- Ana largue isso! - ouvi a voz de Erica ao longe. - Sente-se aqui.
- Acha que foi algo grave? Será que está bem? Ai céus que agonia!
Estava ouvindo tudo, mas não estava acordada realmente, era como se estivesse sonhando.
- Ela está bem? - ouvi mais vozes.
- Não sabemos, Margaret nos proibiu de entrar...
- Bianca falou o que houve?
- Ela está bem abalada, mas disseram que foi um ataque.
As vozes começaram a ficar mais nítidas e altas, quando abri os olhos e os senti arderem, graças a luz do sol que entrava pela janela.
Olhei ao redor, estava em um dos quartos destinados as quarentenas, senti minha boca seca e a garganta ainda doendo, assim como minha cabeça. Não queria criar alarde, então me sentei e comecei a me situar melhor, e a pensar o que poderia fazer.
Apalpei meu pescoço, e não aparentava nada de anormal, já minha cabeça, exibia um galo, grande o suficiente para deixar meu cabelo volumoso. Comecei a fazer exercícios com o maxilar e a tremer a língua para relaxar as cordas vocais.
A porta se abriu e Margaret, seguida por Elisa, entraram e se surpreenderam comigo sentada.
- Como se sente Lizie? Se lembra de algo? Consegue contar quantos dedos tenho aqui? - ela parou a minha frente.
- Quatro. - Falei, e minha voz saiu estranhamente rouca.
- Certo, doi? - Elisa perguntou passando a mão em meu pescoço.
- Estou ótima! Não precisa de tanto, um tombo bobo e um aperto na garganta, não são grande coisa. - falei empurrado suas mãos.
Minha voz ainda estava rouca e pouco firme, aquilo estava me incomodando extremamente. Margaret me olhou com um sorriso satisfeito e pediu para Elisa sair, a garota nos encarou com cara de desconfiada, mas saiu mesmo assim.
- Você é muito teimosa! - ela sorriu e se sentou na beira da cama - Tenho que lhe contar algo, e espero que me conte com detalhes o que ouve.
- Claro, o que foi?
Ela suspirou e me encarou, parecia me examinar.
- A garota com quem chegou aqui, Bianca, nos disse que ambas foram atacadas.
- De fato.
- Ela não entrou em detalhes, ficou histérica assim que começamos a examina-la, e tivemos de sedar para que se acalmasse. - ela tomou uma postura ainda mais rígida - Eu a examinei, como pude... Haviam feridas em suas partes intimas e seu corpo estava coberto por marcas avermelhadas. O que aconteceu?
Comecei a repassar tudo que havia acontecido, contando com detalhes tudo que me lembrava, mas tinha a sensação de que mesmo que tivesse feito o certo, algo daria errado, e isso não saia da minha mente.
- Lizie, como pode ser tão imprudente? Podiam ter se ferido ainda mais!
- O que queria que fizesse? Ficasse parada enquanto ele a violava? - Cruzei os braços - Não me arrependo de ter feito algo, pois acredito que qualquer um em minha posição, o faria.
- Se surpreenderia com a quantidade de pessoas que não se arriscariam - ela olhou para a janela - Bom, vou ver como Bianca está, Anna e Erica estão no corredor, posso pedir que entrem?
- Sim claro, devem estar preocupadas.
Assim que Margaret saiu, segundos mais tarde, Anna entrou correndo como um raio para me abraçar.
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Além do Alcance
Historical FictionSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
