por ele? Se a resposta era não, então porquê que sentia que precisava dele? De cuidar dele, de protegê-lo, apoiá-lo, dar-lhe amor. Éramos como fogo e água, Vénus e Marte, como duas estrelas muito diferentes mas mesmo assim sentia que… Gostava de Ross. Pode ser que ele não sinta o mesmo por mim porque ainda estava a viver das recordações da sua namorada falecida.
O que acontecerá se eu o ajudar a sair daquele “transe” e o ajudo a aprender a amar novamente? Bom e se não resulta… Ia-me embora e desaparecia para sempre da vida dele, despedia-me e acabava com tudo o que tinha a ver com ele. Ia fazer isto, ia ajudá-lo a esquecer-se da sua ex-namorada para que volte a sentir o que é o amor, o que é carinho, confiança e todos esses sentimentos.
Senti uma mão na minha cintura e uma respiração pausada no meu pescoço, onde estava? Pouco a pouco abri os olhos, lentamente, apercebi-me que me tinha deixado dormir na cama de Ross, ele estava a abraçar-me e aquela respiração era dele, senti-me nervosa, como é que fazia para sair dali sem o acordar? Ia-me sentir envergonhada se ele acordasse e me visse ali ainda. Olhei para ele, tinha o rosto totalmente relaxado, tinha os seus lábios entreabertos, engoli saliva bruscamente, tive uma súbita vontade de beijá-lo mas consegui controlar-me. Lenta e silenciosamente tirei o braço de Ross do meu estômago até que por fim consegui sair. Tinha gostado de ter ficado com ele, a cama estava cómoda e quente também. Saí do quarto deixando-o sozinho para me dirigir ao meu quarto.
Olhei-me ao espelho, estava a ver um zombie nele, tinha olheiras e estava toda despenteada. Não pensei duas vezes e meti-me na banheira, quase uma hora depois saí do banho e vesti-me, não estava calor, o céu estava nublado e talvez daqui a pouco comece a chover. Penteei-me, olhei para as minhas olheiras, tinha de fazer algo para as tapar, pus um pouco de maquilhagem, não estava habituada a pôr maquilhagem pois gostava mais de estar natural mas este era um caso de emergência. Quando já estava pronta saí do meu quarto e entrei na cozinha, ali estava Glória a falar amistosamente com Dallas.
- Finalmente acordaste, bela adormecida – disse Dallas dando-me um sonoro beijo na testa – Dormiste bem?
- Muito bem, Dallas.
Se dormi bem? Pois, não tinha passado frio. Sorri ao lembrar-me daquilo.
- Sara podes ir acordar o Ross? A sua mãe telefonou e quer que ele vá ao banco buscar dinheiro que ela lhes mandou.
- Ah… Está bem – sorri nervosa – E como está a senhora Lynch?
- Pelo que me disse o trabalho está a correr bem e não estão a planear voltar tão cedo… Mas vai já acordar o rapaz antes que fechem o banco.
Saí da cozinha, subi lentamente as escadas recordando tudo o que vivi ontem à noite, aqueles beijos tão suaves, sentir a sua respiração no meu pescoço, o seu perfume. Era a primeira vez que dormia com ele, bem, para dizer a verdade era a primeira vez que dormia com um homem e foi a coisa mais maravilhosa que podia ter experimentado, foi uma sensação inexplicável. Cem por cento dos meus pensamentos eram sobre ele e nada mais. Será que me apaixonei por ele? Ou só me sinto atraída? Umas perguntas sem resposta que eu mesma tenho de responder ouvindo o meu coração e a minha mente.
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Just a Maid
FanfictionSara é uma rapariga de 18 anos, humilde, de bom coração que decide trabalhar numa casa de ricos, a casa dos Lynch, uma família que se deixa levar pela arrogância, pelas aparências e pela ambição. Jamais pensou que trabalhar numa casa como esta seria...
