Capítulo 35

20 4 0
                                        

Acordei cedo, tínhamos marcado de nos encontrar no parque, assim que levantei lhe mandei uma mensagem avisando que em cinco minutos estaria saindo de casa, ela não me respondeu, imaginei que tinha acordado atrasada e estava tentando se arrumar as pressas, como era de costume. Callie definitivamente era a pessoa mais atrasada em tudo que eu já havia conhecido, o que me tirava completamente da minha zona de conforto. Sabendo disso, fui para o parque e esperei no mesmo lugar, logo ela apareceria agitada e ofegante, quase colocando todos os orgãos da boca para fora. Esperei para ver essa cena praticamente rotineira.

Callie estava demorando muito mais do que o habitual, peguei o celular para ligar para ela. Chamava e ela desligava, mandei mensagem perguntando se estava tudo bem e ela não respondia.

Comecei a imaginar milhares de coisas ruins automaticamente: será que ela estava magoada com alguma coisa? Eu tinha feito ou dito algo? Não me lembrava de nada que eu tivesse feito. Até me atentar que Callie também tinha ansiedade e apesar dela está estável há um bom tempo, não é algo que vá embora assim, tive medo de que alguma coisa tivesse desencadeado uma crise nela. Voltei para casa em passo acelerado, talvez ela estivesse passando por alguma situação, seria melhor eu me certificar que ela estava bem. 

Cheguei até o estacionamento, peguei o carro e dirigi até o apartamento dela. Subi as escadas e bati na porta várias vezes seguidas, ouvi seus passos até a porta.

- John, não posso falar agora. – Sua voz estava nitidamente estremecida, como se estivesse chorando.

- Callie, não vou sair daqui até você abrir a porta. Só quero ver como você está, depois pode me botar para fora.

Escutei a porta sendo destrancada, ela não abriu, esperei um pouco e abri pelo lado de fora. Ela não estava atrás da porta, assim que fechei a procurei pela casa e ela estava encolhida no sofá da sala, eu nunca tinha a visto daquele jeito, cheguei mais perto e acolhi em um abraço, ela chorava desesperadamente. Mantive o abraço na esperança que isso a acalmasse, mas ela não estava nada bem, deitei a em meu colo e deixei que ela chorasse enquanto eu fazia carinho em seu cabelo. Fiquei em silêncio esperando que ela se acalmasse.

- Vou pegar uma água. - Disse quando sua respiração ficou menos ofegante e as lágrimas menos constantes. Ela levantou do meu colo e se encolheu entre as pernas.

Voltei com o copo de água nas mãos e sentei ao seu lado, lhe entreguei o copo e a envolvi com um dos meus braços em seu ombro. Ela bebeu alguns goles de água ainda fungando e colocou o copo na mesinha de centro, abaixou o rosto entre as pernas e continuou a chorar. Fiz cafuné em sua cabeça e me mantive em silêncio, não sabia o que dizer para que ela se sentisse melhor, só queria que ela soubesse que não estava sozinha. Ela colocou um objeto na minha mão, quando meus olhos fitaram e entenderam o que aquilo significava fiquei completamente em choque.

- John, eu estou grávida. – Ela disse sem me olhar. Meu coração gelou e automaticamente a minha mão paralisou em sua cabeça.

Comecei a relembrar todas as vezes que tivemos relações, já tinha muito tempo desde a última vez e nenhuma delas foi sem proteção.

- Não é de você. – Ela pontuou percebendo minha tensão. Ela voltou a chorar desesperadamente, imediatamente me lembrei de Sarah e o quanto ela estava fragilizada quando me contou sobre a gravidez.

- Ei, você não está sozinha. – Disse pegando uma das suas mãos. – Eu sei que é assustador, mas vai passar.

- Não John, eu não quero ser mãe. – Ela estava completamente devastada. – Eu me preveni, não consigo entender.

- Você sabe quem é o pai? – Disse em tom baixo, um pouco envergonhado, não queria que ela se sentisse julgada.

- Sei. - Ela pontuou, sem me olhar.

As marcas do medo.Onde histórias criam vida. Descubra agora