Epílogo

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Luc

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Luc

A sensação de liberdade que experimentei era tão doce quanto o aroma da primavera depois de um inverno rigoroso. Era impossível acreditar que eu havia passado mais de três mil anos, preso naquela floresta, onde o tempo parecia ter perdido o significado e a esperança era apenas uma vaga lembrança.

Eu odiava como os Deuses brincavam com o meu destino, como se minha vida fosse um mero brinquedo em suas mãos.

Eu também era um Deus e por isso não tolerava tal desrespeito.

Eles deveriam me tratar com a devida reverência.

Agora, finalmente livre, eu respirava o ar fresco e sentia a brisa tocar meu rosto. Saboreei a sensação de ter o mundo inteiro ao meu alcance.

Quando o sangue da garotinha imortal desceu pela minha garganta, senti uma onda de conhecimento fluir pelo meu corpo. Descobri que ela tinha uma linhagem ancestral em comum com aquela mulher. Aquela que lançou a maldição que me aprisionou na Floresta Negra por milênios intermináveis.

Somente o sangue dado de livre e espontânea vontade de uma descendente minha pode quebrar a sua maldição. Mas minha última descendente foi morta por você. As palavras duras e implacáveis ecoaram na minha mente. Como punição, você vai apodrecer nessa floresta pelo resto da eternidade. As últimas palavras daquela bruxa desgraçada ressoaram na minha mente mais uma vez, me lembrando da dor que ela me causou ao me prender na Floresta Negra.

Por milênios fui atormentado pela crença de que estava condenado a nunca mais sair daquela floresta maldita. Desejei que a bruxa responsável pela minha maldição ainda estivesse viva para eu poder matá-la com minhas próprias mãos. Mas ela se matou para que eu nunca tivesse a chance de me vingar.

Após anos de buscas incansáveis, finalmente percebi que havia sido enganado. A bruxa me fez acreditar que só o sangue de uma de suas descendentes poderia quebrar minha maldição, mas eu descobri a verdade. A linhagem da bruxa foi extinta e eu nunca quebraria a maldição pela linhagem dela. No entanto, ainda havia uma chance de me salvar. Eu precisava encontrar alguém com o mesmo ancestral feérico da bruxa. Alguém que forneceria o sangue mágico que eu precisava.

A busca por essa pessoa se tornou minha nova obsessão.

E eu finalmente a encontrei depois de milhares de anos.

Encontrei a Elizabeth.

Eu precisava ir atrás da garotinha imortal e agradecer ela pelo sangue que quebrou a minha maldição.

Eu gostei do senso de humor dela, mas o que me atraía de verdade era o sabor do seu sangue. Era como se estivesse bebendo poder líquido e eu ansiava por mais. Afinal, meu objetivo era transformar o continente em uma terra dominada pelos deuses.

Ou melhor, em uma terra dominada por mim.

Tamborilei impacientemente os dedos sobre a mesa de madeira, enquanto esperava pela audiência com o imortal que foi criado, não nascido. Aquele duquezinho estava testando minha paciência, já se passavam vinte minutos desde que fui levado para a sala de reuniões do castelo Alnwick.

Trono de Sangue e RuínasOnde histórias criam vida. Descubra agora