Nós estávamos dentro do avião, pousando em São Paulo. Vida nova.
Eu quase não dormi na noite passada. Hugo e eu gastamos um bom tempo no quarto dele, e o resto da noite fiquei lembrando dos fatos e sentindo sua respiração. Nem sei que horas eu dormi, só sei que acordei com o braço pesado dele em volta da minha cintura. Eu ainda estava no quarto dele e precisava ir pro quarto da Bia. Quando cheguei no quarto ela não estava. Foi um alívio.
-Miranda?
-Oi mãe, eu não te ouvi.
-Eu percebi. Está tudo bem?
-Está sim.
-Nós já pousamos e você nem se moveu.
Olhei em volta e o avião tinha no máximo oito passageiros, sem contar com a minha família de três pessoas.
-Desculpe. Eu estava distraída.
-Você vai se acostumar com a vida aqui querida.
-E você vai gostar da escola.
-Espero que sim.
Coloquei os meus fones de ouvido e sai do avião atrás dos meus pais. Eles estavam indo em direção à esteira de malas, e eu estava um pouco mais afastada. Não percebi o caminho que eu estava fazendo, e quando fui ver, eu já tinha tropeçado em uma mala no meio do caminho. Só não caí de cara no chão graças a uma mão.
-Tudo bem ai?
-Eu tô legal.
Sorri meio sem graça. Não sabia se agradecia ou se enfiava minha cara dentro da mala pela vergonha. O cara era um gato. Alto, com o corpo meio musculoso, parecia ser esportista, com o cabelo castanho cacheado, olhos meio folha seca e um sorriso lindo.
-Foi mal pela mala.
-Relaxa. Nem teve estrago.
-De qualquer forma, foi mal.
-Miranda?
-Eu tenho que ir.
-Prazer em te conhecer.
-Digo o mesmo.
Corri em direção aos meus pais que já estavam com as malas.
-Você conhece aquele rapaz?
-Acabei de conhecer.
Virei para trás e o cara estava me encarando. Acenei dando tchau, ele retribuiu com um sorriso e foi embora.
-Vamos. O táxi já está esperando.
Eu não podia ficar parada. Qualquer minuto sem fazer nada eu lembrava do Hugo. Isso não está certo. Nós estamos a quilômetros de distância e ele não saia da minha cabeça. Eu não posso deixar isso acontecer. O pior é que ainda falta mais de um mês para as aulas começarem e eu não conheço ninguém aqui.
Chegamos no apartamento, e eu precisava arrumar as coisas no meu quarto. Pra isso eu ia precisar de tempo, pra deixar tudo do jeito que eu queria. Minha mãe já tinha colocado as minhas caixas lá dentro, e eram quase cinco horas da tarde. Eu poderia começar a arrumar hoje, mas eu preferia dormir para repor o meu sono. Dormi até às oito da tarde.
Meus pais pediram uma pizza para o jantar. Comemos enquanto assistíamos à novela das nove, porque a pizza demorou pra chegar. Depois disso, eu poderia repor minhas energias, descansando a minha mente.
Acordei no outro dia às oito da manhã, depois de sonhar que eu seria uma rejeitada e excluída na escola nova. Meus pais e eu tomamos o café e minha mãe me ofereceu ajuda para arrumar as coisas antes de ir para o trabalho, mas eu não aceitei e a liberei. Comecei a tirar as coisas das caixas e das malas, e cada objeto que eu tirava era uma lembrança de Belo Horizonte. Arrumei tudo antes do horário do almoço. E até àquela hora eu tinha conseguido ficar bem distraída.
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A vilã
Ficção AdolescenteToda história tem uma vilã. Certo? As vilãs também têm uma história por trás delas. Talvez não sejam vilãs porque querem, mas porque as pessoas as vejam assim. Sinto muito em dizer, mas essa não é a história de uma mocinha. Pelo menos não é o que a...
