Estrelas e folhas part. II.

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Naila olhou para seu próprio reflexo no espelho, Taelin pediu para ela ir conhecer a arvore portal do mundo das fadas. A princesa não estava muito segura sobre isso, mas precisava estar mais a par de tudo que estava acontecendo sobre isso, afinal de um jeito ou de outro isso iria respingar seriamente nela mesma. Estava vestindo sua armadura, com o símbolo de Erebor, sua espada estava ao lado de sua cintura, e sua adaga muito bem escondida, a serva lhe ajudou a prender a capa azul em seus ombros, o azul profundo era da mesma cor dos olhos de Frodo e a fez sentir-se saudosa do pequeno Hobbit, ela o conhecia bem antes de se encontrarem em Rivendell, ela teve o prazer de conhecer Bilbo e consequentemente seu sobrinho.

Seus cabelos estavam presos em três tranças próximas a raiz, que formavam quase uma coroa em sua cabeça, deixando seu couro cabeludo a mostra e prendendo todo o cabelo da frente de seu rosto, enquanto era amarrado no topo de sua cabeça.

- Senhora Naila? – questionou Saer colocando seu belo rosto para dentro dos aposentos.

- Entre Saer – ela suspirou – nada de senhora por favor.

- Me desculpe.

A fada usava um penteado semelhante ao seu, e uma armadura élfica que moldava gentilmente sua silhueta, as camadas parecia o tronco de uma arvore, e a armadura se transformava em folha de bronze em seus braços. Ela parecia um anjo, mesmo vestida para matar. Naila sentia-se um pouco estranha perto da moça, a fada era muito alta, tão alta quanto um elfo masculino, tinha pernas longas e bonitas, o olhar gentil, lábios sensíveis, e voz doce, e tudo isso combinado com a insistência da loira em lhe chamar de "senhora" a deixava em uma situação engraçada, e incomoda.

Quando soube que Naila iria com Taelin até Wanheda, a fada desejou acompanhar a princesa, ela era uma guerreira também, sabia como lidar com uma espada, lutou ao lado de Heda, não conseguiu defender a comandante, mas poderia se redimir tentando proteger a anã a sua frente. Ela olhou para a princesa meio-sangue, tinha os traços da comandante, era idêntica, apesar de menor, e agora vestida para guerra se parecia ainda mais, deveria ter trazido as folhas de prata que Heda usava sobre a cabeça para coroar suas tranças.

- Quero saber como Heda morreu.

A pergunta da princesa fez Saer engolir em seco, ela passou a mão em suas próprias tranças, e umedeceu os lábios.

- A senhora foi traída.

A princesa mostrou os dentes e soltou um som estridente que poderia ser comparado com silvo, a cena fez a fada dar um passo para trás, Heda não era uma simples comandante, e não tolerava erros.

- Eu não, ela, eu não fui traída – a princesa rezingou, seu semblante carregado, seu humor atingiu as narinas da fada rapidamente, algo misturado com ódio, remorso, raiva, a mistura proporcionava um aroma cítrico.

- Desculpe, senhora – ela disse rapidamente e observou a princesa descruzar os braços e gesticular com as mãos.

- Não sou, "sua senhora" – ela suspirou – apenas Naila, e me desculpe por isso.

A fada observou o anel no dedo mindinho da mulher anã, era grosso feito de pura prata, com uma majestosa Turmalina azul.

- Foi traída por quem?

- Trikova – ela disse – ela se apoderou do trono de Blodreina e a matou perante todos, um golpe no peito com uma adaga banhada a ouro. Todos estávamos cansados do reinado da rainha de sangue, pois ela se recusava a ceder seus machos para a procriação.

- Mahal! – ela suspirou e esfregou seu peito, bem acima de seu coração – como assim ceder seus machos?

- São poucos os machos de nossa espécie, e Blodreina tem direito sobre eles, para procriar, e fazer outras coisas – ela explicou – lá nós fêmeas dominamos, e fazemos tudo que aqui seriam feitos por homens, e nossos machos que são trancados e tratados como joias puras.

A eternidade e a MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora