Capítulo 38

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Emily me acompanhou o dia inteiro, até o nosso horário do plantão. Fomos juntos para o hospital, andamos pelos corredores lado a lado, os colegas nos olhavam com curiosidade, outros que já nos conheciam sorriam quando passava por nós, não dava para esconder a felicidade que estava sentindo. Levei-a até a maternidade e nos despedimos com um beijo.

- Quando estiver livre me avise para tomarmos um café. – Ela diz com sorriso.

Apesar de ter sido um plantão agitado e o cansaço, eu estava feliz, no meio da madrugada quando o ritmo se acalmou nos encontramos na sala de descanso, ela estava me esperando sentada na cama. Não escondi o sorriso de satisfação em abrir a porta e vê-la ali. Peguei nossas canecas de café e brindamos, sentei ao seu lado, ela se inclinou e se apoiou em meu ombro, era essa calma que eu queria para toda a vida. Depois que tomamos o café, deitamos juntos e descansamos um pouco, eu estava com muito sono, dias sem dormir junto com a exaustão emocional dos últimos acontecimentos.

Liguei para Callie e Adam para jantarmos, era sábado, Leone estaria no hospital então os chamei para o apartamento. Emily chegou um pouco mais cedo para me ajudar, estava linda, usava um vestido preto, seus cabelos longos e negros. Ela sentou próximo a bancada, estava me olhando fui até ela e lhe dei um beijo, sabia que estava tensa por causa de Callie.

- O que te preocupa?

- Não sei, acho que estou com ciúmes. – Ela desvia o olhar e parece tímida, eu a seguro seu queixo para que me olhe.

- Eu te amo. Callie e eu somos amigos, não precisa ter ciúmes.

- Eu sei.

- Mas pensando bem você fica linda com ciúmes e o meu lado inseguro agora acaba de ser enaltecido. – Sorrio para ela e a beijo.

Escutamos a campainha tocar, Emily se balança na cadeira se arrumando para recebê-los. Fui até a porta e abri, era Callie e Adam. Nos abraçamos e os guiei até a mesa, Emily levantou-se para cumprimenta-los, abraçou Adam primeiro e depois Callie, peguei o vinho e distribui nas taças, sentamos. Dei um copo com suco para Callie, ela não podia beber por enquanto.

- É como se eu já a conhecesse de tanto que John fala de você. – Callie fala enquanto bebe o suco.

- John me contou que são muito amigos.

- Sim, nos conhecemos através de Adam. Não vou mentir Adam fazia muita propaganda. – Callie sorri.

Adam me olha um pouco constrangido, ele não conhecia tão bem Emily e estava com vergonha.

- Adam e sua mania de cupido. – Digo sorrindo, Emily sorri também.

- Só chegou em Emily por causa de mim, também. Uma tinha que dar certo.

- Isso é verdade.

- Como vocês se conheceram? – Pergunta Callie.

- Eu fui professora de francês dele, quando ele era adolescente, fiquei um ano dando aula até sair do país para morar com minha mãe.

- Eu era apaixonado por ela nessa época, eu tinha 13anos  mais ou menos, ela já era universitária, obviamente nunca disse nada. – Completei.

- E eu tinha que ouvir sobre Emily o dia inteiro. – Sorrimos.

- Isso não mudou muito. – Callie pontua sorrindo.

- Com amigos como vocês quem precisa de inimigos? – Bebo um pouco do vinho.

- Tenho uma amiga que era próxima da família de John e ela sempre me chamava para ir a esses eventos na casa do pai dele, só para fazer o social e depois saímos para beber alguma coisa. Nessa noite vi um rapaz bonito descer as escadas, elegante e me chamou muita atenção. Vi quando o pai o apresentou e me dei conta que era o John. Fui até ele e dei meu número, alguns minutos depois ele foi me procurar.

- Conseguiu um milagre, fazer esse homem tomar iniciativa.

- É aí que eu entro. – Diz Adam. – Eu sou o milagre.

Com um tempo de conversa Emily estava mais à vontade na presença de Callie. Adam me chamou na varanda, deixamos as duas sozinhas.

