22 DE JULHO DE 2017 - I

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Um movimento estranho me fez acordar antes da hora. Virei-me sobre a cama em direção ao som, para o lado do quarto onde ficava um grande espelho, e encontrei Priscila, que terminava de prender o cabelo em rabo de cavalo. Ela vestia uma calça legging preta e blusa branca com diversos furinhos, mas não grandes o suficiente para permitir a visão da sua pele. Olhei mais para baixo e pude ver seu tênis com cores misturadas entre rosa e roxo.

— Cada dia é uma nova surpresa com você — falei assim que ela percebeu que eu estava acordado.

— Bom dia, Henrique. Vou para a academia e volto em uma hora e meia mais ou menos. Se quiser pode atacar a geladeira novamente — frisou bastante a última palavra.

— Bom dia, doutora. Quero um dia ter toda essa motivação matinal.

— Acho que agora já pode parar de me chamar de doutora o tempo todo.

— Tudo bem, doutora.

Ela riu e pegou uma chave de carro que estava sobre a cômoda.

— Por que não foi de carro para o bar ontem? — perguntei.

— Não dirijo depois de beber. Tchau, Henrique.

Priscila fechou a porta do quarto atrás de si, e depois de alguns segundos ouvi outro bater de portas. A sensação de sono ainda estava forte, e o ar condicionado era perfeito para aquele dia ensolarado, coisa que normalmente não posso usufruir no meu apartamento que só conta com um pequeno ventilador de mesa. Tudo somado me levava a um único desfecho, que foi virar para o lado e pegar no sono novamente para descansar o resto da cota que ficou faltando. A consciência pesou um pouco devido ao excesso de abuso da hospitalidade alheia, mas a preguiça prevaleceu.

E se for tudo um sonho?Onde histórias criam vida. Descubra agora