Cheguei ao apartamento e Leone estava preparando o jantar, depois de dar banho e arrumar Cecília nos juntamos a ele, no meio do jantar ele foi chamado com urgência pelo hospital, praticamente engoliu a comida e saiu correndo. Levei Cecília para o seu quarto, preparando-a para o sono, brincamos até que ela pegou o livro dos três porquinhos, coloquei ela na cama e me deitei ao seu lado, li a historinha até ela dormir, tive que repetir duas vezes. Fiquei alguns minutos observando-a dormir, era bom tê-la pertinho de mim, era incrível o quanto ela estava adaptada a essa rotina de duas casas, duas criações. Ela era uma criança calma e livre, estava sempre sorrindo, além de muito carinhosa e desinibida.
Antes de ir para o quarto passei na cozinha e bebi um copo de água. Após um banho quente, deitei na cama e por incrível que parece o sono veio logo. Acordei com um pequeno barulho vindo da babá eletrônica, levantei para ver na câmera, observei que tinha um movimento estranho, meu coração gelou completamente.
- John, eu sei que está me ouvindo. Deixe tudo aí e venha.
Localizei o sensor do lado da babá eletrônica e apertei várias vezes seguidas. O celular estava na minha mão abri rapidamente e mandei uma mensagem para Leone, escrevi apenas uma palavra esperando que ele entendesse o recado: ROBERTO. Nem chequei nada, peguei a babá eletrônica.
- Deixe ela em paz.
- Está assustado né? Eu poderia fazer várias coisas agora. – Ele disse sentando na poltrona ao lado da cama de Cecília. Percebi que ele estava armado.
Corri para o quarto, tentando manter silêncio para Cecília não acordar, abri a porta com cuidado. Ele estava ali na minha frente, sentado com a arma na mão. Levantei os braços, sinalizando que não tinha nada, ele levantou lentamente e passou uma das mãos no rosto de Cecília, há essa altura eu já estava suando frio.
- Roberto deixe minha filha em paz, ela é só uma criança. Seu problema é comigo.
- Hum... interessante. Me convença a sair daqui. – Sua voz era baixa, pontuada e fria.
- Faça o que quiser comigo, mas deixe minha filha em paz, por favor.
- Esse é um bom argumento. Vou permitir que se despeça da sua filha, seja rápido, antes que eu mude de ideia, estou te esperando na sala. Não pense em fazer nenhuma besteira.
Ele passou por mim na porta, meu coração estava acelerado, o medo tomou conta de mim. Só pensava em como poderia atrasar ele, tinha medo de morrer e ele levar minha filha ou fazer algo com ela. O maldito voltou só para tirar tudo de mim de novo e mais uma vez eu não tinha como me defender. Fui até a minha filha, que dormia como um anjo e nesse momento eu pedi a Deus, ou a qualquer divindade que pudesse me ajudar, não sabia se merecia qualquer benção, mas a minha filha merecia, disso eu tinha certeza.
- Senhor proteja minha filha. – Era só isso que eu queria. Cheguei pertinho do seu rosto tentando controlar as lagrimas. – Eu te amo, meu amor. Vou te amar sempre.– Falei baixinho em seu ouvido e beijei sua testa.
Pensar que poderia morrer e ela não iria lembrar de mim, destruiu meu peito. Sai com o coração apertado e doendo, peguei a chave da porta e tranquei por fora, coloquei a chave no bolso da calça de moletom e caminhei até a sala, Roberto estava sentado, apontou o lugar que eu deveria me posicionar, fui de mão atadas. Eu fiquei bem a sua frente, ele estava sentado em uma das cadeiras sala.
- Qual o motivo de querer me matar? – Perguntei.
- Não se faça de sonso... Sabe que eu odeio quando finge de desentendido.
- Não faço ideia do que está falando.
- Esperei dois anos por esse momento, a poeira baixou e as pessoas me esqueceram, só para valer o dia que cortei sua mão. Eu te avisei para não se meter no meu caminho e você finalmente conseguiu tudo que queria, tirar tudo de mim.
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As marcas do medo.
RomanceJohn é um jovem médico que há anos luta contra as crises de pânico. Sua vida sofre diversas reviravoltas levando-o a ficar cara a cara com os seus traumas, deixando ainda mais intensa as suas crises e seus medos. O dinheiro não era capaz de lhe comp...
