Desde duas noites atrás eu estava aflita, não sabia o que fazer, era como um quebra-cabeças sem resolução. Bia não apareceu ontem e muito menos hoje, procurei ela em todos os lugares e nada, talvez tenha ido agir como detetive amadora sozinha. Escrevi um bilhete e deixei em sua porta, para que, assim que possível, me procurasse, ela precisava saber das coisas que Adam contou.
A polícia havia estado no hospital no dia anterior, conversou com o médico e foram embora, ninguém incomodou Adam com o assunto, pelo menos não ainda. Era de se esperar, como Drake havia dito, chamaram o Coronel, provavelmente ele deve informar o ocorrido ao General. Adam não era qualquer um, estava junto de um batalhão pequeno de missões específicas, se os piratas que os atacaram eram de algum grupo terrorista ou então alemães ou italianos, eles voltariam, talvez seja isso que eles estejam investigando ou supondo.
Se Bia concordar com meu plano, entregarei cada ameaçada escrita em papel a polícia, não queria mais saber de agir sozinha e por em risco a vida de mais ninguém.
Coloquei meu diário sobre as pernas, sentia a areia aquecer meus pés. A manhã estava ensolarada e quente, fechei os olhos, sentindo o sol aquecer meu rosto. Ouvi sons de passos e me virei, do outro lado da orla, os soldados corriam, vindo para a direção de onde estava. Treinando assim, pareciam animais inofensivos, mas com uma arma em mãos, fariam pilhas de homens iguais a eles, lutando uma batalha que não era deles, apenas por capricho de homens mimados.
Estavam se aproximando quando notei o homem alto, sardento e de cabelos cacheados. Drake olhou para mim de relance, desviei o olhar para a praia, estava me sentindo mal diante da situação toda, e não queria prolongar mais esse relacionamento caótico.
Cesar passou sorrindo e acenando, sorri de volta e um dos soldados que estava ao seu lado se inclinou para ver para onde Cesar olhava. Eles continuaram sua corrida e eu permaneci ali, tentando distrair a mente e não pensar nas mesmas coisas de sempre. Mas já daria a hora de voltar a vida normal e assumir meu posto no hospital, dessa vez Margareth e um soldado responsável pelos primeiros socorros, iriam nos ensinar a lidar em situações de crise, caso um dia precisemos agir diante de um ataque aéreo. Não que isso fosse um dia acontecer.
Me levantei batendo a areia do corpo e caminhei lentamente para a cabana indo trocar a roupa e guardar meu diário. O uniforme sempre me deixava com cara de criança, estranhamente eu gostava, pelo menos parecia mais esperançosa do que estava.
Assim que coloquei os pés no hospital, tratei de ignorar meu coração suplicando para que fosse até a ala de internação, tratei de ajeitar os medicamentos, abastecer os carrinhos, atualizar algumas pranchetas e levar uma pilha de lençóis para o carrinho da faxina.
Estava voltando, virando o corredor, quando esbarrei em Adam, que estava saindo da sala do Dr. Andrew. Apenas acenei com a cabeça, e ja iria me por a andar mas ele começou a falar.
- Carter - ele acenou com a cabeça - eu...
- Está melhor? - a pergunta saiu antes que pudesse segurar a língua.
- Sim, muito melhor, obrigado.
Notei que ele estava de pé, sem suas muletas, a postura estava perfeita, como se nunca tivesse perdido sua perna. Estava até mais alto do que o normal, já que o via sempre repousando ou curvado sobre as muletas. Provavelmente iria retirar os pontos que levou na cabeça no dia seguinte, então logo estaria fora do hospital.
- Suas muletas...
- Ah sim, acabei de receber a prótese, o Dr. Andrew acabou de me ajudar a colocar - ele levantou a barra da calça e la estava, não parecia em nada com o que eu imaginava. Era de um metal brilhante, havia madeira em certas partes, assim como no pé, que estava calçado com um sapato. Se ele não mostrasse, jamais saberia se já não soubesse de sua deficiência. - É um pouco estranho e dolorido, já que não estava mais acostumado a apoiar o peso na coxa.
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Além do Alcance
Historical FictionSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
