Capítulo 42

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Bia abriu a torneira e nos sentamos no chão do banheiro. Coloquei sobre o pequeno tapete de tricô meu diário, assim como o pássaro, a pedra e o pano bordado.

- Céus é mesmo um pássaro!

- Sim, o pobrezinho foi morto por nada - suspirei. Bia puxou o tecido e começou a ler.

- Lizie, isso... isso... é doentio!

- Nada como uma ameaça nova para nos deixar em alerta.

- Ou um aviso - ela me encarou - por favor, não aceite nada de comer ou beber, seja de quem for.

- Acha que seja um aviso sobre isso? Então porquê avisar?

- Ora, para assustar? Não sei Lizie, não estou na cabeça desse maníaco.

- Não entendi o que ele quis dizer com amor e mar.

- Tão pouco eu, mas talvez tenha sido apenas para rimar. Mas duvido muito. - ela bateu o dedo indicador na capa do meu diário - E as cartas?

- Aqui - retirei as quatro de dentro de meu diário, e Bia não demorou nem dois segundos para começar a ler.

- Esperto, muito esperto.

- Nenhum pronome, nenhuma informação pessoal além do parentesco.

- Exceto por esta carta - ela balançou entre os dedos - Ansioso.

- Exatamente, um pequeno deslize.

- Se eu te disser que Steve é o nosso General, você acreditaria? - ela colocou as cartas no chão - quando li o relatório do que houve conosco, tinha o nome completo dele.

- Espera, Steve é o primo, Schmidt é Steve? Não, não pode ser, isso...

- Significa que estas cartas não são do General.

- Espere! - me levantei, minha mente parecia uma roda de carro, girando rapidamente atrás das resposta - Schmidt é filho do carteiro!

- Isso explicaria os bilhetes Lizie - ela arregalou os olhos - Ele estava nos colocando medo para evitar que seu filho se prejudicasse...

- E quem é o dono dessas cartas? - a encarei com as sobrancelhas unidas.

- Ele diz ter enviado sementes, sementes estas que podem ser de acônitos, isso explica o pano com a mensagem.

- Então o carteiro...

- Faz sentido, ele é um homem velho, viveu aqui por anos, poderia ter orquestrado tudo isso, feito todas as barbaridades e parado pois como diz na carta, houve uma aclamação pelos assassinatos. E agora, que as coisas voltaram a acontecer, ele tem duas mulheres que perguntam demais.

- O que faremos? - torcia o tecido da camisola nas mãos - Vamos denunciar.

- Não, isso não são provas suficientes, precisamos que ele admita, admita com testemunhas.

- E como pretende fazer isso?

- Vou pensar em tudo, assim que tiver uma ideia, venho te procurar. Ainda tenho algumas coisas para procurar nos obituários, conexões que fortaleçam o que temos a acusar.

- Montando uma história mais concreta, conseguiremos uma maior credibilidade. Esperta.

- Eu sou - ela sorriu - deixe as coisas aqui, temo que Tinny tente mexer em suas coisas novamente, ela vem tentando me convencer de que quer ajudar.

- Certo, mas temos de ficar vigilantes, não podemos descuidar de nada, se agora somos alvos, não podemos estar sozinhas em nenhum instante.

- Vamos nos cuidar. Agora preciso voltar a dormir, amanhã estarei bem cedo no hospital.

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