Capitulo 13

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- Não! - ele entrou como um raio na sala, me fazendo derrubar a caixa de metal no chão.

Olhei assustada, fazia apenas cinco minutos que havia saido.

- Não vou aceitar, um não como resposta! - ele se aproximou para me ajudar.

- Drake eu já...

- Escute, eu sei que crescemos juntos, e sim eu também te via como uma irmã, mas não mais, e não consigo parar de pensar em você, desde a ultima vez que nos vimos. - ele falou recuperando o fôlego.

- Isso foi ontem, como pode estar dessa maneira, em menos de vinte e quatro horas?

- Não - ele agitou as mãos - estou me referindo ao natal.

Ao natal, a noite que ficamos eu, ele e meus irmãos, deitados no quintal de casa depois de comermos, olhando as estrelas. Sim aquela noite foi mágica de certa forma.

- Drake, isso foi ano passado. - cruzei os braços.

- Eu sei, desde então eu não paro de pensar no que você disse. - ele limpou a garganta - Estaremos sempre debaixo do mesmo céu, veremos as mesmas estrelas.

Suspirei, não tinha dito aquilo de forma romântica, e sim pelo fato de eles irem embora.

- Só diz sim. Um piquinique, na praia. - ele arqueou as sobrancelhas.

- Tudo bem, mas nada mudou. - me endireitei - Apenas amigos.

- Sim senhora - ele deu um sorriso de orelha a orelha. - Passo para te buscar, amanhã.

- Até amanhã então.

Guardei a caixa e ele saiu, parecia mais leve, mas eu ainda estava desconfortável com a ideia, não só pelo fato de ele querer ser mais que meu amigo, mas por sem um encontro. O meu primeiro encontro.

Estava andando um pouco distraida, quando me enrrosquei em alguns lençóis, que estavam sencando no varal, de um dos alojamentos.

Tentei me soltar mas quando achei que finalmente havia conseguido, fui andar e o lençol ainda enroscado em meu braço me puxou, me fazendo cair para trás e destruir o varal, caindo assim, todas as roupas de cama limpas, no chão de areia.

Como foi que eu, sozinha, consegui isso?

- Opa, você se machucou? - Ouvi alguém perguntar, e logo depois puxar os lençóis de cima de mim. - Lizie?

- Cesar. - falei me sentando.

- Como você conseguiu isso? - ele me ajudou a levantar.

- Estava com o pensamento longe.

- Meu Deus! Meus lençóis! - Ouvi alguém gritar e me virei, para encontrar uma baixinha revoltada, vindo em minha direção.

- Perdão, foi um acidente.

- Ora, mas olhe só o que você fez garota! - ela começou a pegar furiosa os lençóis no chão. No mesmo instante me agachei para ajudar.

- Sinto muito, eu me encarrego de lavar todos! Prometo que entrego ainda hoje.

Ela parou e me olhou de cima em baixo, se levantou e me entregou o restante que ela havia juntado.

- Okay, até mais tarde. - ela começou a caminhar de volta ao seu alojamento - E lave bem!

- Sim senhora! - falei.

Me virei para encontrar Cesar rindo.

- Dona é uma figura, não?

- É o nome dela? - comecei a caminhar para a área do tanque.

- Sim, é uma das cozinheiras. - ele me seguiu - Mas seria bom entregar isso tudo bem limpo, não vai querer vê-la nervosa.

- Vou fazer o meu melhor, afinal, eu que derrubei.

- Eu até te ajudaria, mas não quero - assim que chegamos ao tanque de roupas, ele se despediu. - Boa sorte com isso ai.

Balancei a cabeça rindo, de seu jeito extremamente sincero.

- Obrigada.

Não havia muita sujeira, talvez um ou outro, que estaria mais empoeirado, mas não seria uma tarefa tão demorada.

Estava lavando aquelas roupas, quando ouvi um burburinho, não sabia de onde vinha, mas me arrependeria mais tarde de me meter na história.

Fechei a torneira para ouvir melhor, e escutei um grito abafado, parecia um grito de dor, e logo em seguida um homem falou "É melhor ficar quieta! Ou podem nos descobrir, e você não quer isso, não é mesmo?". Ouvi outro murmúrio e ele falou novamente, me alertando de que as coisas não estavam certas, "logo acaba, logo logo acaba".

Ao ouvir aquilo, larguei os panos e me esgueirei pelo canto de um dos alojamentos, encontrando a fonte dos barulhos, atrás da de uma das casas, um homem estava prensando uma moça contra a parede, tapando sua boca. Observando bem, ela tinha marcas no corpo e parecia desesperada.

Olhei ao meu redor e encontrei um pedaço de madeira, que provavelmente pertencerá a cerca de arame. Peguei sem fazer barulho e passei despercebida, pelo menos por ele, já que a mulher, arregalou os olhos para mim, quando tomei coragem e avancei, batendo com toda força que tinha contra a cabeça do sujeito, que foi ao chão, instantes depois.

Estava ofegante e minhas mãos tremiam, a moça me olhou assustada, estava chorando e antes que eu pudesse falar algo, ela me abraçou, soluçando muito, apenas a reconfortei, estava trêmula e seu coração estava acelerado.

- T-temos que sair daqui. - ela falou soluçando.

Olhei para o homem no chão, ele parecia desacordado, ou atordoado de mais para se levantar.

- Vamos, vou levá-la a enfermaria. - Mas antes que fizesse qualquer movimento, senti um puxão em minha perna, me derrubando no chão.

As mãos dele envolveram meu pescoço, apertando com força, tentei me defender e ele apenas apertava mais. Eu mal podia pensar, era como se meu cérebro estivesse se desconectando, meus olhos pareciam água fervente, o pior se passou em minha mente. Quando seus dedos se soltaram e seu peso desapareceu, eu recuperei o fôlego, sentindo uma dor insuportável na garganta. A garota me estendeu a mão jogando o pedaço de madeira para longe, me puxando, para em fim corrermos.

Ela me puxava, já que estava mais lenta que o normal. Me sentia tonta, mas a adrenalina repentina me fez conseguir correr até metade do percurso, amolecendo o corpo alguns metros a frente da enfermaria, a garota me apoiou com o braço e me ajudou a entrar, Margaret veio nos receber preocupada. Não pude prestar muita atenção no que estava acontecendo, estava aérea e sonolenta.

- Céus, o que ouve com vocês? - ouvi alguém perguntar.

- Ela bateu com a cabeça no chão. - ouvi outra pessoa dizer, passando a mão em minha nuca.

- Ai ai! Está doendo! - A moça que ajudei falou. - Não! Não encostem em mim!

- Não a deixem dormir!

- Enforcada?

- Ele...

Tudo parecia confuso, derrepente as vozes foram diminuindo o som, o ritmo, até tudo ficar escuro e silencioso.

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