Capítulo 51 - "Quem é a Brook?"

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Às oito da noite tocaram à campainha, nem é preciso dizer quem era… Obviamente eram os donos da casa.

Glória ofereceu-se, amavelmente, para ir abrir a porta enquanto eu e Ross nos encontrávamos no quarto de Ross.

- Acho que os teus pais já chegaram – disse levantando-me da cama.

- Sim, assim parece – disse repetindo a mesmo ação.

- Bom, vamos descer – estava quase a abrir a porta.

- Espera – disse aproximando-se de mim, deu-me um beijo nos lábios – Agora sim, vamos – disse quando se separou de mim.

Só sorri e descemos. Poderia isto durar para sempre? Isso teríamos de ver.

- Ross, meu amor, como estás? – Perguntou a sua mãe quando o viu a descer as escadas.

- Bem – respondeu tentando não ser muito frio – Como estás tu?

- Muito bem – respondeu.

- E o pai?

- Está a ajudar a Brook com as suas malas.

- Quem é a Brook? – Perguntou confuso.

- Senhora Lynch, onde deixo as malas? – Perguntou uma rapariga de cabelos castanhos entrando em casa.

- A Brook é filha de um empresário amigo da família, filho, vai estar connosco por um tempo, quer conhecer a cidade e ter umas boas férias.

- Olá – saudou com um grande sorriso.

- Olá – cumprimentou friamente, o seu olhar dirigiu-se para mim que estava a observar aquela cena, ao cruzarmos o olhar baixei a cabeça.

- Sara, por favor leva as malas da Brook para o quarto desocupado que há – ordenou Stormie.

- Esta levo eu, não te preocupes – disse Brook referindo-se à mala.

Subi as escadas com as malas que pesavam toneladas, de certeza que tinham pedras dentro. Entrei no quarto novo da convidada e estive muito tempo a limpar e a arrumar tudo, a mudar os lençóis, as cortinas, a limpar a casa de banho, já estava esgotada. Enquanto limpava a família Lynch jantava. Eram dez horas, amanhã de manhã tinha de fazer as malas e ir para minha casa, sinceramente não tinha vontade nenhuma de ir mas não tinha outra opção, a casa não é minha e só estava lá porque os pais de Ross não estavam mas como agora chegaram já não era preciso dormir lá.

Desci as escadas já cansada, tinha arrumado e limpado o quarto todo. Encontrei-me com uma desagradável cena, a mãe de Ross a falar ao telemóvel afastada de todos enquanto Ross e Brook conversavam amavelmente de qualquer coisa. Não queria admiti-lo mas morria de ciúmes por dentro, por um momento senti-me miserável, como é que ela conseguiu ter uma conversa amigável com Ross num único dia? Levei meses para ter o que tinha com ele.

- Sara – chamou Rydel interrompendo os meus pensamentos, a pequena esfregava os olhos.

- O que se passa, linda?

- Tenho sono, levas-me até ao quarto para dormir por favor?

- Claro, vamos – dei-lhe a mão e levei-a ao seu quarto, onde Rydel vestiu o pijama e cobriu-se com os lençóis.

- Não gostei da Brook – disse Rydel.

- Porquê?

- Sinto que é igual à Amanda.

- Mas só a conheceste hoje, tens de a conhecer bem primeiro – aconselhei.

- Tens razão, mas está a roubar-te o Ross.

- Do que estás a falar, Rydel? – Ri nervosa.

- Sei como se olham, vocês gostam um do outro, para além disso no outro dia vi como o meu irmão dava um beijo aqui – apontou para os meus lábios – Sara – suspirou – Se gostas do meu irmão luta por ele… Ele sofreu muito, vi-o chorar muitas vezes, ele acha que ninguém o vê mas eu vi-o a chorar – contou.

- Não sei o que dizer.

- Não me digas nada Sara, promete-me só que se gostas do meu irmão vais lutar por ele.

- Eu não estou segura dos meus sentimentos Rydel… Mas quando tiver a certeza e se gostar do teu irmão – sorri – Então, prometo que vou fazer o possível e lutar por ele – tapei-a bem – Agora dorme que já é tarde.

- Está bem – deu-me um beijo – Boa noite.

Saí do quarto confusa e afundada nos meus pensamentos, ainda não conseguia acreditar que aquela pequena soubesse tanto da vida tendo tão poucos anos. Era surpreendente!

Desci as escadas de casa, quando olhei para a sala de jantar, Stormie estabelecia uma conversação com Brook enquanto o senhor Lynch falava amistosamente com Riker. E Ross? Não estava à mesa, nem lá em cima. Onde estará?

Caminhei até à cozinha, estava cansada e queria ir já deitar-me, tinha sido um dia muito duro. Com passos pesados entrei na cozinha, Glória já não estava e Dallas também não, entrei e encontrei-me com Ross.

- O que fazes aqui? – Perguntei.

- Nada. Só estava aborrecido – bocejou – Só estão a falar de negócios.

- Ok – suspirei e comecei a lavar os pratos sujos do jantar.

- Pareces cansada.

- Sim, estou – afirmei.

- Passa-se alguma coisa contigo? – Perguntou, obviamente estava a aperceber-se do meu tom de voz cortante.

- Não, porque perguntas?

- Não sei, estás fria ao falar.

- Não, não se passa nada comigo.

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