Capítulo 5

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Amanheci cansado a semana foi exaustiva em relação aos estudos, tomei um banho quente na banheira e fiquei ali por um tempo, era uma manhã fria de sexta-feira, depois que saio do banho vejo a ligação perdida de Adam e retorno. Era sempre bom falar com ele.

- John, como você está?

- Sobrevivendo meu amigo.

- E a Emily?

- Tivemos outro encontro depois da festa... – Digo tentando evitar.

- Então?

- Então que percebi que não estou pronto para me relacionar. Ainda penso muito em Sarah. – Disse de forma triste.

- É a chance de esquecê-la, John.

- É o que eu mais quero, mas fiquei muito mal depois. Acho que tenho que catar os cacos do meu coração primeiro.

- Tudo ainda é muito recente.

- E como ela está? – Me arrependi na mesma hora que perguntei.

- John, você quer mesmo saber? – Pelo seu tom era obvio que ela estava ótima.

- Não sei, mas também quero acabar com o resto da ilusão que me consome.

- John... Ela virou a página. – Aquelas palavras doeram, foi como uma faca no meu peito. Para Adam falar daquele jeito, ela estava muito bem, ele sempre era muito direto. - Eu sei que doí meu amigo. Por favor não se entregue. – Ele continua ao perceber meu silêncio.

- Eu não sei o que faço para esquecê-la Adam. Tenho medo de nunca conseguir... – Meus olhos se enchem de lágrimas a imagem dela vem a minha cabeça, sinto um arrepio.

- Como eu sempre digo a gente esquece um amor com outro. – Seu tom cômico, me faz rir, não consigo evitar.

- Só você para me fazer rir da minha própria desgraça. – Rimos

- É para isso que servem os amigos.

- Vou esquecer esse amor com o meu outro amor, o trabalho. - Pontuo

- Essa também é uma boa ideia. Não acho que posso te dar conselhos, minha vida amorosa é uma piada. Só não é pior que a sua. – Ele ri

Ele me contou seus últimos encontros amorosos e era impossível não ri, ele era tão ruim quanto eu no amor. Eu adorava a capacidade de Adam de ver o lado bom de tudo, até dos seus romances fracassados. Conversamos por quase uma hora e evitei ao máximo falar de mim e de Roberto, mesmo que ele tentasse saber o que estava acontecendo, não contei nada sobre o murro que levei, contei apenas sobre o pronunciamento da nova esposa.
O resto do dia foi tranquilo, fiquei praticamente todo o tempo na biblioteca, nem vi o tempo passar, já era noite quando término os estudos e vou para o meu quarto, pensando em como sobreviver ao final de semana, sem dúvida eram os dias mais difíceis naquela casa.

Passei pelo corredor do quarto e escuto ruídos vindo da porta de Liz, paro um momento em frente a porta para tentar identificar. Parece um choro, um pouco abafado, talvez não quisesse fazer barulho. Imagino que talvez ela tenha percebido muito cedo no que estava se metendo. Era melhor eu passar direto e não me meter, já tinha me arriscado demais em tão pouco tempo. Sigo meu caminho e vou para o meu quarto. Não consigo dormir muito bem, fico pensando no choro dela, me sentindo sufocado com os pensamentos, estavam embaralhados sem sentido nenhum.

Eu pensava no sofrimento de Liz e de todas as mulheres que Roberto se envolvia, vê tanta coisa absurda e não poder fazer absolutamente nada era aterrorizante, nem para a polícia eu podia ligar se algo acontecesse, pois ele tinha diversos conhecidos que o acobertavam, arquivavam documentos, forjavam e escondiam provas.
O que me resta é torcer para que essa menina consiga fugir dessa relação, antes das coisas ficarem muito ruins, esperava que ela tivesse o mínimo de apoio para isso. Acabo lembrando de Sarah, a imagem dela machucada no quarto quando a empurrei vem na minha cabeça, a culpa era incrivelmente atroz comigo.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora