Depois de um dos meus plantões Soraya me ligou avisando que Roberto tinha saído e só voltaria a noite, resolvo passar na mansão e conversar com Edward sobre a minha mudança. Ia ser difícil, mas era a chance que eu tinha. Ainda era cedo, ele estava brincando no jardim com a babá quando me viu chegar, correu até mim e eu o abracei apertado. Fomos juntos até o seu quarto, ele mostrou os livros novos, brinquedos e até um vídeo game de Roberto tinha lhe dado.
- Maninho, preciso falar com você. – Eu disse pedindo para ele se sentar do meu lado, ele senta e me olha tão apreensivo.
- Você vai embora para sempre né?
- Sim... – Eu o abraço e as lágrimas caem. – Eu queria que as coisas fossem mais simples Edward. Mas não são.
- Eu sei John, eu sei que é por causa do papai. As vezes tenho raiva dele.
- Não quero que tenha raiva dele, certo? Os problemas são entre eu e ele. Ele é seu pai e gosta muito de você.
- John, como eu vou te ver agora.
- Eu vou vir sempre que puder, quando você for para casa da sua mãe ou quando Roberto viajar. Com o tempo as coisas vão se arrumando.
Ele me abraça e me chama para jogarmos um pouco do vídeo game juntos até seu horário de se arrumar para o almoço. Era o único momento que sentia falta, tínhamos nos vinculado muito nesse tempo, sabia que não seria fácil para nenhum de nós dois essa distância, ainda assim não tinha o que ser feito, eu precisava tocar a minha vida e parar de confrontar o inimigo, uma hora eu não teria mais sorte.
Vou até o meu quarto, passo pelo corredor e o quarto de Liz está silencioso. Eu passo direto e entro no meu, percebo que tem muita coisa para levar, separo algumas roupas, escuto uma batida bem leve na porta, abro e para minha surpresa era Liz, eu a olho surpreso, ela estava ainda mais abatida que a última vez que a vi, parecia mais magra também.
- Queria saber se estava bem. – Ela fala bem baixinho.
- Entre. – Ela entra e eu fecho a porta.
- Ele te machucou? – Ela tenta procurar algum hematoma.
- Sim... – Levanto um pouco da minha blusa, as marcas estavam começando a diminuir. – Tive lesões serias, fiquei um tempo no hospital. Soraya não sabe.
- Sinto muito. Eu sei que tentou me ajudar.
- Liz, tome muito cuidado. Ele não vai mudar, se puder sair disso, saia. O mais rápido que conseguir, eu já vi isso tantas vezes, não vale a pena tentar. – Ela me olha com tristeza, como se soubesse do que estou falando, sem surpresa nenhuma.
- Eu sei, mas não posso.
Sinto que ela quer me dizer alguma coisa que não pode, acho melhor não insistir, nesse caso saber de qualquer coisa era extremamente perigoso.
- Soraya tem meu número caso precise de uma emergência. Posso tentar te ajudar de longe.
- Obrigada John, fico feliz em ver você sair daqui. Um dia também vou conseguir. – Ela diz enquanto sai do quarto.
Ela parecia muito mal, mas eu não podia fazer muita coisa, infelizmente essa situação fugia completamente do meu alcance. Arrumei minhas coisas, desci para falar com Soraya.
- Ainda tem muita coisa aí, me avisa sempre que souber que Roberto vai viajar.
- Aviso meu filho, posso levar algumas coisas.
- Liz não está bem... – Digo bem baixo. – Fica de olho nela, se precisar de uma emergência eu tento mandar.
- Filho, não se meta nisso. Você sabe que seu pai não brinca. – Sua frase me faz estremecer, sabia até demais.
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As marcas do medo.
RomanceJohn é um jovem médico que há anos luta contra as crises de pânico. Sua vida sofre diversas reviravoltas levando-o a ficar cara a cara com os seus traumas, deixando ainda mais intensa as suas crises e seus medos. O dinheiro não era capaz de lhe comp...
