Capítulo 32

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Sarah estava vendo apartamento no mesmo prédio, um menor, essa era uma parte que eu não sabia exatamente se estava preparado, mesmo sabendo que aconteceria uma hora. Fomos ver um apartamento, era bem perto do de Leone, o que era muito bom, ainda assim meu coração ficava apertado.

- John, eu adorei esse. Acho que vou fechar.

Era lindo, bem arrumado, tinha dois quartos, um dos quartos já estava decorado como se tivesse sido de alguma criança anteriormente, era fácil vê-las ali.

- Tem certeza que é a melhor hora? Podemos esperar mais.

- John, eu sei que é difícil. Mas combinamos que moraríamos perto e assim você poderia ver Cecília sempre que quisesse. Teremos nossa privacidade de volta. Você vive em nossa função e isso não está certo.

- Como vamos organizar isso?

- Você dorme com ela quando não tiver plantão, com o passar do tempo vamos definindo tudo. John, nunca vou te afastar de Cecília, você vai ter acesso livre a esse apartamento, vou te dar uma chave. Poderá entrar quando precisar vê-la ou qualquer coisa do tipo. Somos amigos.

Eu a abraço, tínhamos construído uma relação muito boa de amizade, era incrível como tudo isso nos aproximou. Sarah tinha razão, precisávamos viver as nossas vidas. Minha vida hoje girava em torno da minha filha, até Adam começou a vir me encontrar em casa nos finais de semana, bebíamos alguma coisa e conversávamos, ele sempre insistia para sairmos, queria me apresentar amigas, mas eu não me sentia bem com isso. A verdade é que eu estava em uma zona de conforto e qualquer mudança me causava medo, tudo estava indo bem demais, mudar era algo que sempre me gerava angustia. O medo das coisas darem errado.

Ajudei Sarah a fazer a mudança, até que não tivemos tanto trabalho, separamos algumas roupas e dividimos entre nós dois para facilitar os dias em que ela ficasse comigo. Era minha primeira noite sozinho, tinha mais de um ano que sabia o que era chegar em casa e ter alguém me esperando, não fazia a mínima ideia como seria isso agora, minha cabeça se mantinha ocupada sabendo que Cecília estava sob meus cuidados, ou acreditando fielmente nisso. Teria que me habituar a essa nova mudança.

Adam sabia da minha situação e me chamou para sairmos, era a sua tentativa de me animar, apesar do pouco clima, concordei, tinha meses que lhe devia uma saída. Fomos para um barzinho, nos acomodamos em uma mesa e pedimos cerveja.

- John, tem uma mulher te olhando ali na outra mesa. Vai lá.

- Adam, para. Não vai me fazer passar essa vergonha agora, tem mais de um ano que não chego em ninguém, sei nem como fazer mais isso.

- John, a verdade é que você nunca soube né? Tanto Sarah quanto Emily que tiveram iniciativa, se depender da sua habilidade, você nem namora.

- Vamos brindar a minha ótima habilidade em chegar nas mulheres. – Brindamos e rimos.

- Meu amigo está na hora de viver mais, deixa eu te apresentar uma amiga, ela se interessou muito quando mostrei uma foto sua.

- Você anda mostrando fotos minhas? – Tomo um gole da minha cerveja.

- Alguém tem que fazer o papel de cupido, já que nem em aplicativos de paquera você quer entrar.

- Depois você me passa o número dela, vou tentar marcar alguma coisa.

- Não, eu mesmo marco, você só vai ter o trabalho de ir. Na verdade, eu poderia falar com ela agora, podemos ver se ela pode vir.

- Pensei que a noite era nossa.

- Sem essa cara, eu te vejo quase todos os dias e você precisa de um encontro urgente. Depois você me agradece.

Depois de mais ou menos uma hora a amiga de Adam apareceu no bar, ela era muito bonita, seu cabelo era curto e ruivo, tinha algumas tatuagens visíveis que combinavam muito com o seu estilo despojado, era uma mulher muito atraente.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora