-Desculpa por ter feito você sair do quarto ontem.
-Tá tudo bem. Como é que foi?
-Não fizemos nada demais. Só ficamos nós beijando e passando mãos bobas em tudo que era parte do corpo do outro.
-Bom dia meninas.
-Bom dia, tia Débora.
-Bom dia meninas. Miranda, o caminhão com a nossa mudança não vai mais chegar hoje. A transportadora ligou pra avisar que eles fizeram confusão na contagem de dias, esqueceram o feriado.
-E quando as coisas vão chegar então?
-No mais tardar no início da semana que vem.
-Eu pensei que você ia gostar de aproveitar um pouco a suas férias e matar a saudade de Belo Horizonte.
-É uma ótima ideia.
-A gente pode ir no cinema, ou no parque Guanabara, ou andar na Pampulha, podemos ir no Mangabeiras também, no clube, ou só andar no centro e ver quais são as novidades no quesito modinha pro ano que vem.
-Só olhar mesmo. Deus me livre de acompanhar alguma modinha.
-Até parece, Miranda. Você acompanhou a modinha da mecha de cabelo colorida, a trilogia de Crepúsculo, Divergente e Jogos Vorazes.
-Não era uma modinha. Era um estilo de vida.
-Anel de coco.
-Eu achava fofo. Mas você acompanhou todas, inclusive as que envolviam Melissa, você tinha uma coleção. Você usava todas as cores florescentes que podia em uma roupa, brinco de pena, anel de humor, aqueles relógios que trocavam as pulseiras e parecia um arco-íris no braço, gargantilha e aquele tênis de salto alto, por favor, me fala que jogou aquilo fora.
-Tempos sombrios. – Ela riu.- O máximo que ainda tenho daquela época são as calças coloridas e as Crocs.
-Eu tenho que te ajudar nas próximas compras.
-Eu acho melhor vocês deixarem para ir ao centro depois dos feriados.
-O pessoal deve estar lotando as lojas pra trocar os presentes de Natal.
-Então o que a gente pode fazer hoje?
-Que tal o clube?
Nós duas corremos lá pra cima para arrumarmos a nossa bolsa. Em São Paulo tinha o mar a mais ou menos uma hora de viagem, mas em Minas a minha opção era a piscina. Mesmo que a piscina tenha cloro, ela não tem toda a areia e o sal do mar. Eu gosto dos dois, mas a piscina é mais prática.
Colocamos dois pares de biquíni, protetor solar, creme de cabelo, toalha, pente, saídas de praia e dinheiro. Eu não via a hora de torrar no sol. O clube não era muito longe da nossa casa, andamos uns trinta minutos e quando chegamos estava mais cheio do que eu esperava, provavelmente por ser temporada de férias.
Colocamos nossas coisas no nosso lugar preferido, perto das árvores, mas onde batia sol o dia todo, e um pouco mais distante da piscina, pra não sermos molhadas quando não estivéssemos dentro dela. Perto de onde estávamos era a quadra. E tinha algumas pessoas jogando vôlei. Fiquei morrendo de vontade de ir jogar também, mas não queria deixar a Bia sozinha.
-Nosso presente de Natal chegou a tempo meu amigo.
Eu e a Bia nos viramos pra ver quem estava fazendo sombra e que tinha dito aquilo. Eram dois caras bem gatos, mas só pela atitude não mereciam atenção.
-Vocês estão tampando o sol.
-Vocês não precisam da luz do sol, vocês têm luz própria.
-Vocês são daqui? Ou de outro planeta?
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A vilã
Novela JuvenilToda história tem uma vilã. Certo? As vilãs também têm uma história por trás delas. Talvez não sejam vilãs porque querem, mas porque as pessoas as vejam assim. Sinto muito em dizer, mas essa não é a história de uma mocinha. Pelo menos não é o que a...
