Os dias se passaram rapidamente, Thranduil procurava evitar a presença de Naila depois daquela noite, não queria dar a chance de seu corpo se alegrar-se com os sorrisos dela, nem que ela debochasse dele, pois tinha uma ligeira impressão de que ela fazia, maldita bruxa meio sangue. O rei chamou Legolas para o jantar, mas o príncipe se encontrava ocupado novamente, e infelizmente a princesa desceu, vestindo uma túnica azul marinho, calças pretas e botas da mesma cor, não usava joias nem penteados significantes além da mesma trança de sempre.
- Boa noite majestade – ela disse assim que se acomodou em uma cadeira, estava sentada razoavelmente longe.
- Boa noite – ele respirou e tentou se concentrar no jantar, sentia-se um pouco envergonhado por olha-la de forma tão intima, por vê-la como uma mulher.
O jantar se seguiu silencioso e o rei se concentrou em seu prato, não desviando o olhar nem por um segundo, mas o aroma dos cabelos de Naila parecia enredar seus extintos, um doce aroma que parecia salpicar todo o interior da sala de jantar, assim que respirava o ar se via cheio dela e sua pele se arrepiava com o pensamento, maldita bruxa meio sangue.
- Eu não sou uma bruxa.
Ele levantou os olhos para ela observando enquanto seus lábios cobriam o talher feito de ossos, outra onda de energia se formou em seu peito fazendo-o levar a mão aos próprios lábios.
- O senhor me chamou de "bruxa meio sangue" – ela disse – a alguns dias atrás, na minha primeira visita, quando voltei, e agora mesmo, a dois segundos atrás.
O rei ainda mantinha os dedos sobre os lábios enquanto seus pensamentos corriam, não deveria ofende-la, e aquele sorriso no rosto dela denunciava que ela sabia o que estava pensando.
- Há muitos rumores assim em Erebor, mas eu não lido com magia de qualquer tipo, nunca procurei me relacionar com elas, acho que são dons dados, não deveremos deseja-los – ela sorriu – eu somente tenho a sua energia dentro do meu corpo.
A frase lançou uma onda de calor direto por seu corpo, e Thranduil teve que abaixar as mãos agarrar firmemente seus talheres, ele descansou as costas contra a cadeira e pela primeira vez desde de que nasceu odiou ter olhos azuis, odiou que fossem tão claros, pois ela poderia notar a dilatação repentina de suas pupilas, suspirando ele abriu um pouco mais as pernas para obter mais espaço para sua ereção pressionada contra os tecidos caros de suas calças.
- Minha energia? – ele questionou, ganhando um suave som de aprovação quando notou que sua voz estava inalterada.
- Sim, durante a gestação, um pouco de sua energia existente no corpo de minha mãe passou para mim – ela explicou – nós não temos certeza, mas acreditamos porque tenho uma facilidade descomunal com animais.
Thranduil soltou o ar que estava segurando e sorriu, voltando sua atenção para o prato, implorando aos Valar que Naila fosse dormir para que ele pudesse se levantar, porque caso contrário teria que ficar sentado a noite toda.
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- Algo incomoda aran nîn? – questionou Taelin sentado ao lado dele na grande mesa da sala do conselho real, a pequena e cansativa reunião havia durado pouco, não havia muitas coisas urgentes a se resolver e os nobres ainda eram muitos orgulhosos para ceder a ideia de outros.
- Não, nada – ele respondeu com os olhos grudados no pergaminho esparramado sobre a mesa de madeira vermelha, bem polida e envernizada.
- Como seu amigo, digo que me preocupo, está tão tenso que posso sentir daqui, e isso me incomoda muito – disse o conselheiro, o rei voltou seus olhos azuis para ele, mas o elfo estava focado em seu pergaminho.
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A eternidade e a Morte
FanfictionDepois da Guerra pelo Anel, Thranduil receberá em seu palácio hospedes ilustres amigos de seu filho, e um deles irá revirar seu mundo e o deixar completamente confuso, a mortalidade pode completar a eternidade? Uma continuação da minha fanfic já po...
