CAPÍTULO 24

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KATRINA FICOU atônita.
– Como?
– Esse é um castelo do século XVI. Há muitas passagens secretas.
– Então você acha que pode invadir minha privacidade? – Ela passou por ele. – Por favor, vá embora.

– Não. Sinto muito, mas não tive a intenção de te causar dor.

– Como você acha que isso não ia me ferir? – Ela afastou-se dele, necessitando e muito da
distância.– Foi a época mais devastadora da minha vida. Uma época estúpida e vergonhosa.

– Katrina. – Ele parou, com uma expressão ansiosa. – O que houve?

– Você sabe. – Ela envolveu a cintura com os braços para aliviar a dor, para cessar os tremores.
Incapaz de encará-lo, ela olhou para cima. – Ele já contou. Vá embora. Sinto muito por sua perda, mas não quero mais seus beijos. Apesar do que você está pensando, não sou uma mulher fácil. Não serei usada desta forma de novo.

– Eu nunca pensei isso. – Ele soava surpreso. – Como você pôde acreditar em uma coisa dessas?

Maldito. Ele estava parado diante dela, perto demais, real demais, preocupado demais.
– Você é a mulher mais doce e generosa que já conheci. E inteligente e intuitiva, também. Além de ser muito sexy, motivo pelo qual eu gosto de beijá-la. – Ele segurou o rosto dela entre as mãos e descansou a testa sobre a dela. – Jean Claude me contou que houve um incidente em seu passado que resultou em algumas fotos comprometedoras. Ele me garantiu que todas as evidências foram destruídas,
mas que você ainda teme que elas possam reaparecer e causar embaraço. Agora, conte-me o resto.

– Isso não é suficiente? – Ela tentou se afastar, mas ele não deixou. Com um suspiro, ela desistiu de lutar.

O calor e força dele eram tentadores demais.

– É melhor que eu parta antes que a vergonha caia sobre a Casa de Kardana.

– Você não vai a lugar algum. – A boca dele acariciou o pescoço dela. Ao pé do ouvido, ele
sussurrou: – Conte-me.

– Eu era jovem, estúpida, ingênua. Eu conheci um homem no meu primeiro ano de faculdade. Ele era tão sexy, tão sofisticado, muita areia para o meu caminhão. Ainda assim, ele parecia ter olhos somente para mim. Eu deveria ter tido mais cuidado, mas ele me adulou, me iludiu. Achei que estava
apaixonada, mas na verdade ele era um paparazzo que pretendia me usar desde o início.

– Cretino – rosnou Julian.
– Assim que começamos a namorar, ela começou a dar indiretas sobre querer visitar o palácio. Mas minha agenda estava lotada, e talvez bem lá no fundo eu tenha percebido que algo não estava certo,
pois eu nunca o levei para lá. Graças a Deus.
Julian trouxe-a para perto da cama e sentou-se com ela na beirada.

– Onde se encaixam as tais fotos nessa história?
Ela balançou a cabeça, girando o anel da mão inconscientemente.

– Ele me drogou em uma festa, me levou de volta ao meu apartamento, me despiu e tirou fotos.
Algumas... – Ela inspirou tremulamente – ...algumas delas o incluíam fazendo coisas comigo.

– Estupro? – A pergunta saiu engasgada.

Ela fechou os olhos, desejando poder apagar para sempre aquelas lembranças.
– O médico disse que não.
Ela cerrou os punhos sobre o colo enquanto ele falava, esperando pela condenação dele.

Agora ele entenderia por que ela precisava ir embora.
Porém, Julian não a mandou embora; ele a puxou para seus braços.

– Diga que esse cara está morto.
O comentário dele a fez querer sorrir.

– Quando acordei, as fotos estavam espalhadas ao meu redor. Eu ainda estava mal pelas drogas, e tudo que eu queria fazer era ligar para meu pai. Eu estava aterrorizada.

A Arte Da Paixão (Arlequin ) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora