Decidi que dormiria com ela aquela noite no hospital, pedi para que Leone buscasse a mala de maternidade com as coisas dela. Pelo menos para esses primeiros dias, depois eu mesmo pegaria mais coisas. Durante a noite fui várias vezes ver Cecília e ela parecia um bebê calmo, conversei com ela e cantei as músicas que cantava quando ela estava na barrigada, ela respondia a minha voz, se mexendo e chutando, fazia uma caretinha e eu sorria, completamente bobo.
Voltei para o quarto de Sarah e para minha surpresa ela não estava sozinha, era inacreditável a cena que acabo de ver na minha frente.
- O que faz aqui Antony? – Pergunto.
- John, desculpa, eu queria ver como ela estava.
- Como soube que ela estava aqui?
- Está nos jornais John, imagens e vídeos de você fazendo o parto. Imagino que não tenha conseguido parar e ver ainda.
Fico surpreso, realmente eu não tinha olhado nada, nem no celular eu tinha pegado ainda.
- Ela está se recuperando e a minha filha está bem.
- John, posso conversar com você um minuto, eu sei que é um momento conturbado, mas eu preciso muito falar com você.
- Vamos para outro lugar, Sarah precisa de paz.
Eu o levo até a sala de espera que estava vazia, ele se senta em uma das cadeiras e eu permaneço em pé a sua frente, ele parecia emocionado, de um jeito que eu nunca tinha visto antes.
- Eu sempre soube que o filho era seu.
- Antony esse assunto agora não.
- John, me ouve, por favor. – Ele me olha e eu vejo que realmente ele estava chorando, me custou a acreditar naquelas lágrimas.
- Eu sempre amei a Sarah, antes mesmo de vocês começarem a namorar. Eu te apresentei ela lembra?
Era verdade, eles eram amigos de escola e se conheciam há muito tempo, mas Sarah nunca tinha comentado nada que deixasse transparecer a existência de um romance entre eles.
- Ela se apaixonou por você, minha esperança de um dia conquista-la tinha ido embora, eu sabia que minhas chances eram poucas com você no caminho. Por mais que eu não a tivesse eu sabia que você era um cara do bem e que poderia fazê-la feliz. Eu não estava dando em cima dela quando acabamos ficando juntos, ela estava insegura com você e aconteceu. Me arrependo, mas só por ter sido com você, se fosse qualquer outro eu não me importaria, porque ficar com ela sempre foi o meu desejo.
- Antony isso não me importa mais.
- John... quando ela disse que estava grávida eu surtei porque eu sabia que eu não podia ser o pai. Eu sabia que a perderia para sempre, eu não suportei imaginar ver vocês juntos de novo e com um filho.
Olho-o com confusão, ele baixa a cabeça e respira fundo.
- Eu sou estéril, não posso ter filhos. Todas as vezes que me viu negando a paternidade de outras meninas era por esse motivo. Eu não podia ser o pai.
- Antony, você tem problemas! – Fico possesso de ódio. - Você fez Sarah se sentir suja, ela foi ao laboratório fazer um teste de paternidade, as pessoas olhavam para ela sem nenhum respeito. Os pais dela a expulsaram de casa por ela não saber quem era o pai da criança. Ela pensou em tirar a minha filha... – Lembrar disso me doía. - Você a fez passar por tudo isso por orgulho? – Minhas mãos fechadas batem na parede com ódio.
- Eu sei John, eu não a mereço, nunca a mereci. Eu sou um homem horrível. Tive vergonha de dizer que era incapaz de ter um filho.
- Antony, isso não diz respeito a você. Não vire o jogo. Eu só quero que você tenha a dignidade de esperar ela melhorar, que não conte isso para ela agora. Ela tem uma filha que precisa dela. E eu não vou deixar você estragar esse momento.
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As marcas do medo.
RomanceJohn é um jovem médico que há anos luta contra as crises de pânico. Sua vida sofre diversas reviravoltas levando-o a ficar cara a cara com os seus traumas, deixando ainda mais intensa as suas crises e seus medos. O dinheiro não era capaz de lhe comp...
