CAPÍTULO 17

265 31 3
                                        

de baixo das costas dela. Ele segurou-a pelas nádegas e a ergueu. Uma trilha de beijos o levou até a curva do pescoço dela. Ela arqueou as costas.
Algo vibrou contra as coxas dela. Depois houve um toque.
O mundo real voltara.
Julian a colocou gentilmente no chão. Mas roubou um último beijo antes de soltá-la. Ele então se afastou e tirou o celular do bolso da calça.
Ela passou as mãos úmidas de suor na calça e afastou-se.

Ela limpou a garganta.

- Eu vou ver Sammy.

Ele assentiu e cruzou as mãos atrás das costas, em um gesto formal. - Suponho que também vamos manter isso em sigilo?

- Seria o melhor - concordou ela, sabendo que seria ainda mais difícil esquecer este último lapso.

-Não concorda?
Ele hesitou, e então balançou a cabeça.

- Não estou em posição de discordar.
O que aquilo queria dizer?

Katrina parou. Estar nos braços dela significara mais do que uma
escapulida sensual?
Porém, o momento já havia se perdido.

- Você está certa. É melhor contarmos para Sammy quando chegarmos em casa.
Com isso, ele voltou-se para a janela e atendeu o celular.

OS DOIS dias seguintes foram os piores da vida de Julian. Esperar pelo corpo do irmão e da cunhada
acabou com sua paciência.
Seu telefone não parou um instante. Ele conseguiu fazer muitas coisas, mas não se lembrava de quase
nada. Com a melhora do clima, o assistente dele conseguiu um voo e juntou-se a eles, o que ajudou
tremendamente.

Para evitar que Samson fosse afetado pelo estresse, ele proibiu qualquer pessoa de falar da morte do irmão. Manteve todas as conversas privadas entre ele e seu assistente, longe do menino.

- Meu senhor. - O cabineiro surgiu próximo à mesa de jantar. - O senhor pediu para ser avisado
quando estivéssemos a uma hora do túnel de Kardana.
Era a primeira vez que Julian completava a viagem de trem pela ferrovia de 37 quilômetros e o túnel que levavam à ilha de Kardana, desde o passeio de inauguração.

- Obrigado. Por favor, avise a srta. Vicente.

- Como o senhor desejar. - O cabineiro curvou-se e saiu.

Julian olhou para Carl Brams, e encontrou os olhos castanhos do assistente entre os aros escuros dos óculos dele. Impecável em um terno cinza, Carl não esperou por instruções, e logo pegou o celular sobre a mesa.

- A segurança já está a postos na estação, mas vou alertá-la da nossa chegada eminente e pedir para que eles avisem Vossa Majestade. Também vou confirmar os detalhes do transporte dos corpos.

- Ressalte que Sammy não sabe de nada. Meu pai vai querer vê-lo. Não quero nenhum deslize. Isso é muito importante.

Quando seu assistente foi para a área de lounge fazer as ligações, ele inclinou-se na poltrona,
afastando-se das últimas alterações propostas para a iniciativa que queria inserir uma força armada na Europol, a agência policial europeia, que, por hora, era apenas investigativa. O voto precederia o Simpósio Internacional de Paz, que aconteceria em menos de um mês. Julian agora percebia o quanto perdera nos últimos dias, enquanto sua mente estava focada nos assuntos familiares.
Ele propositadamente usou o fato de Katrina ser babá de Sammy em sua constante batalha para evitá-la.

A natureza generosa e quieta dela o atraía tanto quanto as flores das macieiras às abelhas.
Ele esperava vê-la pouco uma vez que chegassem ao palácio. Isso diminuiria a tentação - algo que
ambos necessitavam - mas ele sentiria falta das conversas.
E do contorno dos seios dela naquelas camisas de botão.
Além da visão do derrière dela ao se abaixar para cuidar de Samson.
Só Deus sabia como o gosto dela já o assombrava, e seus braços pareciam vazios sem ela. Como podia ser, conhecendo-a há tão pouco tempo? Ele só podia esperar que o reverso acontecesse também, e que
brevemente, quando não a visse mais, conseguisse esquecer Katrina.
O plano apresentava algumas falhas, pois Julian pretendia aprofundar seu relacionamento com o sobrinho. Samson ia precisar de carinho e atenção redobrados depois de descobrir que os pais haviam falecido. Para tal, Julian relutantemente fez uma anotação para lembrar-se de procurar uma substituta
para a babá de Samson o quanto antes.

Carl voltou para a mesa, e então o tempo passou rápido. Logo Julian estava deixando o luxuoso
vagão de trem, escoltando Samson e a babá em meio a uma tempestade de flashes e perguntas gritadas.
A imprensa abarrotava as barricadas de segurança, agressiva em sua sede por respostas.

Como combinado, Julian parou para atender alguns membros da mídia, depois de ordenar que Carl continuasse até a limusine estacionada com os outros dois.

- Kardana chora hoje a imensa perda de Donal e Helene Ettenburl, príncipe e princesa de Kardana.
Meu irmão estava viajando para Pasadônia, para comparecer a um fórum mundial sobre a fome. Depois do fórum, ele e Helene decidiram ir esquiar nos Alpes franceses. A tempestade que pegou boa parte da
Europa de surpresa derrubou o avião em que eles se encontravam no sopé das montanhas. Não houve
sobreviventes. O príncipe Samson Alexander encontrava-se em segurança, aos cuidados do príncipe e da princesa de Pasadônia, e retorna hoje comigo. Um pronunciamento sobre os detalhes dos funerais
será feito em breve. A família real agradece as condolências de todos e pede à população que respeite a nossa privacidade enquanto choramos a perda de meu irmão e de minha cunhada.

Ao fim da declaração, Julian afastou-se do microfone. À sua saída, seguiu-se uma avalanche de perguntas, que ele deixou para o secretário de imprensa. Dentro de minutos ele estava sentado ao lado de Katrina. Samson havia sido posto em uma cadeirinha, diante deles, ao lado de Carl.
O perfume da florada de macieiras chegou até ele quando Katrina moveu-se, dando mais espaço para Julian. Ele levantou a mão para mantê-la ao seu lado, mas no último instante abaixou-a. Ele não
podia mais se dar ao luxo do conforto suave dela.

- Olha, tio Julian - Samson apontou para fora da janela. - É a minha casa. Mamãe e papai estão em casa?

Julian e Katrina se entreolharam. A tristeza dele também se encontrava nos olhos violeta dela. Ele balançou a cabeça.

- Mamãe e papai ainda não estão em casa. Mas você vai ver seu avô.

- A rainha-mãe, Giselle, também se encontra na residência real - informou Carl.

A Arte Da Paixão (Arlequin ) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora