Passamos a semana praticamente em casa, indo apenas para o trabalho, no hospital eu era bombardeado por repórteres buscando alguma informação sobre o meu pai, queriam que dissesse se tinha conhecimento do que acontecia na mansão e com Liz, era desagradável ser perseguido assim, logo as pessoas começaram a saber que eu tinha socorrido Liz, até os colegas tentavam saber de alguma coisa. E eu não sabia o que podia dizer ou o que eu queria dizer.
Ele mostrou o que tinha recebido, me senti mais confiante. Expliquei que já tinha passado por muitas situações com meu pai o que incluía ameaça, caso me envolvesse entre ele e Liz. Peço para que ele mantenha a minha confissão em sigilo. Dou minha carta para ele ler, ele verifica a grafia e compara as letras, permito que ele tire foto apenas do final da carta para comparar com as outras, não queria ser apontado como possível testemunha.
- Meu filho vai nascer a qualquer momento e eu conheço Roberto como ninguém, sei do que ele é capaz, não quero que essa carta caia nas mãos dele ou que ele tenha conhecimento que Liz me mandou. Ele tem amigos policiais dos quais sempre encobrem seus crimes. Acho que com todas as provas que Liz conseguiu juntar vocês podem entender a dimensão disso.
Mostro meus laudos médicos de quando ele me espancou e cortou a minha mão.
- Você foi assaltado?
- Não, ele me espancou com um taco de beisebol. Por ter tentando evitar que ele a machucasse, fiquei alguns dias no hospital e tive essas lesões que você pode ver.
- Esse outro diz que você teve um acidente doméstico.
- Ele rasgou a minha mão com um canivete suíço, eu estou fazendo residência para ser cirurgião, essa foi a forma que ele encontrou para me amedrontar e manter distância dela. Ele me ameaçou caso eu não me distanciasse. Apesar disso tudo eu nunca tive conhecimento de todos os fatos, eu a ouvia chorar todas as noites e de alguma forma sabia que ele podia estar por trás. Ele sempre foi muito violento com as esposas.
O policial me agradeceu pelo relato e me deu seu telefone caso precisasse de alguma coisa, guardei na agenda do celular e pedi para que Leone fizesse o mesmo. Roberto estava foragido, a polícia finalmente tinha se pronunciado e estavam procurando seu paradeiro, pelo que víamos e tínhamos informações as provas que Liz conseguiu eram incontestáveis. Era assustador todo mundo saber que Roberto era um doente, pela primeira vez eu não precisava fingir, mas por outro lado as pessoas me olhavam torto, acabavam associando a minha imagem a dele. Comecei a usar o nome da minha mãe nos atendimentos, mudei meu crachá e carimbo, pedi para que me chamassem de Jonathan Evans dentro do hospital.
Leone cogitou a possibilidade de nos mudarmos depois do nascimento do bebê, toda a exposição deixou nosso endereço vulnerável as tentativas de entrevista de repórteres. Me sentia um pouco constrangido, não queria fazê-lo perder o apartamento, ele deu a ideia de alugarmos o apartamento e com o dinheiro pagarmos uma casa em um bairro mais calmo. De qualquer forma dava tempo de pensar até o bebê nascer.
Já tinha mais de dez dias desde toda a loucura sobre a morte de Liz, as coisas estavam começando a ficar mais calmas, procuramos não nos aprofundar muito das notícias, não me fazia bem, o fato de pensar que Roberto estava solto me dava medo. Pelo menos o Edward estava com a mãe e eu consegui vê-lo algumas vezes, a mansão estava fechada e sob domínio da perícia. Soraya estava nos ajudando, ela vinha todas as manhãs, mesmo eu lhe dizendo que não tinha necessidade, que ela podia descansar.
Sarah estavam bem e o bebê também, tínhamos ido ao obstetra e em algumas semanas o bebê já poderia nascer. Ela ainda estava com a pressão oscilante, ele nos recomendou verificar constantemente e qualquer mal-estar era para irmos ao hospital. Por sorte ela não tinha nenhum sintoma, a barriga tinha crescido extraordinariamente, era difícil convencê-la a sair um pouco, ela se sentia muito cansada, seus pés e pernas doíam pelo inchaço.
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As marcas do medo.
RomantikJohn é um jovem médico que há anos luta contra as crises de pânico. Sua vida sofre diversas reviravoltas levando-o a ficar cara a cara com os seus traumas, deixando ainda mais intensa as suas crises e seus medos. O dinheiro não era capaz de lhe comp...
