A árvore

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Legolas olhou novamente para seu pai enquanto faziam o desjejum pela manhã, o rei parecia um tanto perdido, olhar distante e quase não prestava atenção em suas palavras.

- Ada, aconteceu algo?

- Não – respondeu o rei secamente, mas voltou a fixar-se em um ponto da sala e ficar completamente solto no ar, viajando em sua mente sobre algo.

Legolas nem precisava dessa expressão vazia de seu pai para dizer que algo estava errado, a mentira deslavada esculpida nas três letras era o suficiente para deixar o príncipe inquieto.

- Naila partiu ontem pela madrugada, onde ela foi? Por que tão tarde? Não sabe que é perigoso atravessar a floresta a essa hora – o príncipe resmungou enquanto pensava em sua amiga sozinha.

- O pai veio busca-la.

- Thorin?

- Sim, Thorin – disse o rei – provavelmente por causa de Agalardiel, veio a noite para não nos encarar.

- Ainda assim é estranho.

- Não é nosso problema.

- Não é o seu – ele rebateu – ela é minha amiga, e mesmo que não tivesse nenhum tipo de relação comigo me preocuparia.

- Pare de falar nela – o rei rosnou – não desejo ouvir o nome dela dentro dessa casa, e não desejo voltar a vê-la nunca mais, entendeu? Se sente saudade ou se quer conversar com ela, leve-a a Ithilien, ou vai vê-la em Erebor, nunca aqui entendeu?

Legolas entreabriu os lábios, seus olhos azuis tornaram-se arregalados por alguns instantes, seu pai tinha uma expressão horrível, e havia um pouco de ódio e desespero refletido em seus olhos.

- O que aconteceu?

- Isso é uma ordem Legolas, não quero que Naila volte a pisar em meu palácio – o rei rosnou apertando o talher com força.

- Desculpe Aran nîn – disse Taelin entrando na sala, ele pareceu um pouco incerto se deveria continuar ou não.

- Diga logo! – Thranduil rosnou e o conselheiro pareceu um tanto mortificado, mas rapidamente se recuperou.

- Princesa Naila precisou sair, pediu licença de duas semanas, logo estará de volta.

- Não, não voltará.

- Majestade, ela me disse que sim – o conselheiro respondeu – me assegurou que voltaria, não quis fechar o contrato.

- Maldita seja! – rosnou o rei – feche este contrato! Não quero essa bruxa em meu palácio!

Legolas olhou boquiaberto para explosão de fúria de seu pai, e tanto ele quanto Taelin ficaram surpresos, porque isso era uma fúria genuína acompanhada de uma linha grossa de desespero, o que estava acontecendo afinal? Não poderia imaginar que sua amiga fizesse ou dissesse algo que colocaria seu pai, o rei Thranduil em uma posição extremamente indefesa, seu pai fez algo muito mau? Algo que Naila pudesse extorqui-lo?

- Ada?

Thranduil exalou bruscamente enquanto levantava-se, sem ao menos dizer uma palavra sumiu entre os corredores.

- Bem, o que em nome de Eru está acontecendo? – questionou Taelin que realmente estava confuso com tudo.

- Não faço ideia – o príncipe respondeu olhando para a porta em que seu pai tinha acabado de sair.

**

Legolas ainda tinha aquele momento da manhã em sua mente, seu pai estava transtornado, o que poderia ter acontecido na noite passada? As coisas pareciam piorar em vez de tudo ficar em paz como o esperado, o príncipe terminou de encaixar sua armadura enquanto um dos servos o ajudavam a fixa-la em seu corpo e prende-la corretamente, teria que sair com a patrulha, mas não estava seguro com isso, seu pai parecia estar com problemas.

A eternidade e a MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora