''As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e aqueles que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se seguirem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.''
POV. Abbie Liesel
- Porque... - Justin começou, e, naquele momento ele já estava chorando. Eu sentia meu coração apertado e pra ser sincera, com medo do que estava por vir. - Seremos papais, Abbie - quando ele disse essa frase, eu engoli a seco e arregalei os olhos, e ele confirmou ainda mais: - Você está gravida de três meses.
Eu sentia naquele momento como se, o meu mundo estivesse desabando sob as minhas costas. Parecia que o meu corpo havia sido anestesiado, eu não sentia tristeza, felicidade, entusiasmo, absolutamente nada. Eu entrei em um estado de choque enorme, o meu olhar ficou preso apenas a um ponto fixo daquele hospital, e eu escutava a voz de Justin bem do fundo, tão distante.
Eu estou gravida de três meses. Eu estou esperando uma criança, há uma criança dentro de mim que já tem um coração que bate. Uma criança que, provavelmente sentiu as minhas dores psicológicas, sofreu junto comigo, e, de alguma forma, toda a droga que eu usei, foi pra ela.
Uma dor enorme se instalou no meu peito. Depois do choque, eu não me sentia mais anestesiada, eu sentia como se estivesse recebendo mil pancadas no meu corpo e na minha alma.
Como eu fui capaz de ser assim? É tão injusto! Como irei olhar um dia, pra cara deste bebê e saber que eu quase o matei? Aliás, como ele está aqui dentro? Sua saúde, corre algum risco?
Durante tanto tempo da minha vida eu fui cuidada, se é que podemos falar assim, por um homem que só usou de mim. Ele nunca colocou a verdade sob a mesa, escondeu coisas importantes e essenciais da minha vida que talvez, se ele tivesse me contado quando eu era menor, eu não estaria nesse estado hoje. Quando eu soube que ele era meu pai, mil flashes se passaram na minha cabeça, desde quando eu me recordava de ir para o colégio e voltar rápido para poder trabalhar para homens, onde todos eles não se importavam se eu estava bem, mal, com o coração partido, doente, eles só queriam que eu lhe desse prazer. Mas eu não posso culpar aqueles homens por isso, todos eles que vão pra uma casa de prostituição é, geralmente, pra esquecer o problema lá de fora e ter pelo menos alguns minutos de prazer.
Porém, o que me dói foi Scott, o meu pai, meu próprio pai nunca se preocupou com essas coisas. Ele sabia, eu sei que estava ciente que eu passei por momentos em que todo adolescente passa, momentos de revolta, momentos de querer ter um real afeto, carinho, uma conversa. Eu nunca tive. Quando eu tinha, não era do modo que eu desejava e eu precisava recompensa-lo depois por isso. Ele me matou aos poucos durante anos, ele foi levando tudo o que de bom existia de mim, e, naquele momento, isso doeu.
Isso doeu porque eu sentia que estava fazendo isso com o meu próprio filho ou filha, não importa. Eu o matei aos poucos durante três meses. Eu repeti o que fizeram comigo, e, toda a dor que eu senti durante todos os anos que eu vivi na mão do meu pai, me veio à tona daquele momento.
As lágrimas quentes caiam como uma cachoeira. Minha garganta queimava, eu sentia que faltava ar no meu pulmão e eu mal conseguia respirar. Justin levantou a minha cabeça e eu pude fita-lo, olhando para os seus olhos e vendo o desespero presente ali. Ele chorava baixinho, balançando a cabeça negativamente e pedindo pra eu me manter calma, mas ele não sabia que eu não conseguia.
- Amor, por favor, fica calma... nós iremos cuidar dele juntos. Eu irei cuidar de você. Está tudo bem, não chore assim... Abbie, me fala o que você está sentindo. Você não quer esse bebê? Você não está preparada agora? Você pode me falar, eu vou te escutar.
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Peacock
FanfictionTodas as minhas palavras estão escritas em sinais, você é o caminho que me leva para casa. Veja as chamas dentro dos meus olhos, elas queimam tanto. Talvez eu seja uma luz, querida. Nessa noite eu quero me apaixonar, eu quero fazer você confiar em m...
