Para superar seus medos, Malu escolheu a saída mais viável: reprimi-los.
Saciava seus desejos íntimos, fantasiando com personagens de romances eróticos, sem as complicações de um relacionamento, até desafiar-se a sair de sua zona de conforto, com u...
"E, como se minha mente fosse realmente algo complicado demais para ser entendido, eu ainda conseguia me questionar sobre a razão para tudo aquilo."
(O Professor II - As aulas continuam! - Tatiana Amaral - Alex e Charlotte)
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Tomei algumas decisões importantes, eu não podia forçar a barra com Marcos para que me perdoasse, isso tinha que acontecer naturalmente. Mas no fundo, no fundo, eu também estava magoada por ele não confiar em mim. Compreendo suas razões, mas confiança tem que ser uma via de mão dupla.
Não trocamos mais mensagens, apesar de ter digitado umas mil vezes, e apagado sem enviar; sua foto desapareceu alguns dias depois, o que significava que eu estava bloqueada.
No trabalho, deixou de limpar as salas de aula. Eram raras as vezes que o encontrava e sempre de longe, algumas com Gustavo, que parecia segui-lo como um escoteiro. Não tive coragem de perguntar à Dona Nena, se foi ela ou ele quem pediu essa troca e também não sei se queria saber. Como dizem: "aceita que dói menos". Fazia tanto esforço em me evitar e não seria eu que provocaria um encontro desnecessário, só para ser desprezada novamente.
Milena pediu desculpas pelo comportamento do irmão. Sem entrar em detalhes, disse que se sentia culpada por ele agir assim, já que foi ela quem impôs essa condição. Até quis perguntar algumas coisas, mas não sei o que sabe sobre nós, e como faria isso sem demonstrar meu real interesse?
Duro, foi ver Paty e Marcos conversarem animadamente. Quero dizer, ela foi perdoada e eu, que me foda? Não acho que mereci isso, mas vida que segue. Xinguei-me milhares de vezes por me envolver com um colega de trabalho, devia ter seguido à risca meu próprio mandamento, "onde se ganha o pão não se come a carne". Bem feito! Quem mandou ser idiota.
A merda toda foi que quanto mais tentava esquecê-lo, mais o desejava. Guardei em uma caixa o meu "Sublime" particular só para não cair em tentação de usá-lo. Mas quem disse que conseguia pensar em outra coisa, quando me distraía com meus "personagens de livro"?
Engraçado, foi constatar que o imbecil do Roberto não me afetava mais. Simplesmente deixei de ser educada e passei a ignorá-lo; até aquela tarde, quando resolveu falar comigo. Entrou animado na sala, com três professores, falando de futebol. Enquanto guardava minhas coisas no armário, meu celular vibrou insistentemente.
Gabi enlouquecida, confirmou que eu seria madrinha da pequena Olívia. Meu queixo caiu, foi coincidência, ou aquela história de garfo e colher era verdade mesmo? Prometi que o seu chá de bebê seria o mais lindo de todos. Quando terminei a ligação, apenas Roberto e eu estávamos na sala. Antes de conseguir chegar à minha bolsa, ele segurou meu braço.
— Você pode fazer o favor de largar? – lancei-lhe um olhar altivo.
— Calma – soltou prontamente – Só quero conversar com você.