Nós estávamos sempre juntas e cada vez mais confiantes. Estávamos mandando muito bem no grupo de estudos e sempre que eu via o estagiário ele fugia de mim. Era engraçado saber que ele ainda tinha medo.
-Você já reparou no estagiário?
-Quem não repara?
-Ele é um gato. Pena que é mais velho.
-Posso te contar uma coisa?
-Fala.
-Eu já o coloquei contra a parede e roubei alguns beijos.
-Tá falando sério?
-Uhum. Foi bem no corredor dos livros de História. Por que você acha que ele corre da nossa mesa?
-Você não existe Miranda. Ele beija bem?
-Tão bem quanto parece.
-Você me deixou curiosa. Se importa se eu tentar?
-Claro que não. Vai lá.
A Carol se levantou e foi até o estagiário pedir alguma ajuda. Eles conversaram por alguns minutos, até que ele a levou até as estantes. Eles sumiram da minha vista por uns dez minutos. Ela conseguiu segurá-lo por mais tempo que eu. Ela voltou sozinha como se nada tivesse acontecido. Depois de um tempo ele apareceu com um livro na mão e não olhou pra nossa mesa.
-O que você fez?
-Eu perguntei que livro ele me indicaria para uma leitura interessante. Ele me perguntou quais eram meus gostos e tal, eu dei uma enrolada nele e ele disse que tinha um livro perfeito. Quando chegamos lá, eu li sinopse do livro e disse que só a sinopse já tinha me deixado louca pra ler. Quando fui agradecer, o meu beijo escorregou um pouquinho para o lado e sem querer a gente se beijou. Ele me afastou, falou que estava no trabalho e que não era certo. Eu pedi desculpas com a cara mais triste do mundo, devolvi o livro pra ele e voltei pra cá.
-Você aprende rápido. Ele me disse a mesma coisa. Não é um desperdício que seja tão bonito e tão certinho?
-Nem me fala. Eu senti que ele tinha bem mais a oferecer.
Nós duas rimos.
-Eu te entendo bem. Também senti isso.
Paramos de falar do cara e nos concentramos na matemática.
-Oi Miranda e Carolina.
-Oi Alana.
-Então, Eu vi que às vezes vocês conversam com o Eduardo e o Pablo.
-E daí?
-Vocês têm alguma coisa com algum dos dois?
-Não.
-Nenhuma das duas?
-O Pablo e eu ficamos de vez em quando, mas é uma brincadeira que já ta perdendo a graça.
-Então você não se importa se eu ficar com ele né?
-Nem um pouco.
-Que bom. Então eu tenho duas boas opções.
-Duas?
-Pablo e Eduardo.
-Eu não tenho nada com o Eduardo, mas ele namora.
-E daí?
-E daí que ele é o namorado da minha melhor amiga. E se eu fosse você eu nem tentava a sorte. Deixa eu te dar uma opção bem melhor do que o Eduardo ou o Pablo. Tá vendo o novo estagiário? Fala que ele não é uma gracinha, e que seria muito mais interessante do que os dois moleques da nossa sala.
-Sabe que você tem razão. Ele é um pedaço de mau caminho.
-Por que você não tenta a sorte?
Só tínhamos nós três e o estagiário na biblioteca. Ela foi até a mesa dela e se dobrou tanto que eu quase vi a calcinha dela. Ela nem falou nada com ele, apenas chegou beijando. Ele se levantou muito nervoso e foi até a nossa mesa.
-Eu não sei que tipo de brincadeira é essa que vocês estão fazendo, mas não é uma coisa legal. Eu estou trabalhando, não vim aqui ser interrompido por mocinhas que se acham no direito de fazer o que quiser e com quem quiser. Eu sou um profissional sério e não vou aceitar isso. Se vocês não pararem com essa brincadeira eu vou ser obrigado a ir até a diretoria e delatar o assédio de vocês. Pode ser ruim pra mim, mas vocês também vão ter que escutar.
-Fica calmo gatinho.
-Nós já paramos.
-Prometemos que nunca mais vamos perturbar você.
-Ótimo. Agora, por favor, saiam da biblioteca.
Nós três saímos juntas e não olhamos para trás. Eu tinha encontrado mais uma garota que se parecia comigo. A partir de então, nós erámos um trio, assim como são os grupinhos de vilãs dos filmes.
Eu e a Bia não estávamos nos falando muito por que eu sempre estava com as meninas. Eles eram da minha sala e do grupo de estudos e a Bia, eu só via nos finais de semana. Sempre que eu me encontrava com ela, ela estava com o Eduardo e eu preferia não ficar por perto. Quando ela não estava com o Eduardo na escola, ela estava com as amigas dela e eu preferia ficar com a Carol e a Alana.
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A vilã
Teen FictionToda história tem uma vilã. Certo? As vilãs também têm uma história por trás delas. Talvez não sejam vilãs porque querem, mas porque as pessoas as vejam assim. Sinto muito em dizer, mas essa não é a história de uma mocinha. Pelo menos não é o que a...