- Meu amigo eu sei que você está bem com Emily e eu fico muito feliz por vocês. Não queria estragar esse momento com esse assunto, mas não tivemos nenhum momento para conversar sobre Roberto. Queria saber como você está depois daquele dia.

- Emily tem me ajudado muito, tive algumas crises e pesadelos a noite, mas vem melhorando com o passar dos dias, consegui levar o assunto para a terapia. É um dia de cada vez.

- Eu desconfiava que ele estava por trás do que aconteceu, desde o primeiro dia que te vi no hospital, quando te perguntei e você me falou que não lembrava, eu senti que tinha algo por trás.

- Você me conhece muito bem, foi muito difícil mentir para você todos esses anos. Mas eu tinha medo do que ele poderia ser capaz, minha cabeça estava confusa demais.

- Pelo menos agora ele está longe.

Ficamos uns minutos a sós, quando Adam foi fazer companhia para as meninas eu fiquei mais um pouco na varanda, pensar em Roberto me dava um calafrio, preferiria que tivessem encontrado ele, já era mais de dois anos sem nenhum sinal dele, provavelmente estava em outro país.

- Pensamento longe... – Era Callie.

- Um pouco. Como foi com Emily?

- Ela é incrível, consigo entender o motivo de tudo que sente. Apesar de ainda ter um lado meu que tomou todas as suas dores, mas é quase impossível não gostar dela. – Ela sorri.

- Nesse ponto é verdade. Eu queria muito que se dessem bem, pois não vou me afastar de você. – Ela me abraça com carinho.

- Eu sei John, estou com você no que precisar. Quero me aproximar dela, seremos um quarteto fantástico. Como o seu primeiro plano deu certo posso sugerir para Adam, só não vai ter a parte do sexo. – Sorrimos.

- Nessa parte ele não vai poder te ajudar mesmo.

- John, eu percebi o quanto ela gosta de você também. Não posso mentir que fui um pouco invasiva. – Ela sorri. – Pressionei um pouco, senti que ela está aqui para valer.

- Ela me passa muita segurança, apesar do nosso termino repentino. Eu sou inseguro, mas ela me faz acreditar que o que sentimos é real.

- Não tenha medo John, aproveite todo esse sentimento que vocês nutrem. Eu não acredito no amor, mas talvez vocês me façam acreditar um dia. Quem sabe?

- Callie falando de amor é realmente uma novidade.

- Não se acostume, deve ser os hormônios. Agora que subimos o último degrau da amizade já posso te mostrar os meus pretendentes?

- Pode sim. – Rimos. – Como vocês estão? - Faço uma carícia na barriga que já estava mais visível.

- Estou me acostumando com a ideia, os enjoos são a pior parte, estou passando um tempo na casa da minha mãe. Meu pai não desgruda. Eles estão me dando muita força, estão se reaproximando por minha causa, não posso mentir que está sendo uma mudança boa.

- Eu fico feliz em te ver assim. Não se cobre tanto, viva um dia de cada vez.

- Falou o cara que quase não se cobra. – Ela diz sorrindo e acabo sorrindo, percebendo o quanto é fácil falar e difícil de fazer.

A barriga de Callie estava um pouco mais acentuada, não era tão evidente mas dava para notar a gravidez. Ela não quis procurar mais pelo pai do bebê e por um lado a entendo, era melhor ela evitar esses conflitos e decepções momentâneas. Quando todos foram embora eu e Emily nos deitamos juntos na cama, ela me olhava um pouco confusa.

- Callie está grávida? – Ela me perguntou um pouco tímida.

- Sim, mas não sou o pai. – Falei rapidamente e não controlei o sorriso depois. Ela acabou rindo, também.

 – Ela passou por momentos complicados e nossa amizade cresceu muito com tudo isso.

- Deu para perceber como são próximos. – Ela beija a minha mão. – Desculpa o ciúme, não quero afastar você de ninguém que te faz bem, ela é uma ótima amiga e tenho certeza que vamos nos dar bem.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora