Capítulo 7

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Acordei no outro dia cheia de dores nas pernas, nos braços e nas costas. Acho que fiz agachamentos demais. Além disso, as boladas que a gente recebe são bem fortes, as meninas jogam muito. Tomei um café mais equilibrado, coisa que eu nunca tinha feito antes. Depois fiquei pesquisando sobre vôlei na internet.

Meus pais chegaram para o almoço e comemos juntos. Contei pra eles a novidade de estar inscrita no time de vôlei da escola e estar fazendo amizades, e eles ficaram bem felizes. Acho que foram trabalhar até mais empolgados por saberem que agora eu tinha alguma coisa para ocupar a minha mente sem ser ficar o dia inteiro no meu quarto lendo ou assistindo filmes e séries.

Levei um pouco mais de tempo para chegar na escola, estava pensando no quanto seria chato ter que encontrar o Otávio de novo, e quanto mais chato seria ter que esconder da namorada dele a traição. A Pilar era uma menina legal, uma típica mocinha dos filmes: meiga, gentil, que não merece sofrer, loira. Ela não tinha exatamente o corpo perfeito das mocinhas de filme, era normal, mas ela era linda mesmo assim.

-Oi. Você ta legal?

-Oi Camila. Tô bem sim e você?

-Eu também. Me desculpa por ontem. Eu só queria te mostrar que eu não estava mentindo e não entregar vocês.

-Não se preocupa.

-Eu não quero que a Pilar sofra. Mas eu sou muito amiga dela pra não falar a verdade caso ela descubra, quer dizer, eu não quero contar nada, mas se ela me perguntar alguma coisa eu vou ter que falar. Entende?

-Entendo. Eu também faria o mesmo. Você não vai estar me prejudicando se falar a verdade pra ela, vai estar prejudicando o namoro dela, só isso. Eu não acho que seja isso que você quer fazer, não é?

-Não.

-Então vamos esperar que ela descubra sozinha. Pra ela mesma tirar as próprias conclusões.

Entrei no ginásio e a Camila veio logo atrás.

-Ei meninas. Minhas líberos chegaram. – Ela me deu um abraço e depois na Camila. – Hoje nós ainda vamos jogar no mesmo time de ontem, mas se vocês conseguirem acompanhar direitinho, talvez a gente faça um jogo com os times misturados. Ok? – Todas responderam afirmativamente.- Ótimo. Cada uma na sua posição inicial. Vamos jogar.

Jogamos bastante e dessa vez por mais de uma hora sem parar, até que a Pilar nos deu uma pausa.

-Meninas, é o seguinte, para vocês que são novatas eu quero esclarecer uma coisa: eu sou só a capitã do time, não sou a treinadora. Estou treinando vocês nas férias de verão porque os professores estão de férias e a escola acha legal colocar os capitães voluntários como responsáveis pelas atividades esportivas. Segundo eles, isso nós faz despertar nosso espírito de liderança e trabalho em grupo, e eu levo esse trabalho voluntário a sério. Amo o vôlei e espero ajudar vocês a gostarem também, por isso, se alguma coisa não estiver legal pra alguma de vocês, se tiverem dúvidas ou algo assim, fiquem tranquilas pra perguntar o que for que as meninas e eu estaremos super dispostas para responder. Agora, vamos ver se vocês aguentam mais uma hora de jogo.

Ela tinha que ser a capitã mesmo. Ela tinha todo um jeito de líder. Era tão preocupada com o que os outros pensavam dela, de como ela agia, tão preocupada em ajudar e levar as meninas pra cima. Com certeza o professor que a escolheu como capitã viu todas essas qualidades nela também, além de ver que ela joga muito bem. Quando o treino acabou estávamos todas exaustas, suadas e vermelhas.

Eu não tinha parado pra observar bem as meninas do time, mas agora, olhando bem, a escola parecia ser uma escola frequentada por pessoas mais ricas. Não era uma escola particular, disso eu tenho certeza, mas eu já estava frequentando aquela escola por duas semanas e não tinha visto nenhuma pessoa mais simples. Todo mundo se vestia bem demais, até mesmo pra praticar esportes. A garagem da escola sempre tinha uns carrões e tenho certeza que não eram dos professores já que eles estavam de férias. Será que as pessoas dali seriam na maioria patricinhas e mauricinhos?

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