- Sara, o Ross fez o pequeno-almoço - disse Rydel alegre comendo pão com ovo.
- O que se passou Sara? - Perguntou Riker estranhando eu ter saído sem dizer nada - Passou-se alguma coisa?
- Desculpem não vos ter feito o pequeno-almoço, tive uma urgência de manhã. Precisam de mais alguma coisa? - Perguntei.
- Não obrigado - respondeu Ross.
- Está bem, vou avançar com o almoço - disse e fui para a cozinha.
- Viste aquilo? - Perguntou Riker a Ross.
- O quê? - Respondeu com indiferença.
- Os olhos dela, estavam como se tivesse chorado a manhã toda - explicou.
- Não sei - disse.
- Sabes Ross? Às vezes és tão irritante, tão frio, às vezes custa-me a aceitar que és meu irmão, somos tão diferentes, eu preocupo-me com os outros enquanto tu não, tens de superar isso Ross não podes viver das memórias da Ashley para sempre.
- Podes calar-te? - Gritou.
- Não! - Gritou também - Tens que perceber que a Ashley morreu Ross, ela já não está contigo, tens que superar isso, tens que sair. Não queres ser um velho solteiro a vida toda, pois não? Supera-o! - Disse Riker levantando-se da mesa e saindo da sala deixando Rydel e Ross sozinhos a tomar o pequeno-almoço.
Entrei na cozinha e pus o avental, sentia-me devastada, sabia que a minha irmã já estava bem mas não conseguia deixar de me sentir assim. Tirei umas cebolas de um cesto e comecei a picá-las.
- O que se passou? - Perguntou Riker entrando na cozinha.
Virei-me e olhei-o nos olhos, não articulei palavra, só me lancei aos braços do loirinho a chorar.
- O que se passou linda? - Perguntou abraçando-me e fazendo pequenas festinhas na minha nuca.
- Não me sinto bem Riker - disse desfazendo aquele abraço.
- Porquê? - Voltou a perguntar.
- Não gosto de falar dos meus problemas pessoais, só não me sinto bem - expliquei secando as lágrimas.
- Porquê que não me queres contar? Se calhar se me contares ficas mais aliviada - insistiu.
- Não Riker, quando me sentir preparada falo-te da minha vida fora desta casa, está bem? Tenho de cozinhar, podes deixar-me sozinha?
- Está bem mas se quiseres falar já sabes... - Deu-me um beijo na testa e depois saiu.
Já eram dez da noite e estava ao pé do lago verdoso, estava uma noite gelada, sentei-me naquele banco branco, perdi-me nos meus pensamentos, não percebia porque trabalhava nesta casa se podia optar por outra mas se o fizesse ia ter muitas saudades de Riker e de Rydel, mas estando aqui também me fazia sentir saudades da minha família. Espero que os três meses passem depressa para que possa estar com eles, para que possa disfrutar de um pequeno-almoço, almoço ou jantar familiar mas estava aqui a passar frio neste banco.
Os meus profundos pensamentos foram interrompidos por uma pessoa que se sentou ao meu lado, o meu olhar foi desviado para ver quem era, não conseguia acreditar na pessoa que estava ao pé de mim, sentada como se não se passasse nada, sem me insultar ou me esfregar na cara que era só uma empregada, o silêncio era profundo, nem eu nem Ross articulávamos uma palavra.
- O que fazes aqui? A noite está gelada - disse Ross por fim.
- O mesmo pergunto eu - disse e desviei o olhar para o lago.
- Às vezes saio de noite para pensar e hoje é uma dessas noites - informou.
- Eu só o faço quando... Quando... - fiz um silêncio - Deixa.
- Sabias que hoje de manhã tive de fazer o pequeno-almoço porque a empregada da casa não estava?
Senti um punhal no peito, nunca iria deixar de ser arrogante.
- Eu sei, desculpa - baixei a cabeça.
- Não tens nenhuma explicação para a tua ausência de manhã? - Perguntou.
- Problemas pessoais - respondi.
- Não me convence.
- O problema não é meu - disse já um pouco irritada.
- Claro que é, era teu dever fazer o pequeno-almoço e não o fizeste.
- Olha... - suspirei - A minha irmã ficou doente, só isso.
- E por isso chegaste com os olhos cheios de lágrimas?
Não sabia o que responder, não gostava de falar sobre o problema da minha irmã, não queria que as pessoas sentissem pena dela e da minha família, gostava de conservar os meus segredos mas ele estava a ser muito insistente, se não parasse não saberia o que fazer, não queria que ninguém soubesse do problema da minha irmã.
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Just a Maid
FanfictionSara é uma rapariga de 18 anos, humilde, de bom coração que decide trabalhar numa casa de ricos, a casa dos Lynch, uma família que se deixa levar pela arrogância, pelas aparências e pela ambição. Jamais pensou que trabalhar numa casa como esta seria...
