Capítulo 14

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Emily acabou dormindo comigo, era uma sensação boa acordar com ela do meu lado. Eu acordei mais cedo, escovei os dentes e fiquei admirando sua beleza enquanto dormia, queria experimentar seu beijo assim que acordasse, dessa vez ela não ia poder escovar os dentes antes, queria conhecer cada pedacinho dela. Seus olhinhos se abrem e ao me ver um sorriso lindo aparece, não tinha como evitar o meu.

-Bom dia meu amor. – Digo beijando seu rosto inteiro.

Ela faz uma careta de preguiça, bocejando, até assim ela era completamente linda. A ataco com um beijo quando ela menos espera, dessa vez sinto seu hálito de quem acabou de acordar, ela realmente não tinha defeito.

- Assim não vale. – Ela diz fugindo para o banheiro, para escovar os dentes.

- Amo o sabor da sua boca.

Consigo me levantar devagar e vou até o banheiro ela estava penteando o cabelo em frente ao espelho, a abraço e beijo seu pescoço. O espelho reflete nossa imagem juntos, constatei que ela roubou a beleza do mundo só para ela.

- Fico com vergonha do meu tio. - Pontuo

- Eu conversei com ele, coloquei tudo em panos limpos. Apesar de já termos nos relacionado, não chegamos a namorar mesmo... – Ela parece com vergonha. – Nunca transamos.

- Sério?

- Foi um momento de carência minha, já erámos amigos há um bom tempo por causa do trabalho. Eu estava devastada por causa do meu ex, ele tentou me consolar e acabei beijando-o, ficamos confusos por alguns dias, mas foi só isso. Depois voltei para o meu ex.

- Acho que isso me deixa aliviado. Não que eu me importasse se tivesse acontecido.

- Eu sei. – Ela me beija.

Eu a puxo comigo e me sento na cama, ela se senta ao meu lado.

- Não me importo com seu passado, porque eu também tenho o meu. O meu medo era de que Leone sentisse algo por você e não queria que ele se machucasse. A única coisa que me importa é o seu agora. – Digo olhando nos seus olhos, segurando suas mãos.

- O meu agora é você. – Ela me beija lentamente.

Fomos para a cozinha e Leone já tinha preparado o café da manhã, ele nos recebe com sorriso. Nos sentamos os três e conversamos enquanto comíamos, o clima era tão leve. Nada parecido com o que eu estava habituado, me fez lembrar de Adam, ele sempre me fazia relaxar. Emily teve que sair às pressas, logo após, uma das pacientes estava dando à luz e ela saio correndo. Tentei ajudar Leone com os pratos, mesmo ele reclamando. Enquanto ele lavava os pratos eu secava.

- Tio preciso da sua ajuda!

- No que precisar, meu filho! – Ele me olhando esperando-me terminar.

- Preciso achar um apartamento para alugar.

- Você sabe que pode ficar aqui né? – Ele seca as mãos olhando para mim.

- Eu sei tio, me sinto ótimo com você, mas penso que pode ser a minha oportunidade de ter um canto só para mim. Eu nunca tive um lugar com a minha cara.

- Eu te entendo. – Ele me abraça. – Mas só se for aqui perto.

Ia ser ótimo morar perto dele, a gente se dava muito bem. Voltei a trabalhar em alguns dias, diminui um pouco o ritmo na correria dentro do hospital, com o tempo as dores foram passando. Eu e Emily nos encontrávamos todos os dias e se alguém tinha alguma dúvida que estávamos juntos agora tinha certeza. Não nos preocupávamos mais em esconder nada, quando não tínhamos plantão tentávamos dormir juntos.

Passei uma semana na casa de Leone até conseguirmos achar um apartamento perto do dele, era no mesmo prédio, o aluguel era um pouco caro, mas ele me fez alugar mesmo assim. O apartamento era bem menor que o dele, tinha apenas um quarto, mas era muito espaçoso e bem arrumado. Já aluguei ele todo mobilhado, já que eu não tinha nada para levar. Nem roupa eu tinha direito. Soraya vinha umas duas vezes por semana me ver, trazia algumas peças de roupa e deixava sempre comida congelada. Mesmo eu lhe falando que não precisava e que eu sabia cozinhar.

Eu estava me acostumando com o fato de ficar sozinho no apartamento, ainda era um desafio. Um lugar novo as vezes me deixava assustado. Tive algumas crises durante as noites e alguns pesadelos, saindo das crises sempre com ajuda da medicação. Emily presenciou algumas dessas crises e tentava me ajudar de alguma forma. Ela nunca tinha visto ninguém tento crise de pânico antes, então ela sempre se assustava, o que me deixava bem triste depois. Eu sabia o quanto ela estava tentando, eu odiava fazê-la passar por isso.

Nosso relacionamento estava indo muito bem, ela me apresentou seus amigos, conheci seu pai e a madrasta. Ela não convivia tanto com eles depois que os seus pais haviam se separado há muito tempo, ela morou a maior parte da infância na França com a mãe, veio na adolescência e morou alguns anos com pai, depois voltou para lá, fez a faculdade e veio quando a mãe morreu por causa de um câncer agressivo, decidiu se mudar, pois não se sentia bem em ficar no mesmo lugar em que a mãe tinha sofrido tanto.

Ela conheceu Adam por chamada de vídeo e é claro que ele disse que eu só a procurei na nossa primeira noite porque ele mandou. Conheceu Soraya também, essa era basicamente a minha família e amigos. Só não conhecia Edward porque eu ainda não tinha coragem de pisar na mansão. Mas eu sabia que esse dia estava chegando. Eu precisava conversar com Edward. 

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora