Bia abriu a torneira e nos sentamos no chão do banheiro. Coloquei sobre o pequeno tapete de tricô meu diário, assim como o pássaro, a pedra e o pano bordado.
- Céus é mesmo um pássaro!
- Sim, o pobrezinho foi morto por nada - suspirei. Bia puxou o tecido e começou a ler.
- Lizie, isso... isso... é doentio!
- Nada como uma ameaça nova para nos deixar em alerta.
- Ou um aviso - ela me encarou - por favor, não aceite nada de comer ou beber, seja de quem for.
- Acha que seja um aviso sobre isso? Então porquê avisar?
- Ora, para assustar? Não sei Lizie, não estou na cabeça desse maníaco.
- Não entendi o que ele quis dizer com amor e mar.
- Tão pouco eu, mas talvez tenha sido apenas para rimar. Mas duvido muito. - ela bateu o dedo indicador na capa do meu diário - E as cartas?
- Aqui - retirei as quatro de dentro de meu diário, e Bia não demorou nem dois segundos para começar a ler.
- Esperto, muito esperto.
- Nenhum pronome, nenhuma informação pessoal além do parentesco.
- Exceto por esta carta - ela balançou entre os dedos - Ansioso.
- Exatamente, um pequeno deslize.
- Se eu te disser que Steve é o nosso General, você acreditaria? - ela colocou as cartas no chão - quando li o relatório do que houve conosco, tinha o nome completo dele.
- Espera, Steve é o primo, Schmidt é Steve? Não, não pode ser, isso...
- Significa que estas cartas não são do General.
- Espere! - me levantei, minha mente parecia uma roda de carro, girando rapidamente atrás das resposta - Schmidt é filho do carteiro!
- Isso explicaria os bilhetes Lizie - ela arregalou os olhos - Ele estava nos colocando medo para evitar que seu filho se prejudicasse...
- E quem é o dono dessas cartas? - a encarei com as sobrancelhas unidas.
- Ele diz ter enviado sementes, sementes estas que podem ser de acônitos, isso explica o pano com a mensagem.
- Então o carteiro...
- Faz sentido, ele é um homem velho, viveu aqui por anos, poderia ter orquestrado tudo isso, feito todas as barbaridades e parado pois como diz na carta, houve uma aclamação pelos assassinatos. E agora, que as coisas voltaram a acontecer, ele tem duas mulheres que perguntam demais.
- O que faremos? - torcia o tecido da camisola nas mãos - Vamos denunciar.
- Não, isso não são provas suficientes, precisamos que ele admita, admita com testemunhas.
- E como pretende fazer isso?
- Vou pensar em tudo, assim que tiver uma ideia, venho te procurar. Ainda tenho algumas coisas para procurar nos obituários, conexões que fortaleçam o que temos a acusar.
- Montando uma história mais concreta, conseguiremos uma maior credibilidade. Esperta.
- Eu sou - ela sorriu - deixe as coisas aqui, temo que Tinny tente mexer em suas coisas novamente, ela vem tentando me convencer de que quer ajudar.
- Certo, mas temos de ficar vigilantes, não podemos descuidar de nada, se agora somos alvos, não podemos estar sozinhas em nenhum instante.
- Vamos nos cuidar. Agora preciso voltar a dormir, amanhã estarei bem cedo no hospital.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Além do Alcance
Historical FictionSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
