"Não olhe pra trás, odeio despedidas. Diga até mais, mesmo se for um adeus.''
Uma semana e meia havia se passado. Não que tivesse sido ruim, não havia nada de ruim em ser uma prostituta, além do mais. Como eu havia prometido a mim mesma, eu segui a minha vida. O meu trabalho foi cumprido todas as noites na hora certa, sem atrasos e sem desapontar Scott. Por falar nele, oh, eu já podia notar o seu sorriso de vitória voltar a florescer em seus lábios a cada dia que passava. Ele parecia mais confiante pela sua velha Abbie ter voltado.
Não, eu não tinha notícias de Justin. Nenhuma visita, nenhuma ligação. E lhe agradeço mentalmente por isso, por de alguma forma estar me ajudando a cada dia, por não ter dificultado toda essa luta e por ter me deixado sozinha. Fico feliz que ele tenha tirado a possibilidade maldita da sua mente de me salvar. No começo eu ficava com medo de cada cliente que passava pela porta de entrada da boate. Todos eu achava ser o Justin, procurava sentir o seu cheiro nos milhares de corpos que se chocavam ao meu, mas nenhum era ele. E por mais deprimente que isso pareça ser, eu apenas o agradeço mentalmente.
Mais um cliente me esperava no quarto. Eu podia sentir o cheiro do sabonete e os meus cabelos molhados caindo sob os meus ombros cobertos apenas por um fio do roupão de seda transparente que eu vestia. Abri a porta devagar, já tendo a vista completa do homem daquela noite de costas pra mim. Assim que ele notou a minha presença, ele se virou e eu sorri, notando que eu nunca tinha o visto naquele lugar. Ele aparentava ter seus 30 anos, era de pele branca porém seus cabelos eram bem negros, e usava uma roupa social - o que deduzi ser um empresário. Dei dois passos pra entrar no quarto, logo, fechando a porta atrás de mim. Ele me fitou da cabeça aos pés e notei o entusiasmo nascer em seus olhos.
- Abbie? - Ele perguntou e eu pude notar o quão grossa sua voz era. E sedutora.
- Sim. - Respondi. - Você é quem?
- Eu sou Mattew. - Ele respondeu. - Scott me falou de você.
- Huh. - Murmurei, vendo Mattew se apoiar na cômoda atrás dele.
- Bem que ele disse... - Ele sorriu, passando a língua pelos lábios e correndo o seu olhar pela segunda vez por toda extremidade do meu corpo. - Você é a mais linda daqui.
- Obrigada! - Respondi, dando mais dois passos em sua direção.
Mattew saiu de perto da cômoda, começando então a andar na minha direção. A sua blusa social estava com os dois primeiros botões desabotoados, então, a minha mão foi diretamente pra lá. Pude sentir sua mão descer até o meu traseiro e me puxar, deixando os nossos corpos juntos.
- WOW! - Falei animada. - Não é que você é bom mesmo?
Um sorriso cresceu nos lábios de Mattew. Um sorriso contente. Um sorriso que demonstrava que ele era realmente bom.
Uma das táticas que eu aprendi me tornando uma prostituta - que não foi ninguém que me ensinou, nenhuma garota, nem Scott, nem ninguém - é que devemos elogiar os clientes quando eles realmente fazem algo pra receber elogios. Não podemos ignorar quando eles fazem papel de garanhão porque eles estão ali pra que a auto estima levante, pra que eles se sintam bons o suficiente e eu realmente aprendi isso, o que me trouxe sempre muitas coisas positivas.
Os lábios de Mattew deslizaram pelo meu pescoço e eu pude notar o quão tremulo e sem saber o que fazer ele estava. Então, ainda com os meus dedos enrolados em sua camisa, comecei a andar em direção a cama, parando apenas quando notei que ele estava um palmo pra cair sob ela. Devagar, empurrei com uma de minhas mãos o seu ombro, fazendo com que todo o seu corpo caísse sob o colchão.
Mattew apoiava seus cotovelos na cama. A sua perna estava dobrada e o seu olhar demonstrava luxuria. Ri fraco, me ajoelhando com os dois joelhos no colchão e começando a gatinhar em sua direção. Ele levou sua mão até o zíper da sua calça jeans, mas antes que ele pudesse abrir eu dei um tapinha fraco que o fez parar o ato no mesmo instante, logo, me olhando confuso.
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Peacock
FanfictionTodas as minhas palavras estão escritas em sinais, você é o caminho que me leva para casa. Veja as chamas dentro dos meus olhos, elas queimam tanto. Talvez eu seja uma luz, querida. Nessa noite eu quero me apaixonar, eu quero fazer você confiar em m...
