Capítulo 25

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O dia já estava amanhecendo e meu plantão acabando, nunca me imaginei contando as horas para acabar e poder ir embora, esse sentimento era novidade, eu sempre amei viver no plantão, muitas vezes emendava um no outro sem nem descansar, mas ultimamente muita coisa tinha mudado, a ponto de começar a repensar meus objetivos.

Fui para sala de descanso pegar meus pertences e me arrumar para sair, escutei o celular vibrar parecia uma mensagem, pensei que podia ser Sarah, corri para ler, era um número desconhecido, abri a mensagem, eu não podia acreditar. Sabia exatamente o que aquelas palavras queriam dizer, tentei ligar para o número, mas não atendia. Liguei para Leone desesperado:

- Tio, só me escuta. Manda uma ambulância para a mansão agora. Eu estou indo para lá.

Desliguei o celular e corri para o carro, dirigi o mais rápido que eu podia, cheguei na mansão em poucos minutos e parecia está vazia. Soraya estava na cozinha e estranhou meu aparecimento, eu passei correndo e gritando:

- Cadê Liz? – Soraya vinha atrás de mim sem entender nada.

- Está no quarto. – Ela respondeu.

Eu subi as escadas correndo e entrei no quarto dela, em cima da cama tinha vários frascos de medicação, um calafrio passa por mim e eu não queria acreditar do que eu estava pensando, comecei a gritar por ela, entrei no banheiro e nada, quando passei pela janela vi seu corpo na piscina. Meu coração parou completamente, corri desesperadamente saindo do quarto, desci as escadas e atravessei a casa inteira tentando ser o mais rápido que conseguia.

Pulei na piscina e tirei ela, coloquei no batente da piscina, Soraya gritava, sai da piscina e tentei ouvir seus batimentos, estavam imperceptíveis, comecei a fazer manobra, várias vezes, a cada manobra eu fazia respiração boca a boca, mas ela não estava reagindo, Leone me encontra com os paramédicos, ele me puxa e os paramédicos levam ela na maca, ainda fazendo manobra, levaram ela para a ambulância:

- Ela está intoxicada, façam lavagem. – Eu gritava para eles.

A ambulância saiu rapidamente da mansão e eu estava completamente desolado, sem saber o que fazer, confuso e me sentindo totalmente perdido, nem percebi quando sentei no chão, minha cabeça era invadida por memória sombrias demais, Leone me ajuda a levantar, sinto ele me abraçar na tentativa de me acalmar, ele me ajuda a entrar no carro.

- Tio me leva para o hospital.

- Meu filho não tem o que você possa fazer agora.

- Por favor. – Eu estava chorando.

Chegamos no hospital e tentei saber notícias, mas ninguém sabia nada ainda. Leone foi atrás de uma roupa do hospital e me deu para eu tirar a roupa molhada. Ele me levou para a sala de reunião, sentei na cadeira e comecei a chorar, a dor vinha no meu peito, eu me sentia tão culpado, sabia exatamente que isso podia acontecer e simplesmente não fiz nada.

- Eu sabia e não fiz nada. – Eu falava chorando.

- Meu filho, você não podia saber.

Era mentira, se tinha alguém que poderia saber essa pessoa era eu. As memórias vinham até mim como avalanche e eu não conseguia controlar, não tinha como fugir, a dor estava voltando, mesmo que sabendo que ela nunca tinha ido embora, ela estava me dominando de novo.

- John, não dá para você ficar aqui. Olha o seu estado.

- Tio não vou deixar ela sozinha agora, eu não posso.

Leone sai e volta com um comprimido e água, àquela altura eu não queria nem saber o que estava tomando, eu só queria tirar tudo que estava sentindo de dentro de mim, mas eu sabia que não tinha nenhum remédio no mundo capaz de fazer isso.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora