Capítulo 52

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- Lizie? - minha mãe chamou, abri os olhos, meu quarto estava iluminado pela luz do sol.

- Aconteceu alguma coisa? - perguntei bocejando.

- Seus irmãos estão partindo daqui a pouco, levante logo para me ajudar a preparar algo para que levem na viajem.

- Sim senhora.

Me arrastei até o guarda roupas e tirei a camisola, coloquei um vestido simples e amarrei o cabelo em um coque. A casa estava silenciosa, o que significava que apenas mamãe e eu estávamos acordadas. Ela sempre fazia isso, quando era nosso aniversário, acordava primeiro que todos para preparar o café da manhã com todas as comidas possíveis.

Não conseguia imaginar a dor de minha mãe ao saber que seus filhos iriam para guerra. Meu pai, antes que eu nascesse, serviu durante a guerra de 1918, lembro-me de minha mãe contar que quando ele voltou, ela já havia feito um velório simbólico pela falta de notícias, o alívio que sentiu foi tão grande que ela desmaiou ao vê-lo. Se com o próprio marido ela ficou daquela forma, imagina com os filhos?

Desci as escadas nas pontas dos pés e coloquei o avental, enquanto minha mãe batia uma massa de panquecas.

- Coloquei bolinhos para assar, tem alguns de mirtilo como seu irmão gosta e alguns de chocolate já que o Eduardo prefere. Também fiz uma torta de maçã e agora as panquecas... ah sim, fiz um suco de abacaxi.

- Tudo isso agora cedo? Mãe que horas a senhora acordou?

- Ah eu perdi o sono, então decidi começar a cozinhar - ela desviou o olhar e me entregou uma frigideira - Coloca os ovos nessa e naquela - ela apontou para uma que estava já no fogão com algumas tiras de bacon - faz os bacons.

- A senhora vai servir apenas seus filhos ou o batalhão inteiro?

- Pare de fazer perguntas e comece a cozinhar - ela foi até a sala e voltou - Seu pai chorou a noite inteira.

- Papai? Papai chorou?

- Sim - ela se aproximou enquanto eu quebrava os ovos e os fritava - Seu pai é um homem rígido, mas ele ama vocês, saber que... que um de vocês possa...

- Eu sei.

- Nós não suportaríamos filha, seria um baque tão forte que não consigo imaginar. Cozinhar me ajudou a tirar essas ideias da mente.

- Eles vão amar isso. Como tudo que a senhora faz, então pense positivo, é um motivo para que eles voltem o mais rápido possível.

- Pela comida? - ela riu.

- Pela senhora.

Os olhos de minha mãe lacrimejaram e ela piscou algumas vezes.

- Eu vi o folheto...

- Que? Que folheto? - desviei o olhar.

- Você sabe que desmaia se ver sangue. Como vai ajudar um homem que perdeu a perna? Ou o braço?

- Mãe...

- Não estou te impedindo, saiba que seu pai será contra, mas não é uma coisa fácil de lidar Lizie, você é jovem e... enfermeiras não são vistas com bons olhos.

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⏰ Última atualização: Feb 15 ⏰

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