O esperado dia da alta, estávamos nos preparando para sair do hospital, obviamente eu não dormi mais uma noite com a minha ansiedade tive os mais variados medos durante as horas em claro, nem o calmante foi capaz de me fazer dormi, imaginava Cecília sufocando, engasgando e mesmo eu sabendo muito bem o que fazer, o medo me paralisava me causando muita angústia. Com ajuda de Leone e Adam saímos do hospital, agora era eu e Sarah para desvendar esse novo mundo.
Chegamos ao apartamento, Sarah estava com Cecília no colo, acomodei as coisas no quarto delas, nossa primeira noite sozinho. Sentamos na cama e nos olhamos, seu rosto também mostrava o quanto ela estava insegura, tinha me preparado muito cedo para minha vida profissional, fui para a faculdade com 16 anos, nunca me imaginei pai, quanto mais aos 25. Não tinha conseguido nem me estabelecer na residência e agora me perguntava como eu iria conseguir manejar isso, sabia que não ia adiantar me precipitar, mas com os poucos dias eu já imaginava que teria que fazer escolhas.
-Você está com medo? – A voz de Sarah interrompe os meus vários pensamentos.
- Se te dissesse que não, estaria mentindo, estou com muito medo. – Finjo um sorriso.
- Eu também, quando a gente namorava nunca falamos sobre filhos e agora olha só.
Era verdade Sarah assim como eu tinha muitos planos profissionais, tinha acabado de se formar e estava trabalhando em um escritório de advocacia, como ela sempre sonhou, com a gravidez as coisas mudaram de rumo.
- Sei que não vai ser fácil... – A envolvo em um abraço, me aproximando de Cecília. – Mas estamos juntos nessa, estou disposto a dar o meu melhor. – Beijo a mão da nossa filha.
- Você vai dormir aqui hoje?
- Se isso te deixar mais confiante eu durmo, passo até a noite em claro se quiser. Você precisa dormir para ter mais leite. – Ela sinalizou que sim balançando a cabeça.
A produção de Sarah ainda estava devagar por causa da distância que elas ficaram. Enquanto Sarah amamentava, fui até o meu banheiro tomar um banho, decidi que merecia ficar na banheira um pouco e tentar relaxar, não sabia quando teria tempo de fazer isso de novo. O hospital me deu alguns dias de licença até lá eu teria que decidir o que fazer. Provavelmente teria que largar a residência, o custo da bolsa faria falta, mas não via outra saída. Eu trabalhava todos os dias sete horas e dava plantão um dia sim e um dia não, mesmo abandonando a residência ainda teria que dar pelo menos dois plantões por semana.
Minha cabeça estava cheia, pensava nas questões financeiras, mesmo Leone tentando me tranquilizar, eu não podia passar a responsabilidade para ele. Sabia que pensar tanto daria início a minha crise de ansiedade, era difícil fugir dos próprios pensamentos. Pensei em ligar pra Emily, sua voz me acalmava, mas eu não sabia se ela queria falar comigo. Será que era uma boa ideia? Não queria invadir sua paz, decidi mandar uma mensagem: "Queria ouvir sua voz. ", enviei, ela não respondeu, provavelmente não se sentia bem em falar comigo. É inevitável me sentir culpado por mandar mensagem, ótimo, mais um sentimento para se unir aos outros.
Saio da banheira, o estado de espera pela resposta me dava uma sensação muito ruim, decidi deixar o celular no banheiro para evitar olhar a cada segundo, fui para o quarto me arrumar. Escuto batidas na porta, era Leone, ele entra e senta na cama, eu sento ao seu lado.
- Como você está meu filho?
- Difícil dizer... – Abaixo a cabeça tentando achar as melhores palavras para me expressar. – Estou feliz e ao mesmo tempo tenho medo. Minha cabeça não para um segundo de pensar em milhares de situações. Meu futuro está incerto e tenho uma filha que depende mim e indiretamente uma mulher.
VOCÊ ESTÁ LENDO
As marcas do medo.
RomanceJohn é um jovem médico que há anos luta contra as crises de pânico. Sua vida sofre diversas reviravoltas levando-o a ficar cara a cara com os seus traumas, deixando ainda mais intensa as suas crises e seus medos. O dinheiro não era capaz de lhe comp...
