CAPÍTULO XXVIII

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Boa leitura!

Jimin não conseguiu dormir naquela noite. Andou por seu quarto, de um lado para o outro, como se ele próprio fosse um fantasma acorrentado às agonias do passado. Em seu íntimo, tudo voltava em detalhes. Cada movimento, cada palavra de Jungkook. E, com crescente ironia e dor, percebia que ele tivera, desde o começo, a única intenção de enganá-lo e puni-lo, deixando-o depois com o coração partido. Era-lhe impossível acreditar que o doce e generoso garoto de outrora tivesse se transformado daquela forma, tornando-se o frio sedutor de agora. Ficava cada vez mais tenso ao lembrar-se de como cedera a Jeon, como se entregara. E não conseguia entender nem aceitar que todo o belo idílio que os dois tinham vivido juntos nada tivesse a ver com o amor de Jungkook, apenas com sua mente sedenta de vingança.

Olhou para a janela e foi até lá, sentando-se no peitoril, como fazia quando era adolescente. Olhava para a cidade adormecida, e, mais para longe, na escuridão que era uma grande mancha, onde sabia estar à ilha. Naquele lugar passara os momentos mais felizes de sua vida. Uma sensação terrível de vazio se apoderou de Jimin. E um desespero agudo o inundou por completo.

Como o amava! Ainda... E como o odiava também!

Na ilha, em total escuridão e quietude, Jeon dava passos vagos e lentos pela varanda. Seus olhos brilhavam e podiam ver, como quando estava no calabouço escuro do "Castelo do Demônio". Rememorava os detalhes daquilo que deveria ter sido sua desforra, mas que se revelara dias gloriosos de paixão com Jimin. A cada nova palavra, novo gesto do qual se lembrava, seu peito se apertava mais e mais, com uma crescente certeza de que Park jamais o perdoaria. Não havia desculpa ou justificativa possível para o que fizera. Ferira-o demais. Queria jamais ter voltado a Mobile, permitindo, assim, que Jimin seguisse sua vida em paz. Estremeceu ao recordar os momentos mais íntimos que tivera com ele. O que compartilharam era de um encanto sem igual. Seguiu até a rede e deitou-se, embrulhando-se como para escapar das dores do mundo. As luzes de Mobile podiam ser vistas dali. Talvez uma delas fosse da mansão de Park. Achou que fosse sufocar diante da possibilidade de perdê-lo para todo o sempre. Estava infeliz e só.

Deus, como o amava! Ainda... E como ele devia estar odiando-o!

No dia seguinte, às dez da manhã, Ossos retornou à ilha para buscar seu patrão e amigo. Ancorou o barco e seguiu até a casa para encontrá-lo. Jeon permanecia na rede da varanda. Acordado, mas parecia não ter dormido a noite toda. Kim não sentia pena de seu estado. Para ser franco, continha-se a custo para não arrancá-lo daquela rede e esmurrá-lo ali mesmo. Jungkook levantou-se e seguiu o ex-marinheiro até o cais. Nenhum dos dois disse uma única palavra. Mas estavam quase chegando ao iate quando Ossos não conseguiu segurar-se mais.

— Então, disse a ele ontem à noite que tudo estava terminado...

— Não — Gukk respondeu, sem olhá-lo. — Foi ele quem o fez.

Ossos parou de andar e encarou-o:

— Como assim?

Jungkook também parou e virou-se. Deu de ombros, esboçou um sorriso sem humor, frustrado, e explicou:

— Parece que acabei derrotado, e fui eu quem recebeu a última dose de justiça nessa história toda. — Baixou a cabeça e enfiou os dedos na areia, enquanto prosseguia. — Apaixonei-me por ele outra vez, então decidi esclarecer tudo, contar-lhe o que fiz.

Ossos arregalou os olhos.

— Está me dizendo que falou para ele que é Jeon Jungkook?

Ele fez que sim e tornou a encarar o amigo. — E por isso o perdi de vez, Namjoon.

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