Capítulo 2

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O sol brilhava, invadindo a janela do quarto, forçando os meus olhos a se abrirem, incomodados com tanta luz, foi quando me dei conta que era dia. Pulei da cama para ver as horas, peguei o celular e estava marcando 6:00 am. Não era uma boa forma de recomeçar meu contato com Roberto, não tinha nada que ele odiasse mais do que esperar, por mais que eu não tivesse avisado, sabia que as notícias corriam rápido e com certeza ele esperava a minha presença no jantar.

- Como era possível dormir tudo isso? – Penso alto olhando para o celular, tinha mensagem de Adam, respondi rapidamente que tinha chegado bem.

Enquanto me vestia ouvi uma batida na porta, fui até lá destrancar, era Soraya com uma bandeja de café da manhã nas mãos.

- Não precisava, eu já ia descer. E você não tem mais idade para ficar subindo essas escadas com bandeja nas mãos.

- Meu filho, estou ótima, eu não podia te deixar com fome, veja como está magro. Passou o dia e a noite sem se alimentar, não quero que fique doente. – Ela dizia enquanto me olhava dos pés à cabeça.

- Eu não sei o que aconteceu, apaguei. – Tento mudar o assunto da minha fisionomia.

- Tentei te chamar a noite, mas imaginei que estava muito cansado, te fez bem dormir. Seu pai e seu irmão vão descer às 8:00. Coma algo antes.

- Obrigado, mas prefiro descer e comer com você, podemos? E eu levo a bandeja.

Peguei a bandeja e descemos as escadas, até que uma das meninas que trabalha na casa a pegou das minhas mãos, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas trabalhando na casa. A minha vida em Cambridge era muito mais simples, tanto luxo e dinheiro naquela casa e nunca me fizeram sentir algo bom, por um momento senti saudades do meu antigo quarto, a imagem que fixei antes de sair veio a minha cabeça, era bom lembrar de toda bagunça em uma casa dividida com os amigos.

Até que lembrei de Antony e todo o motivo de ter partido e senti a garganta secar de raiva e desejei ter socado mais vezes a cara dele. Tentei desviar o pensamento. Chegamos na cozinha, meu lugar favorito da casa. Sentei-me com Soraya e comi algumas frutas que estavam na frente, tinha morangos, uvas, maçãs e outras tantas. Conversamos sobre a vida agitada de Nova Iorque e a minha vida de trabalho e estudo que me dediquei nesses últimos anos.

- Como está Adam, meu filho?

- Ele está bem e satisfeito com a vida que leva, todo ano ele vem ver os pais. Está trabalhando muito ultimamente, desenvolvendo muitas ideias tecnológicas. Ele é uma grande promessa nessa área, toda empresa está investindo muito nele.

- E o seu trabalho o que vai fazer?

- Tenho algumas entrevistas na Segunda em alguns hospitais importantes daqui, acredito que o nome do meu pai possa influenciar de alguma forma.

- Seu pai ficará feliz. – Solta Soraya.

- Não vem com essa Dona Soraya, há muito tempo não acredito mais em contos de fadas. – Dou um sorriso sarcástico.

- O que aconteceu entre ele e Suzi? – Pergunto cochichando.

- Não sei se aqui é o lugar mais seguro para falarmos disso, mas posso te adiantar que as coisas não andam bem. Suzi ficou dois meses internada em um hospital psiquiátrico. Edward está confuso com tudo isso. Vê a mãe quinzenalmente.

De alguma forma não fico surpreso, tenho certeza de que tem um dedo dele nisso, penso comigo mesmo. Continuamos conversando sobre outros assuntos.

- Onde mais poderia encontrá-lo, se não na cozinha da casa. – Somos interrompidos pela voz grave invade a cozinha, e eu a reconheci na mesma hora. – Pensei que jantaríamos juntos. Deselegante nos deixar esperando. – Sinto seu tom de reprovação e seu olhar vazio.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora