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(Penúltimo)

Dias depois...

"Estas alegrias violentas têm fins violentos; falecendo no triunfo, como fogo e pólvora que num beijo se consomem."

Ah sim, Romeu e Julieta... Pensar em Romeu e Julieta me dava uma sensação de injustiça.
Eu havia lido sobre esse casal épico quando participei de uma peça na escola, mas apesar de ser um clássico da literatura, a cidade de Bela Rosa via com olhos abismados o suicídio de dois jovens.

De certa forma, eu sempre pensei sobre amores assim, pois eles me faziam ficar dividida entre inveja e repulsa; deixe-me explicar... Um amor tal qual o desse casal me colocava em eterna dúvida e numa singela curiosidade, porque um gostar tão forte assim só poderia ser algo inalcançável e quanto mais uma coisa é inalcançável, mais você a quer.

Entretanto, eu repudiava a idéia de um dia amar assim, porque um amor desses, fadado ao fracasso e a morte, nunca deveria surgir na vida de alguém.

E é então que me vem a sensação de injustiça.
Em que momento o destino achou que seria justo toda aquela farsa que levou o jovem casal a se matar? Em que momento, no tão falado livro da vida, estava escrito que esse amor deveria acabar em tragédia? Que Deus era aquele que se regozijava em separar dois amantes?

Quem poderia se deleitar com aquele ardor pavoroso da separação eterna?

O fogo da raiva queimava meu peito receoso.

Nos dias que se seguiram ao nosso fatídico encontro com Otávio Romero no Luz Vermelha, só consegui pensar em como tudo havia desembocado naquele final estrondosamente doloroso; nosso amor fazia barulho dentro de mim e a todo o momento eu só tentava ignorar que esse barulho poderia ser a marcha fúnebre de um velório.

O meu velório.

Certa vez Bella Swan, uma amada personagem de um conto ridiculamente familiar agora, citou que nunca havia pensado em como iria morrer, até que então se deparou com a frieza da morte que esticava seus dedos gélidos por seu pescoço, procurando a pulsação de suas veias e espreitando o momento exato do bote.

Lembro-me perfeitamente da sensação angustiante que cortou o ar na hora em que James a encontrou naquele salão de espelhos... Lembro-me de pensar que talvez, apenas talvez, ela estivesse certa quando pensou que morrer por quem amamos não é tão ruim assim, mas mesmo assim, ainda me parecia burrice simplesmente não lutar.

Mas era engraçado – pelo menos para mim – que neste momento eu esteja quase como ela.

Mas felizmente para Bella, bastava apenas que Edward a levasse para seu mundo, um mundo onde ela não estaria necessariamente morta... Um mundo onde ela ainda seria a Bella, mas com poderes, com uma família, com o amor de sua vida, com tudo.
Ela teria tudo mesmo se morresse.

Já eu...

Morrer nunca foi problema para mim, principalmente após a morte de Valentina, mas era com Ruggero que eu me sentia viva, foi com ele que aprendi a viver, que eu realmente quis viver.
Então, no exato instante em que Otávio Romero falou sobre a morte, me encolhi por dentro.
Quando aprendi a viver, estava na hora de morrer.

Era um gosto amargo.

Só que ainda havia em mim uma certeza concreta de que eu enfrentaria o que fosse para ficar com ele, porém ao contrário de minha amada Bella, eu perderia todo o resto...
Meus pais, minha irmã, minha amiga... até Jorge, mesmo que ele estivesse diferente comigo, após eu ter desmarcado de ir com ele ao baile.
Mesmo assim, eu perderia muito.

Mas ainda o teria... E eu queria tê-lo. Para sempre.

Para sempre ainda era pouco.

Era como estar entre a cruz e a espada... Literalmente.

A Bela Rosa {Vol. 1}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora