Dúvidas

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Magnus Bane Point of view

Abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a claridade que invadia o quarto através de uma janela gigantesca.Espera... janela gigantesca?

Onde eu estava?

Forcei a vista e minha cabeça latejou com força. Ótimo, pensei, fechando os olhos por um breve instante. Respirei fundo e então os abri de vez, reconhecendo o ambiente aos poucos. Eu estava deitado na cama de Jonathan. Suspirei, aliviado.

Estendi a mão ao meu lado, tateando o colchão na tentativa de encontrá-lo, mas não havia sinal algum dele. Revirei os olhos, já prevendo aquela ausência. Com cuidado, sentei-me na cama, apenas para ser recebido por uma dor lancinante que tomou conta da minha cabeça — o preço inevitável da ressaca da noite anterior.

Meus olhos percorreram o quarto até pararem na camisa de Jonathan jogada sobre uma das poltronas próximas à porta do closet. Levei a mão à testa, que ardia sob meus dedos, e tentei puxar da memória os acontecimentos da noite passada.

As lembranças vinham turvas, fragmentadas... e estranhamente inquietantes.

As únicas lembranças claras que eu tinha eram fragmentos soltos: eu chegando ao apartamento de Jonathan, ele dizendo que iria preparar o jantar, eu tomando apenas um copo de uísque. Só isso. Então como eu havia ido parar ali, naquele estado? E, pior ainda, como acordei com uma dor de cabeça tão absurda?

Talvez eu estivesse fraco para bebida, pensei, tentando me convencer. Mas aquilo não fazia sentido algum. Eu nunca ficara de ressaca com apenas um copo. Nunca.

Outra lembrança surgiu de repente, como um choque: Jonathan me chamando para ir para o quarto. E logo depois, a imagem da garrafa de uísque largada sobre o tapete da sala... completamente vazia.

Meu estômago se revirou.

Havia algo errado naquela história. Algo que não se encaixava. E quanto mais eu tentava organizar as peças, mais a sensação incômoda de que eu não lembrava de tudo se intensificava.

— Bom dia, amor! — a voz de Jonathan me arrancou dos meus pensamentos.

— Bom dia!? — respondi, ainda atordoado.

— Isso foi uma pergunta ou uma afirmação? — ele perguntou, me encarando com uma expressão confusa.

Sustentei o olhar por alguns segundos antes de responder.

— Afirmação... eu acho — dei de ombros.

Observei-o com atenção. Jonathan estava parado à porta do banheiro, apenas com uma toalha enrolada na cintura e outra secando os cabelos loiro-claros. Em outros tempos, aquela cena teria sido suficiente para acelerar meu coração. Hoje, porém, não despertava absolutamente nada em mim — e essa constatação me incomodou mais do que eu gostaria de admitir.

— Dormiu bem? — perguntou, aproximando-se da cama e sentando-se ao meu lado.

— Dormi... só acordei com uma puta dor de cabeça.

— Ressaca! — disse ele, rindo, antes de depositar um beijo rápido nos meus lábios.

— Não. Não acho que seja ressaca — respondi, encarando-o com mais seriedade. — Nunca fiquei bêbado com apenas um copo de uísque.

As palavras pairaram no ar, carregadas de uma desconfiança que eu ainda não conseguia nomear, mas que começava a se tornar impossível de ignorar.

O rosto de Jonathan se tensionou por um instante, quase imperceptível, antes de suavizar-se rapidamente.

The Prince (MALEC)Onde histórias criam vida. Descubra agora