-Atende a porta, Beatriz.
- Aii não acredito!!! Que saudade Mia!
-Eles chegaram?
-Como foi a viagem? Vocês estão bem?
-Foi ótima. Estamos muito bem.
-Cuidaram da nossa casa?
-Ela está perfeitamente bem cuidada.
-Não acredito que tô em BH de novo.
-Como foi a sua jornada em São Paulo?
-Foi bacana. Mas como dizem: não há lugar melhor que o lar. Como eu queria estar aqui.
-Não acredito que você voltou. Ano que vem vai ser maravilhoso.
-Tomara Bia.
-Mia, nós estamos no terceiro ano. Tá entendendo?
-Eu seii. Depois disso faculdade. A realização de um sonho.
-Como você cresceu Bia. Está uma moça linda.
-Obrigada tia Lara.
-Cadê o namoradinho?
-Ele só vem mais tarde.
-A gente pode subir pra conversar?
-Óbvio. Vem logo.
Subimos as escadas e fomos direto para o quarto da Bia. Que saudade dessa casa, desses cômodos, do Hugo.
-Cadê seu irmão?
-Ele saiu com uns amigos. Eu te disse que ele estava estranho.
-Ah. Mas ele tá bem?
-Tá sim. Ele tem algumas coisas pra te contar, mas vou deixar pra ele te falar.
-Tudo bem. E como estão as coisas por aqui? E o Eduardo?
-Ai Mia. Você não tem noção. O Dudu é maravilhoso. Eu amo aquele garoto, e cada dia estamos mais próximos. Ele me trata super bem, nós conversamos sobre tudo, não temos segredos, nos demos super bem na escola e, no nosso aniversário de namoro ele me deu a aliança.
-Mentira. Deixa eu ver.
Ele me mostrou a mão direita toda sorridente. Era uma mega aliança: prateada fosca e com um fio de ouro no meio que formava um coração. Eu achei um pouco exagerada demais, mas a felicidade dela era contagiante.
-Não é a coisa mais linda?
-É bem o estilo de vocês dois mesmo.
-Eu sei. Ele é incrível. Ele me deu a aliança enquanto a gente comia pizza pra comemorar. Eu achei muito fofo.
-Que bom que vocês estão felizes, Bia.
-Demais. Eu sou a pessoa mais apaixonada desse mundo. Eu tenho que te contar uma coisa muito séria.
-O que foi?
-Eu não sei por quanto tempo mais eu consigo guardar a minha virgindade.
-Vocês ainda não transaram?
-Claro que não Mia. Tá doida? Nós temos um ano. Eu não me sentia totalmente pronta. Pelo menos não até ele me dar a aliança. E como eu te disse, nós estamos cada vez mais próximos.
-Relaxa Bia. Não falei pra te criticar. Foi só uma pergunta simples. Eu acho que é bacana você se guardar pro momento certo mesmo, pro cara certo e pra quando você tiver certeza.
-Já parou pra pensar que vai ser a segunda coisa em que eu sou a primeira de nós duas? Eu fui a primeira a namorar e vou ser a primeira a transar.
-É, se você diz.
-Você não considera as suas ficadas como namoro né?
-Claro que não. São coisas totalmente diferentes.
-Então. Se você ainda não namora, não vai transar tão cedo.
Ouvimos a porta lá embaixo, mas nossos pais tinham saído para comprar as coisas para a ceia de Natal.
-Mãe? Pai? Bia?
Quando ouvi a voz do Hugo saí correndo pra abraçá-lo.
-Acho que não tem ninguém em casa, a gente pode...
Eu pulei do terceiro degrau bem no pescoço dele, mas parei de abraça-lo assim que eu vi que ele não retribuía e que estava acompanhado.
-Miranda? Vocês já chegaram? UAU. Que bom.
-Nós pegamos o primeiro avião pra cá.
-Nossa que saudade. – Ele me abraçou. Aquele abraço, aquele cheiro... – Essa é a Amanda, minha namorada. – Eu engoli em seco e sorri amarelo pra ela.- Amanda, essa é a Miranda. Lembra que já te falei dela?
-Claro que lembro. Prazer em te conhecer Miranda. O Hugo fala muito bem de você. É como se você fosse a irmã do meio dele.
-É. Nós fomos criados meio que assim mesmo.
-Ele me falou.
-Onde vocês se conheceram?
-Na escola. Ele não te falou?
-Não conversamos muito nesses últimos meses. Não tô sabendo de muita coisa.
-Ah. Aposto que ele vai ter tempo pra te contar antes de ir pra faculdade.
-É, vamos ter muito tempo no jantar. Eu só vim aqui pegar o presente de Natal da Amanda e levar ela em casa. Eu volto pro jantar em família.
Ele subiu e voltou com um pacote enorme na mão.
-Tchau, Bia. Prazer, Miranda.
-Prazer.
-Feliz Natal.
-Feliz Natal.
Ela sorriu e eles foram embora.
-O Hugo ta namorando?
-Eu disse que ele tinha algumas coisas pra te contar.
-Eu não tô acreditando.
-Nem eu acreditei. Quem diria que esse nerd ia namorar alguém algum dia.
-É. Quem diria.
Ouvimos o barulho do carro e sabíamos que nossos pais tinham voltado.
-Era seu irmão saindo daqui?
-Era. Ele foi levar a Amanda em casa.
-Amanda? Humm.
-Pois é Estevão, meu filho está namorando. E uma menina que é um amor.
-A gente pode começar a preparar a ceia? Tô morta de fome?
-Claro querida, mas a comida vai demorar. Se você quiser tem fruta aí na mesa. Enquanto isso nós vamos pra cozinha e falaremos de tudo que aconteceu nesse ano.
Peguei uma maçã só pra disfarçar a fome e a minha cara de ciúmes.
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A vilã
Ficção AdolescenteToda história tem uma vilã. Certo? As vilãs também têm uma história por trás delas. Talvez não sejam vilãs porque querem, mas porque as pessoas as vejam assim. Sinto muito em dizer, mas essa não é a história de uma mocinha. Pelo menos não é o que a...
