Being watched

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- Como assim? A Abigail sumiu? - Adam perguntou do outro lado da linha.

- Ela sumiu. - Choraminguei, jogando o meu corpo na cama. - Eu pedi que ela me esperasse no salão principal enquanto eu ia conversar com o Scott, e quando eu voltei... Ela não estava mais lá.

- Ela não saiu?

- Ela não sairia, Adam! - Eu quase gritei, abaixando o tom de voz novamente e sussurrando: - A gente ia sair pra conversar...

- Você já conversou com Scott?

- Eu perguntei sobre ela e ele disse não ter visto, porque na noite passada ela trabalhou na outra boate.

- Abbie, ela não pode ter fugido do nada!

- Eu sei que sim, mas eu já procurei ela de cabo a rabo nessa boate. ELA. NÃO. ESTÁ. AQUI!

- Você ligou no celular dela?

- Sim.

- Que porcaria! - Ele murmurou. - Não tem nenhum número que você possa ligar que saiba onde ela esteja?

- Não, eu era a única amiga dela aqui.

- Não é possível, Abbie.

Fechei os meus olhos por alguns instantes, soltando um suspiro sofrido.

- Eu vou tentar ver o que posso fazer e te ligo...

- Ok, fica ligando pra ver se ela atende. Uma hora ela vai atender.

- Eu não sei de mais nada, qualquer coisa eu te ligo.

- Tudo bem, se cuida.

- Obrigada! - Eu disse, finalizando a ligação.

Joguei o celular na cama e fitei o teto, sentindo um cansaço em meus ombros. Fechei os meus olhos novamente, desejando me desligar do mundo por longos dias, mas sei que isso não será possível.

Sei que devo ser grata a vida, mas com a que eu levo é quase impossível agradecer. A minha felicidade nunca dura, se dura dois dias é muito, sempre tem algo pra estragar e me fazer voltar a amarga realidade e isso não é de hoje, tão pouco de dois meses atrás, isso é desde quando eu nasci. Perco com facilidade pessoas que eu realmente amo, como foi com a minha mãe e Justin, e agora com Abigail. Como querem que eu me entregue ao amor assim? Como querem que eu viva ao lado do Justin desse jeito? Eu não quero que ele tenha uma mulher onde problemas nasce até do chão. O sofrimento parece ter nascido do meu lado, o estupro, o Scott, o Mike, até o fato de eu ser prostituta agora tem sido um sofrimento pra mim, coisa que antes eu não me importava. Se eu estivesse fugido nos meus 16 anos e não trabalhasse de prostituta eu já teria conhecido a minha mãe, não teria? Mas também não teria conhecido o Justin. Mas eu poderia ter conhecido outro homem. Se eu tivesse trilhado outro caminho teria sido mais fácil?

Merda, eu simplesmente não aguento mais! Eu grito por salvação. Grito por solução. E isso não é que eu não queira problemas, eu sei que todas as pessoas tem problemas, mas a minha vida é rodeada apenas por eles, a felicidade é algo que vem mas não fica. A única coisa que eu queria é que meus momentos de felicidade não fossem apenas momentos, eu queria que durasse mais, eu queria poder sentir o gostinho doce que ela tem, mas quando eu penso em vivencia-la ela já foi embora, alguém já a esmagou com as próprias mãos.

Talvez pelo cansaço do meu corpo, eu dormi até 17:40h, acordando assustada pensando que perdi a hora do trabalho daquela noite. Quando eu me aliviei por ver o horário, continuei deitada e fitando o teto, um pouco desnorteada sem saber se tudo o que aconteceu mais cedo havia sido sonho ou tivesse mesmo acontecido, mas alguns flashes de momentos um tanto quanto turbulentos se passou pela minha cabeça como um filme e eu tive certeza da minha realidade, sentindo a minha garganta fechar. Algumas lágrimas começaram a cair e dessa vez eu não tive a intenção de limpa-las, deixei que elas molhassem o meu rosto e limpasse toda a dor que eu tinha no meu peito. Afundei o meu rosto no travesseiro pra que os soluços não invadissem o quarto e as lágrimas caiam como uma cachoeira. Por longos e longos minutos eu fiquei ali, saindo apenas quando me senti um pouco melhor.

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