Caminhos sinuosos

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Agalardiel estava desenfeixando seu braço quando Naila entrou na sala de cura, na noite passada a menina estava inconsciente, na manhã seguinte parecia que nada havia acontecido, estava bem, apesar de marcada pela queda, e tinha um sorriso no rosto, apesar de saber que iria morrer, ou pelo menos ele julgou que ela soubesse.

- Então mestiça o que faz aqui? – ele questionou enquanto tirava o tecido branco manchado de sangue.

- Queria ver como estava, e pedir desculpas.

- Vá ver seus amigos – ele expirou – eles precisam de você, e de suas desculpas.

- Para de ser azedo Agalardiel, eu sei que você é uma flor delicada que está apenas está desabrochando – ela zombou – e eu já conversei com Taelin e Saer.

- Então eu sou o ultimo de sua lista – ele provocou enquanto examinava sua ferida que ainda sangrava um pouco.

- Pode ter certeza que jamais será o primeiro.

Ele elevou os olhos cinzentos para a princesa, sorriu de forma sombria, ela estava afiada hoje, o que era engraçado julgando como estava o humor do restante dos elfos.

- Como você está? – ela questionou e inclinou-se para a ferida dele.

- Não lhe diz respeito.

Quando terminou de falar Lainel entrou em sua sala, havia algumas coisas em suas mãos que ele conhecia muito bem.

- Vá embora, Taelin deve querer ser bajulado – ele ladrou para a princesa.

A garota lhe mostrou um elegante dedo médio com unhas bem-feitas com unhas em forma de uma lua minguante. Ele sorriu e a observou sair.

- Bem – disse Lainel, molhando um pano com o liquido que tinha no frasco – isso pode doer um pouco.

Agalardiel mordeu os lábios quando estendeu o braço para o curandeiro, quando sua ferida costurada foi umidificada por aquele liquido uma dor aguda o fez gemer como uma criança, ou um animal, os olhos castanhos claros de Lainel se focaram em seu rosto, tentando entender o som que tinha saído de sua boca.

- É muito grave? Essa merda não quer parar de sangrar.

O elfo suspirou, como todos os elfos o curandeiro era educado e odiava as palavras chulas, o que fazia com que o conselheiro as usasse o tempo todo.

- Não, mas deve se cuidar – o curandeiro expirou – o senhor não pode fazer esforço com esse braço.

O curandeiro passou a língua contra os lábios rapidamente enquanto seus olhos estavam fixos em seu trabalho, e Agalardiel observou os movimentos de sua língua, aquilo o fez pensar em Taelin, talvez pudesse incomoda-lo mais tarde.

- Posso brigar com ele assim?

- Como? – o curandeiro questionou meio perdido.

- Posso entrar em uma briga com ele assim? Meu braço? – ele observou como o curandeiro o analisou por alguns segundos, seus olhos castanhos mel pareciam considerá-lo.

- Se conseguir lutar com um braço apenas, e evitar que esse seja atingido – ele sussurrou – mas garanto que Talein saberá que não pode tocar em seu braço.

Agalardiel sentiu seu peito inflar-se em um desejo de socar o curandeiro, então o agarrou pelo braço e o forçou para próximo de seu corpo e agarrou sua garganta, dando um aperto forte sobre a pele macia.

- Seu paspalho! Quem pensa que é para dizer tal coisa?!

- Senhor conselheiro, não estou insinuando nada e te peço que não pense tão pouco de mim, sou amigo de Taelin, e todos sabem que o senhor o odeia, a quem mais esse sorriso ordinário seria dirigido? – ele disse firmemente e esperou que o conselheiro largasse seu pescoço.

A eternidade e a MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora