|11| Ocean | Bucky Barnes/ Soldado Invernal | Parte 1|

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Seu Nome

Abracei minhas pernas, sentindo o vento frio de dezembro chicotear minha pele, trazendo-me uma sensação de paz e serenidade.
Era mais um dia comum. Havia feito todos os meus exercícios matinais, depois iria trabalhar e por fim, iria a uma festa, coisa que eu não sou muito fã. Você pode até se perguntar o porquê de uma garota de vinte e quatro anos não gostar de sair com os amigos e ir às festas. Mas eu também posso te responder simplesmente que as minhas condições físicas não agradam a todo mundo.

Eu sou uma atleta, jogadora de vôlei profissional. Tenho tudo o que sempre quis. Uma profissão em que eu posso me sustentar sem depender de ninguém. Eu tinha apenas dezesseis anos quando me recrutaram para jogar no Sub-20. Com o tempo eu fui crescendo e me destacando cada vez mais, até então, ser convocada para jogar na seleção. Foi uma alegria tão grande quando eu vi meu nome na lista que eu não podia sequer me imaginar jogando ao lado de grandes craques.

Mas quando eu estava na auge da minha carreira, tudo o que eu mais temia aconteceu. Eu sofri uma lesão no joelho, que infelizmente me obrigou a parar de jogar. Todos lamentaram a minha “aposentadoria” repentina e com esse tempo, pude buscar um tratamento. Não foi tão fácil como eu imaginei que seria.

— Você está pronta? — perguntei para mim mesma, sentindo minhas costas doerem.

Levantei-me com cuidado e me apoiei no pedestal de madeira, olhando para as minhas pernas e vendo a enorme cicatriz que indicava as várias cirurgias em meu joelho esquerdo.
Apoiei o peso de meu corpo na perna boa e fui andando lentamente, sentindo muita dor na perna ruim. Eu não tinha tanta força nela assim, por isso era quase inútil para mim. Eu estava sem minhas muletas, havia deixado elas no carro. Queria poder enfim, tentar me locomover sem ajuda de um objeto, por mais simples que fosse.

Abri a porta do meu automóvel e me acomodei no banco do motorista, colocando as chaves na ignição e dando partida. Dirigi até minha casa e fui direto para o banheiro, tomando uma ducha quente.
Minha vida era tão comum que eu chegava a ficar com tédio de ver como ela era pacata. Depois que perdi minha essência, não pude me sentir mais viva. A única coisa que me mantinha bem era o vôlei e quando sofri o acidente, senti meu mundo desmoronar.

Porém, com a ajuda de algumas pessoas, inclusive da minha família, eu me recuperei e estou tentando levar uma vida normal, sem o esporte para me acompanhar diariamente.

Coloquei uma calça jeans flare, uma blusa de manga comprida de linho branca, completei com um cachecol de lã e um sobretudo roxo, assim como uma sapatilha da cor nude.
Busquei minha muletas ao lado da minha cama e fui caminhando até minha garagem, entrando novamente no meu carro e indo para o meu trabalho.

Eu prestava serviços para uma rede de televisão como comentarista de jogos. Pelo menos seria uma maneira de ainda ter o vôlei na minha vida, mesmo não podendo jogar. Assim que cheguei, fui puxada para um lado, entrando em uma reunião emergencial com os produtores do programa. Soube naquele momento que o dia seria muito longo.

***

Deixei as chaves em cima da mesinha de centro e sentei no sofá, pensando seriamente em desistir de ir a festa. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para minha irmã cancelando nosso compromisso, dizendo que estava muito cansada e com a perna doendo muito.
Ela disse que não havia problema,pois iria mesmo assim com a Maria, minha prima.

Tomei outro banho, colocando meu pijama e indo para a minha cama, pegando no sono rapidamente.

***

Acordei no meio da noite com um barulho de coisas caindo ao chão. Olhei no relógio, que marcava três e quarenta e cinco da manhã. Fiquei quieta na minha cama, pensando que poderia ser coisa da minha cabeça, mas constatei que não era, pois novamente ouvi barulhos. Levantei devagar e respirei fundo, pegando minhas pernas de ferro e caminhando na direção da cozinha.

Sei que parece estranho eu ir atrás do barulho, invclusive porque nos filmes de terror, as pessoas que fazem isso são muito burras, porém eu estava encanada demais por saber quem é que estava atrapalhando meu sono sagrado.

Eu tinha uma perna e meia, duas muletas de ferro e talvez uma frigideira. Eu conseguiria deter um bandido se fosse o caso.

— Quem está aí? — perguntei um pouco receosa, com medo de ser algo assustador demais é difícil de ser apanhado.

Dessa vez, a ponta de uma faca tocou o chão e meu coração acelerou. Ouvi um gemido abafado, seguidos de passos e um barulho estrondoso.
Acendi a luz da cozinha e apontei minha muleta em qualquer direção, me deparando com um rapaz caído no chão.
Eu o analisei de longe. Suas mãos cobriam uma espécie de ferimento em seu abdômen, seus fios pretos caiam pelo seu rosto, tapando-o. Mas o que mais me chamou a atenção foi que um de seus braços não era comum, era metálico.

— Ai meu Deus! — exclamei, deixando meus acessórios de lado e me abaixando com dificuldade ao seu lado.

Ele ergueu sua cabeça em minha direção e par de olhos azul cobalto me encararam, tirando-me a concentração do que eu poderia fazer para ajuda-lo.

— Apague as luzes. — ele disse, fechando os olhos — Eles estão de olho.

— Eles quem? — perguntei, sentindo minhas batidas cardíacas falharem.

O homem desconhecido não disse mais nada, apenas perdeu a consciência. Eu fiz o que ele me pediu, apaguei todas as luzes e deixei apenas uma lanterna de apoio na cozinha. Não conseguia leva-lo para outro lugar por causa das minhas condições físicas, então teria que dar um jeito nesses ferimentos aqui mesmo.

Peguei um pano de prato, o enrolei e o coloquei na boca do homem. Vi que seu ferimento estava sangrando muito, então constatei que pudesse estar com alguma hemorragia.

Peguei uma faca e a levei na boca do cooktop e a esquentei, levando na direção dele. Assim que encostei o objeto em sua pele, ele abriu os olhos e soltou um grito, que foi abafado pelo tecido em sua boca. Vi a dor percorrer os seus olhos e uma sensação horrível passou por mim. Não gosto de fazer as pessoas sofrerem, mas isso era para o próprio bem dele.

Assim que a dor foi passando, ele mesmo tirou o objeto de sua boca e deixou que ela pendesse para o lado, respirando o mais lentamente possível, por causa da dificuldade.

— Você precisa de algum remédio? — pergutei, pois estava indecisa sobre o que fazer agora.

— Só preciso descansar. — tentou se levantar e foi se arrastando até o meu sofá, deitando no mesmo.

Não demorou muito para que ele apagasse de novo. Peguei minhas muletas e fui até a poltrona ao seu lado, sentando na mesma e o observando.

Quem será que este homem era? E o porque ele veio justamente parar em minha casa? O que será que aconteceu com ele?

Terei de esperar ele acordar para ter todas as respostas das minhas perguntas.

Imagines Heróis Vol.2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora