Capítulo 3

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Vesti um smoking preto, que Soraya havia providenciado, o que me fez pensar como tudo naquela casa era resolvido rápido, o smoking tinha o tamanho perfeito, resolvi não usar a gravata, sabia que Roberto não aprovaria, isso me fez rir, imaginando-o irritado, com certeza ele entenderia aquilo como uma afronta.

A roupa escondia seu estado atual, fazendo me sentir muito bem com a minha aparecia. Faltava cinco minutos para o horário quando Soraya apareceu no quarto.

- Está tão lindo querido, é incrível o quanto se parece com a sua mãe. – Ela suspira.

- Tem muito tempo que não tenho mais seu rosto em minhas memorias, nem a sua voz... – Não consigo esconder o tom triste da minha fala.

- Desculpa meu filho, não quis te entristecer. Estava tão sorridente.

- Não se preocupe. Gosto de falar dela, quase não se pode falar por aqui. Fico feliz em parecer com ela.

- Desça meu filho, os convidados já estão chegando. – Soraya fala enquanto me expulsa do quarto.

Desço as escadas e me impressiono com a arrumação da casa em tão pouco tempo, garçons por toda parte servindo aperitivos e bebidas, a sala era enorme e mesmo assim estava cheia de gente, devia ter no mínimo cem pessoas espalhadas por ali, muitos perceberam a minha chegada e me olhavam, alguns já me conheciam outros nunca tinham me visto antes. Vejo meu pai no fim da escada me esperando. Termino de descer todos os degraus e o cumprimento, de forma habitual durante eventos. Ele cochicha no meu ouvido:

- Ficou muito bem com smoking que escolhi, não me impressiona o fato de não está de gravata, sempre tentando me contrariar. – A sua voz calma ecoa no meu ouvido, suas palavras me fazem travar.

- Não sei dar o nó da gravata. – Dou de ombros, justificando.

Ele não esperava uma resposta, mas apenas me olhou e ignorou o que eu disse, me levando para o meio da multidão. Chama a atenção de todos batendo na taça com um talher. Todos ao redor olham para nós.

- Este é meu filho Jonathan, muitos aqui já o conhecem, outros não. Então gostaria de apresentá-lo. Jonathan esteve fora para completar seus estudos, hoje é médico de excelência e está de volta à Nova Iorque.

As pessoas começam a bater palmas para mim e eu conseguia perceber os olhares de curiosidade, fico ligeiramente tímido. Nunca estive habituado a esses eventos, me sinto constrangido, principalmente por não esperar essa atitude dele, que sempre me manteve distante da sua vida social. Eu agradeço cordialmente acenando com a mão para todos. Roberto mais uma vez cochicha no meu ouvido:

- Aproveite as oportunidades. Faça valer o meu nome, não me decepcione.

Ele se afasta para falar com outras pessoas, me sinto deslocado e tento achar algum rosto familiar, sem muito sucesso, pego um drink e vou para o jardim, que era enorme e estava decorado com luzes por toda a parte, o ambiente está mais calmo do lado de fora, me sentindo melhor ali, longe dos olhares, estava pensando em toda essa loucura e se é isso que eu realmente queria para mim, sinto-me como um peixe fora d'agua. Conhecia-me o suficiente para saber que nada disso me fazia vibrar.

Uma mulher muito arrumada, me encara e sorri, acabo sorrindo de volta e aceno de forma tímida, ela começa a andar em minha direção, bebo um gole do drink, tentando achar a coragem no álcool. Ela se aproxima de mim, quanto mais perto, mais nervoso eu fico, ela era muito bonita, dava para ver quando ela estava mais perto. Enquanto andava vários homens viravam para olhá-la, mas ela não devolvia o olhar, estava apenas olhando para mim e eu não fazia a menor ideia de quem era, se conhecia de alguma forma, não me lembrava.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora